Birras pedem limites

Data de publicação: 26/12/2014

Ao invés de mostrarem pavor, os pais devem enfrentar, com inteligência, a atitude inadequada dos filhos

Cleusa e Alvício Thewes


Josué, 3 anos – Os pais não sabem lidar com o comportamento perseverantemente errôneo de Josué, filho único, em certas situações. A mãe está determinada a conduzi-lo dentro de uma rotina: levantar, lavar o rostinho, fazer xixi, tomar o leite matinal. Josué não quer saber disso. Faz de tudo para ir da cama à TV, assistir A desenhos. Chora, faz cena, atira-se ao chão e morde. Quando os pais levam Josué à pracinha, para andar de balanço, ele curte muito. O drama começa na hora de ir embora. Ele grita, chora, bate a cabeça no chão, causando constrangimento público aos pais. Então o pai puxa a orelha do filho. Este aumenta os gritos e chuta. A mãe, sem saber ao certo como proceder, também grita. E o estresse vira uma batalha.

Ana, 7 anos – Desde pequena, acompanha a mãe nas compras. Ao longo dos anos, Ana adquiriu o hábito de, em todas as compras, escolher e ganhar um biscoito, um chocolate, um brinquedo... Esse hábito, proporcionado pelos pais, tornou-se uma regra para Ana. Hoje, aos 7 anos, quando entra na loja ou no mercado, a menina não abre mão de comprar alguma coisa para si. Se a mãe a contrariar, ela chora, esbraveja, atira a mochila no chão. A mãe, entrando na dança da filha, dá-lhe um beliscão, e Ana aumenta o volume dos berros. O barraco está formado. Observada por todos os presentes, a mãe, puxando a filha pela mão, retira-se, envergonhada.

O que são birras? – Toda mãe sabe o que são birras. São teimosias, caprichos, comportamentos raivosos e inadequados, crises provocadas espontaneamente. Durante as birras, as crianças berram, esperneiam, jogam-se ao chão, avançam nos pais, choram até ficar sem fôlego. Algumas chegam ao extremo de bater a própria cabeça na parede ou morder os pais. As crianças, nas suas espertezas e manipulações, apavoram os pais. O erro da maioria dos pais é o de se assustarem. Ao invés de mostrarem pavor, os pais devem enfrentar, com inteligência, a atitude inadequada dos filhos.
Crianças costumam ter ataques de fúria porque ainda não aprenderam a lidar com sentimentos de perda e frustração. São imaturas. A maturidade emocional, como é sabido, forma-se aos poucos, com o auxílio dos pais, dos professores e com os empurrões das próprias situações vividas. Crianças cujos pais fazem todas as vontades, atendendo frequentemente às suas solicitações, realizando seus desejos, acabam tendo mais dificuldade de lidar com o não. As crianças manipulam os pais, os avós, madrinhas e padrinhos, com suas birras, as quais ocorrem, com frequência, além-lar.

Pais confusos – A confusão dos pais é simplesmente isto: mistura mental entre o certo e o errado; perplexidade diante de um fato; ausência de distinção entre o desejo e a necessidade dos filhos. Lembrem: o desejo nutre o prazer; a necessidade supre a falta de algo indispensável.  As birras ocorrem com maior frequência em crianças privadas da satisfação dos desejos. Muitos pais são prisioneiros na cela do medo, na cela da cegueira, na cela do certo e do errado. Todos, no entanto, procuram uma luz que clareie suas atitudes e decisões em relação à educação dos filhos. Pais conscientes descobrem, pouco a pouco, o funcionamento emocional dos filhos. Há, evidentemente, crianças que acolhem bem as orientações claras dos pais, sobretudo quando falam calmos e firmes. A firmeza e a calma são importantes, pois serenam o espírito. Às vezes, a própria indiferença dos pais limita as birras, ou termina com elas. É necessário que os pais mantenham as crianças, na hora da fúria, distantes de objetos e móveis que as possam ferir.
Pais, dialoguem, expliquem as razões do não aos filhos. É imprescindível, aos pais, a manutenção do equilíbrio emocional, evitando gritos, tapas e atitudes bruscas, sentimentos de raiva ou de dó, para com a criança, lembrando-se, sempre, de que a agressividade alimenta a agressividade. Evitem sentimentos de peninha e excessos de carinhos. A criança percebe quando os pais se sentem culpados e estão inseguros. Mantenham-se, pai/mãe, tranquilos, e evitem dar ao fato mais evidência do que ele merece. Tratem seus filhos com naturalidade e equilíbrio. O excesso e o exagero prejudicam. Doçura demais ou de menos prejudica; brabeza demais ou de menos também atrapalha. Pais erram; filhos erram. Culpem-se menos, perdoem-se mais, pais e filhos. Cure as birras de gente pequena e de gente grande, Mãe do Céu. Amém!

*Cleusa e Alvício Thewes são casados há 28 anos e têm dois filhos. Ela é terapeuta familiar e especialista em orientação familiar. Ele, advogado e especialista em família.





Fonte: Familia Crista ed. 947
Postado por: Família Cristã




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