Família, um patrimônio

Data de publicação: 08/10/2014

Relatório para debate no Sínodo da Família aborda a necessidade de preservar a família como patrimônio
Reportagem publicada no Jornal do Brasil
Fotos: Rádio Vaticano


Boletim publicado na segunda-feira (6) de outubro de 2014, pelo relator-geral cardeal Peter Erdo, arcebispo de Esztergom-Budapeste, durante a primeira Congregação geral da III Assembleia geral extraordinária do Sínodo dos Bispos, aponta itens que devem ser discutidos no encontro, com o tema "Os desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização". Os quatro capítulos são: O Evangelho da família no contexto da evangelização, O Evangelho da família e a pastoral familiar, As situações pastorais difíceis e A família e o Evangelho da vida.

O relatório ressalta a necessidade de preservar a família como um patrimônio e os desafios da igreja católica para lidar com as especificidades da vida contemporânea. Aponta também que os questionários recebidos pelo Vaticano revelam que os católicos, em sua maioria, não questionam a indissolubilidade do matrimônio, mas não esperam uma equipação de relações entre homossexuais com o casamento entre homem e mulher, apesar de demonstrarem que não se deve discriminar os homossexuais. O desejo de superar papéis tradicionais, como a discriminação da mulher, também é apontado, sem, no entanto, abrir mão de uma "diferença natural" entre os sexos.

Sínodo sobre família: católicos esperam avanços da Igreja

A III Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos sobre a Família começou neste domingo (5). Ela havia sido convocada pelo Papa Francisco para discutir a temática no contexto da evangelização, além de repensar a forma como a instituição familiar é tratada atualmente dentro do contexto religioso. Conta com a presença de 253 pessoas, entre bispos, presidentes de Conferências Episcopais de todo o mundo, membros da Cúria Romana, sociólogos e antropólogos.

O relatório para discussão publicado ontem conta com cinco capítulos com tópicos sobre as especificidades da família contemporânea. O primeiro, "O evangelho da família no contexto da evangelização", discursa sobre o método de discernimento das famílias e o método de trabalho sinodal. O segundo, "O evangelho da família e a pastoral familiar", fala sobre o desafio educativo das famílias, a importância destas como protagonistas da evangelização, sobre a ação pastoral em situações de crise, tratando ainda das dificuldades internas e pressões externas que as famílias podem enfrentar.

"Situações pastorais difíceis" é o tema do terceiro capítulo do relatório, e inclui assuntos como os casamentos civis e os de convivência, o cuidado espiritual de divorciados que se casaram novamente, a prática canônica matrimonial e via extra-judicial, e a prática de igrejas ortodoxas em relação ao matrimônio. A responsabilidade da igreja e da educação é tratada no capítulo seguinte, intitulada "A família e o Evangelho da vida"

"A mensagem de Cristo não é confortável, mas exigente: requer a conversão de nossos corações. E, no entanto, é uma verdade que nos liberta. O principal objetivo da proposta sobre a família cristã deve ser 'a alegria do Evangelho', que 'enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus' e 'se deixam salvar por Ele' experimentando a libertação 'do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento', como ensina o Papa Francisco na Evangelii gaudium (n 1.) -.", diz o relator na introdução do documento.

Ele destaca uma fala do Papa Pablo VI, sobre o patrimônio da fé que a igreja precisaria preservar e apresentar aos "homens do nosso tempo, com os meios ao nosso alcance, de uma maneira compreensível e persuasiva". "Muitos de nossos contemporâneos encontram dificuldades na hora de raciocinar logicamente, de ler textos longos. Vivemos em uma cultura do audiovisual, dos sentimentos, das experiências emocionais, dos símbolos", alega.

O texto diz que muitos, hoje, concebem suas vidas não mais como um projeto, mas como uma série de momentos em que o valor supremo é se sentir e estar bem. Nesta visão, então, qualquer compromisso estável pareceria assustador e o futuro, uma ameaça. O casamento, também, poderia então se apresentar como um obstáculo e exigir renúncias. O isolamento social seria uma consequência deste "culto do bem-estar momentâneo", que, destaca o relator, se fez presente em um grande número de questionários preenchidos por igrejas ao redor do mundo.

A tendência de redução do matrimônio civil e o aumento de casais de moram juntos são apontados como "um sintoma de crise de uma sociedade farta de formalismos, obrigações e burocracia". Seria dever da igreja, então, oferecer diretrizes claras a padres da igreja católica, não esperar que eles encontrem soluções adequadas para casos difíceis. Para o relator, seria importante ainda uma formação dos jovens para a afetividade, acompanhamento da vida matrimonial, "de modo que a família constitua uma autêntica escola de humanidade, socialidade, eclesialidade e santidade". A família é apontada, também, como lugar onde se exerce e se alimenta um caminho de santidade para os cônjuges e filhos.

O relator indica no texto para discussão no Sínodo que a família, em seus diferentes perfis e contextos sócio-culturais, é um bem da cultura humana, patrimônio que precisa ser custodiado, promovido e, quando necessário, defendido. "A família, certamente, hoje, encontra muitas dificuldades; mas não é um modelo antiquado, é mais. Entre os jovens, em geral, se constata um novo desejo de família".

Não se questiona, contudo, a indissolubilidade do matrimônio, mas, sim, as questões práticas. Sobre a homossexualidade, reforça: pessoas de tendência homossexual não devem ser discriminadas, mas emerge também, com igual claridade, que não se espera uma equiparação dessas relações com o matrimônio entre homem e mulher. "Tampouco as formas ideológicas das teorias sobre gênero colhem um consenso entre a grande maioria dos católicos." O relatório também indica que muitos querem superar os tradicionais papéis sociais e a discriminação das mulheres, sem negar a "diferença natural" entre os sexos e sua reciprocidade e complementariedade.

"A família é quase a última realidade humana acolhedora em um mundo determinado quase exclusivamente pelas finanças e pela tecnologia. Uma nova cultura da família pode ser o ponto de partida para uma renovada civilização humana", destaca. Apesar de indicar as dificuldades deste tempo como falta de tempo para diálogo e descanso, o relator também alerta para uma "generalizada mentalidade egoísta, que se fecha para a vida, como o crescimento preocupante da prática abortiva".

Os divorciados que voltam a casar civilmente pertencem à igreja. Necessitam de acompanhamento de seus padres e têm direito a isso, reforça o documento.




Fonte: Jornal do Brasil
Postado por: Família Cristã




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