Caravana contra usinas

Data de publicação: 19/11/2014

Karla Maria

“Nós, moradores do Tapajós não abrimos mão do rio Tapajós, então vamos ver até onde vai este confronto”, padre Edilberto Sena

Depois da construção das usinas hidrelétricas de Belo Monte, no rio Xingu, e da de Santo Antonio de Jirau, no rio Madeira - nos estados do Pará e Rondônia, respectivamente - é chegado o momento da bacia do rio Tapajós receber um complexo de sete hidrelétricas. Ao menos é o que planeja o governo federal que há anos enfrenta a resistência das populações locais.

No dia 27, as pastorais e movimentos sociais, junto ao mundukurus e populações ribeirinhas realizam um ato político-religioso em São Luiz dos Tapajós, no Pará, de resistência contra a construção das usinas na bacia do rio Tapajós. “Vamos fazer uma denúncia internacional e nacional sobre este plano perverso do governo que quer fazer uma destruição ecológica no rio Tapajós, uma destruição social e econômica para estes povos que vivem aqui”, disse padre Edilberto Sena, coordenador da Comissão Justiça e Paz da Diocese de Santarém e militante do Movimento Tapajós Vivo e um dos organizadores da caravana.

“Será uma ação político-religiosa. São várias caravanas, só da cidade de Santarém vão dois barcos com 260 pessoas. Tem caravana que vai de Altamira de ônibus. Estamos esperando cerca de mil pessoas”, alertou o padre.

Segundo o Ministério Público Federal, os povos mundukurus estão entre os mais impactados pela construção das usinas. São aproximadamente 13 mil indígenas espalhados em 110 aldeias. “O projeto ameaça as atividades tradicionais, como pesca, caça e transporte fluvial. E o licenciamento teve início sem consulta prévia, livre e informada, como manda a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT)”, destacou o procurador da República, no Pará, Felício Pontes.

Em novembro de 2012, a Justiça Federal suspendeu, em primeira instância, o licenciamento da hidrelétrica de São Luiz do Tapajós atendendo a uma Ação Civil Pública (ACP) movida pelo gabinete do Ministério Público Federal (MPF) de Santarém (PA). Um dos principais motivos que embasava o pedido é justamente a não realização de uma consulta prévia com as populações indígenas diretamente afetadas pelo empreendimento, como mandam não só a Constituição Federal de 1988, mas também a Convenção 169 citada pelo procurador.

“O governo tem tentado enganar as populações. Tentam fazer a consulta prévia com dez, 15 caciques, mas os mundukurus, orientados pelo Ministério Público Federal do Pará e ONGs querem que a consulta seja feita nas 110 aldeias e não com um grupinho de dez, aí o governo não quer, e fica esta guerra de braço”, apontou padre Edilberto.

Ainda segundo o padre, uma equipe do “Diálogos Tapajós”, empresa contratada pelo governo está visitando as comunidades de Itaituba tentando convencê-las a saírem de suas casas, dizendo ‘olha pessoal, é melhor vocês se cadastrarem e receberem as compensações, porque as hidrelétricas vão sair de qualquer jeito’, e que desta maneira, as comunidades se sentem pressionadas e acabam se cadastrando de qualquer jeito, se informação sobre seus direitos.

“Na questão do Tapajós, o governo está percebendo que não é da mesma maneira que foi no Rio Madeira, quando enganaram o povo. Aqui há resistência e o governo está tentando ludibriar com esta “Diálogo Tapajós”, mas nós não vamos desistir. Nós moradores do Tapajós não abrimos mão do rio Tapajós, então vamos ver até onde vai este confronto”, concluiu o padre.

Resistência
– “Nossa caravana vai unir as forças dos grupos que têm na região da bacia do tapajós, que inclui os mundurukus do alto, médio e baixo tapajós, os movimentos sociais de Itaituba, de Jacarecanga, de Santarém, para que nós - mesmo tendo metodologias diferentes - estejamos unidos na resistência a este plano perverso do governo federal”, disse o padre.

Participam do ato político-religioso, a Comissão Pastoral da Terra, o  Movimento Tapajós Vivo (MTV), o Movimento dos atingidos por barragens (MAB), a Pastoral Social de Santarém, a Associação Munduruku Pahihi do Médio Tapajós, a Associação Munduruku Pussuru do Alto Tapajós, Associação Munduruku Guerreiros do Alto Tapajós; o Ministério Público Federal, estudantes universitários e várias entidades que defendem o rio Tapajós e apoiam as caravanas e o ato público.

Plano do governo - As usinas fazem parte de um planejamento energético mais amplo, que prevê o uso mais intensivo do potencial hidrelétrico ainda não utilizado pelo país, maior vocação do Brasil no campo da energia elétrica. As usinas em projeto para o complexo de Tapajós são: São Luiz do Tapajós (6.133 MW), Jatobá (2.338 MW), Cachoeira do Caí (802 MW), Jamanxim (881 MW), Cachoeira dos Patos (528 MW),  Chacorão (3.336 MW) e Jardim de Ouro (227 MW).




Fonte: Família Cristã
Postado por: Família Cristã




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