É a vida...

Data de publicação: 23/12/2014

Lia Padovan*

Nunca é demais lembrar que ficar triste e desanimado diante de determinadas situações é perfeitamente normal e não significa necessariamente estar num estado clínico de depressão


O fim do ano está chegando, e a atmosfera do período de festas é contagiante. Algumas pessoas se cobram por aquilo que não foi realizado. Inicia-se um clima de correria, decoração, compras, escrever, teclar ou telefonar para os amigos e familiares e participar das confraternizações.

Mas, este também é um período de reflexão, tempo para fazer um balanço sobre perdas e ganhos. Então, podemos dizer que este, também, é um tempo de viver ou reviver os nossos lutos.

Hoje em dia é muito comum usarem a palavra depressão para designar os sentimentos de tristeza, e aqui ousamos dizer que a palavra depressão caiu no gosto da nossa sociedade. Nunca é demais lembrar que ficar triste e desanimado diante de determinadas situações é perfeitamente normal e não significa necessariamente estar num estado clínico de depressão. Vivemos hoje num tempo em que somos direta ou indiretamente cobrados para estar num estado permanente de felicidade, em cujo estado parece que é proibido ou muito estranho ficarmos tristes.

Se por um lado a palavra depressão é usada para designar os sentimentos de tristeza normal, por outro se deve ter o cuidado para não desconsiderar quando a tristeza e o desânimo forem persistentes, que podem indicar a presença de uma depressão clínica.

É depressão? − A presença frequente e persistente de pelo menos dois ou mais sintomas a seguir podem significar que estamos diante de uma depressão que varia de leve até os estados mais graves: diminuição da capacidade de experimentar prazer, perda de interesse, diminuição da capacidade de concentração, alterações do sono e do apetite; rebaixamento da autoestima e da autoconfiança e aumento do sentimento de culpa. Lembrando que essas informações devem contribuir como um alerta para a necessidade de você procurar um especialista, pois só um bom profissional poderá lhe indicar o melhor tratamento a seguir. Na dúvida, procure um psiquiatra ou psicólogo de sua confiança.

Não podemos afirmar que exista uma depressão específica de fim de ano, mas existem pessoas que estão mais predispostas a desenvolver o quadro depressivo, e, neste período de emoções mais aguçadas, tendem a desencadear ou agravar os sintomas.

Enfrentar a depressão − Para sair do círculo vicioso e entrar no círculo virtuoso, pode-se recorrer gradativamente a atividades que ajudem a recobrar o bem-estar. É importante procurar um profissional de saúde mental. Além de indicar o melhor tratamento, ele ajudará você a se conhecer melhor e a descobrir os recursos internos que estão adormecidos e que poderão ser acionados.

Procure estar mais próximo de amigos e/ou familiares de sua confiança. Converse, fale sobre você, isso lhe ajudará a se sentir mais amparado e menos angustiado. Aliás, compartilhar as estratégias de enfrentamento das dificuldades com um amigo ou num grupo de autoajuda, como, por exemplo, a terapia comunitária, também são fortes aliados para a recuperação.

Faça alguma atividade física que já lhe tenha sido prazerosa, mesmo que agora esteja difícil, persista, ela contribuirá muito para o seu bem-estar. Se for ao ar livre, tomando um pouco de sol e em contato com a natureza, melhor ainda. O sol é a nossa fonte para produção de vitamina D, e a sua falta também contribui para os estados depressivos. A atividade física e a sensação de prazer aumentam a produção das endorfinas.

Sendo você uma pessoa de fé, ela lhe ajudará a manter a esperança e a confiança. Lembre-se de que, se você está deprimido, busque ajuda, não queira enfrentar isso sozinho. Portanto, quem está deprimido não precisa de críticas, precisa de acolhimento e cuidados que se resumem em psicoterapia, medicamento, relacionamento interpessoal, atividade física, amor e fé.


*Psicóloga, especialista em psicoterapia de adultos, terapia familiar e de casal.




Fonte: Família Cristã 936 - Dez/2013
Postado por: Família Cristã




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