Amor familiar

Data de publicação: 29/10/2014

O amor familiar não é apenas construído a partir de momentos de felicidade, mas de experiências dolorosas e profunda confiança em Deus


 Por Cleusa e Alvício Thewes*

 


Tomé, criança anjo − Ele é um menino especial. Nasceu com síndrome de Down. A mãe, embora sofrendo, acolheu-o com incansável amor. Tomé tem 10 anos e contou com a sorte de nascer em uma família abnegada, da qual recebe cuidados emocionais, espirituais e médicos. Isso o torna, dentro de suas limitações, um menino saudável. Recebe a assistência da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais e frequenta a Catequese, cujos ensinamentos o encantam. Em maio, fará a Primeira Eucaristia.

Ele surpreende a família ao dizer convictamente: “Vou ser padre!”.

Tomé gosta de ir à igreja. Brinca de celebrar a missa, com seriedade. Tomando um biscoito em suas mãozinhas, abençoa-o e se põe a distribuí-lo aos familiares, como comunhão. Profundamente sensibilizada, a família respeita a forma de contemplação de Tomé.

 

José, o jovem anjo − Ele tem 21 anos. Alegre e amável, dispensa um respeito incrível aos pais, irmãos e aos avós. Mostra-se responsável e comprometido com estudos e trabalho. Ele, porém, é privilegiado, pois é herdeiro de uma fé familiar sólida. Sua sensibilidade ao tempo quaresmal chamou minha atenção. Sentado à mesa, para a refeição, comentou: “Eu propus a jejuar na Quaresma, abdicando de alguns alimentos que saboreio”, e, com humildade acrescentou, “assim fortalecerei meu espírito”.

Família entrelaçada no amor − O amor familiar não é apenas construído a partir da felicidade. A mãe de José irradia o amor vindo do céu, é enxertada de fé e simplicidade.  Atitudes internas tornam-na doce e aberta aos desígnios e cuidados de Deus. Ela, na doída e precoce morte do esposo, permitiu que o Pai do Céu a juntasse do chão, como caquinhos, e iluminasse sua noite escura. Ela também encontrou forças nos olhinhos de José, 2 anos, e Sara, silenciosa  em seu ventre.

 José, agora com 4 anos, e Sara, com 2, recebem um novo pai, homem amoroso que, tomando a mãe deles por esposa, fortalece a família de amor e fidelidade a Deus.

Espiritualidade familiar, utopia? − Não! Nos recantos do Brasil há famílias nutridas na videira da fé, vivendo e transmitindo valores espirituais. Famílias que, discípulas de Cristo, creem no Batismo, nos dons do Espírito Santo, na Eucaristia e na Palavra Sagrada.

Há, porém, famílias descrentes e reféns da mídia a serviço de ideologias destrutivas dos valores éticos, morais e espirituais. Há, ainda, filhos nas mãos de traficantes e dos anjos do mal. A mídia pinta de cor-de-rosa a fragilidade conjugal presente nas traições e desafetos. Gente, o Mestre alertou: “Atenção à presença do joio na plantação de trigo”. Fé ativa é capacitar-se a arrancar o joio, potencializando o trigo. Divulguemos, nas redes sociais, a vida e a história bonitas de nossas famílias, de fidelidade, respeito, autenticidade e fé. Isso pode ser o trigo para famílias famintas. Rocha para famílias vulneráveis. Lamparina para famílias sem luz.

Filhos e pais pródigos − Existem pais e filhos pródigos.  Revelam-se seduzidos pelas misérias do mundo. Pais e filhos indiferentes são uma realidade desafiadora ao coração da fé e do amor. Filhos resistentes e donos de rasas convicções habitam lares. Se filhos e famílias fossem perfeitos, para que nos serviria a parábola do Filho Pródigo?

Pais cansados e filhos desconsolados, porém, evoluídos na fé e no amor, buscarão, na Palavra Sagrada, uma cura para a frustração, pois o Senhor será seu consolo e fortaleza.

Pais impacientes encontrarão no livro de Eclesiastes a sabedoria do tempo: há um tempo para rir e chorar; para plantar e colher; para viver e morrer. No tempo de algum tempo, no tempo de cada um, pais e filhos frutificarão para o amor e para a fé.

Quase queimados pelo fogo na fornalha da dor, os pais sentirão um vento forte e refrescante, chamado Pai. Ele os livrará das labaredas, para que, ilesos, perpetuem sua missão na Terra.

 Mãe Aparecida, fortaleça-nos. Amém!

 

* Cleusa e Alvício Thewes são casados há 28 anos e têm dois filhos. Ela é terapeuta familiar e especialista em Orientação Familiar. Ele, advogado e especialista em Família.





Fonte: Familia Crista ed. 940
Postado por: Família Cristã




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