Os símbolos do Batismo

Data de publicação: 17/12/2014

Frei Luiz S. Turra, ofm cap. *

Os elementos simbólicos do Batismo, quando bem entendidos, vão se encarregando de confirmar o sentido teológico desse importante sacramento para toda pessoa.

Por ser tão importante para a vida da pessoa e da Igreja, o Batismo é o sacramento celebrado num universo simbólico especial e merecedor de toda a atenção e cuidado. Os próprios elementos simbólicos, quando bem entendidos, vão se encarregando de confirmar o sentido teológico do Batismo. Neste universo, alguns símbolos falam mais e outros menos, mas todos têm sua importância no todo deste sacramento.

O tempo – Como momento especial para o Batismo, a Igreja acena a Vigília Pascal, ou o domingo, quando se comemora a ressurreição do Senhor. Batismo é o “sacramento-porta” para uma vida nova inaugurada na Páscoa do Senhor. É no contexto dominical, dedicado a Jesus ressuscitado, que a Igreja acolhe os que nele irão viver sua vocação e missão a serviço do Reino. No dia em que se celebra a passagem de Cristo das trevas do sepulcro para a luz da vida, acontece o nosso Batismo. Mesmo que, por motivos pastorais, o Batismo tenha que ser celebrado em outro dia da semana, essa razão simbólica não pode ser esquecida.

A comunidade – Se o domingo é o dia privilegiado para a celebração do Batismo, é também o dia especial da assembleia dos fiéis, dia da Eucaristia. Para tanto é desejo da Igreja que o momento celebrativo seja vivido na comunidade paroquial, quando esta se encontra reunida para a missa. Pais e padrinhos apresentam à comunidade os que serão batizados e juntos celebram a Eucaristia. Mesmo que o rito batismal aconteça após a missa, o fato do encontro na comunidade já cria um vínculo de comunhão. O “estar junto”, motivado pela fé, torna a comunidade reunida uma expressão da presença atuante do Ressuscitado.

O lugar – No universo simbólico, o lugar também pode favorecer ou desfavorecer um momento celebrativo. A importância do momento leva as pessoas a lugares que contribuam para obter o fim desejado. Não se organiza uma festa em qualquer lugar e de qualquer jeito.

O Batismo não acontece como uma função privada, mas é uma celebração da Igreja. O batizado nasce numa comunidade cristã e se agrega a uma comunidade de fiéis. Por esse motivo, o lugar, como elemento simbólico importante, deve sinalizar para a vida em comunidade.

O templo onde a comunidade se reúne para a celebração é a “casa da Igreja”. Pode ser uma catedral ou uma pequena capela, um santuário famoso ou uma humilde ermida. O lugar onde nos reunimos tem um sentido simbólico que nos ajuda a compreender quem somos e o que celebramos.

A cruz e o sinal da cruz – No início do cristianismo, a cruz não era o símbolo mais utilizado. Falavam mais os símbolos do pastor, do peixe, da âncora, da pomba, da ressurreição. A partir do século 4o a cruz passou a ser o símbolo fundamental dos cristãos. Esta passou a ser a memória do acontecimento maior da história da salvação como porta para a ressurreição.

A cruz primeira é o Cristo crucificado. O sinal da cruz, conforme o rito batismal, é o sinal do Cristo Salvador e da acolhida na comunidade cristã. O batizado coloca sua vida sob o sinal da vitória e da salvação. Com a cruz somos acolhidos, no sinal da cruz somos ungidos e batizados. Marcados com o sinal da cruz, somos motivados a crescer na vida cristã e pela cruz, o nosso viver se abre na esperança da vida ressuscitada.

Ao começarmos a vida cristã, o sinal da cruz passa a ser uma marca de posse e de fé em Jesus Cristo Salvador. Sempre que fazemos o sinal da cruz estamos atualizando o nosso Batismo. É um gesto digno quando os pais ou cuidadores traçam o sinal da cruz nas crianças antes de dormir, na partida para a escola ou antes de uma viagem.

Esse envolvimento de fé acompanha a vida e se torna um renovado compromisso de amor em relação a Deus e ao próximo. É o mesmo sinal da cruz do Batismo que vai marcando a vida aqui e acompanha a nossa passagem para a eternidade. Nossa vida cristã fica marcada, do início ao fim, com o sinal vitorioso da cruz de Cristo.

Conclusão − É possível que, depois de ter refletido sobre alguns elementos do universo simbólico do Batismo, nos perguntemos a razão de tal preocupação. A resposta é muito simples. Quando tudo parece ser igual e sem relevância, vamos colecionando práticas religiosas que pouco nos atingem em nossa sensibilidade, em nossa razão e em nossas práticas. Porque somos humanos, estamos sempre envolvidos por aquilo que nossos sentidos captam. Mas nós somos mais que os sentidos!

No próximo artigo continuaremos contemplando outros elementos do universo simbólico do Batismo.

* Frei Luiz S. Turra pertence à Ordem dos Frades Menores Capuchinhos.

“O Batismo é uma celebração da Igreja. O batizado nasce numa comunidade cristã e se agrega a uma comunidade de fiéis.”

Perguntas
1. O que despertou em você o estudo do universo simbólico do Batismo?
2. Qual dos elementos simbólicos já mencionados mais chamou sua atenção? Por quê?
3. Para nos sensibilizarmos com o universo simbólico do Batismo, o que precisamos fazer?







Fonte: Família Cristã 915 - Mar/2012
Postado por: Família Cristã




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