Centenário Paulinas

Data de publicação: 11/02/2015

O encontro entre um homem que, como nenhum outro, entendeu seu tempo, e uma mulher que disse “sim” ao seu mais audacioso projeto

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Religiosas, leigos consagrados e Cooperadores Paulinos dão vida à missão PaulinasPor Antonio Edson


Foi em Alba, no norte da Itália, entre 31 de dezembro de 1900 e 10 de janeiro de 1901 que o adolescente Tiago Alberione, de 16 anos, viveu uma extraordinária experiência mística. Na Catedral de Alba,fiéis rezavam por um novo século, e o jovem seminarista fazia o mesmo. Só que foi além: adentrou no que ele chamaria, anos depois, de Noite Luminosa. “Senti-me obrigado a fazer algo pelas pessoas do novo século”, escreveu em seus apontamentos. Formava-se ali, no rapaz, a intuição de fundar uma sociedade religiosa que tivesse a missão de pregar a Palavra de Deus com todos os meios de comunicação disponíveis, cujo inspirador seria o apóstolo Paulo.

Como em toda obra divina proposta aos homens, percalços precisaram ser vencidos, como a incompreensão de quem não enxergava na imprensa uma seara adequada para a Igreja e as próprias dificuldades naturais. Entre 1901 e 1902, por exemplo, Tiago necessitou sobrepujar problemas pessoais, como sua saúde precária, e familiares, como a morte do pai. Mas, finalmente, o jovem recebeu a batina em 1902, quando começou a cursar Teologia. A ordenação sacerdotal viria aos 23 anos, em 1907, na mesma Catedral de Alba. No ano seguinte, formou-se em Teologia no Colégio Santo Tomás de Aquino, em Gênova.


Casualidade – Com mais autonomia, começou a pôr em prática o projeto de Deus. Teve as primeiras experiências como membro da Comissão Diocesana da Boa Imprensa (1911), diretor da Gazzetta d’Alba (1913) e delegado da Obra Nacional da Boa Imprensa (1915). Lançou livros como A bem-aventurada Virgem das Graças em Cherasco (1912) e A mulher associada ao ministério do sacerdote (1915). Entre uma e outra publicação, em 1914, fundou uma congregação dedicada ao apostolado da imprensa: a Pia Sociedade de São Paulo, com irmãos e padres. Mas faltava algo para o visionário, que, como uma de suas obras antecipava, via as mulheres como protagonistas e não coadjuvantes.
Em 15 de junho de 1915, padre Tiago Alberione abriu o Laboratório Feminino, na Praça Cherasca, em Alba. Este ato marcou a data do nascimento das Filhas de São Paulo, Irmãs Paulinas. Ângela Boffi foi a primeira jovem a aderir a essa iniciativa.

Porém, a mulher que concretizaria seus objetivos veio ao mundo em 20 de fevereiro de 1894, em Castagnito d’Alba, vilarejo de Alba. Era Maria Teresa Merlo, que, desde menina, mostrava talento para a costura e desejava servir a Igreja. Sua saúde frágil, porém, a barrou em duas congregações. Mas Deus tem seu próprio tempo. Em uma manhã, o jovem padre Alberione encontrou-se casualmente com o seminarista Constâncio Leão, irmão de Teresa. E lançou-lhe um pedido. “Sua irmã é uma excelente costureira, e eu estou precisando de uma. Peça a sua mãe que a deixe vir”, disse.

No dia 27 de junho de 1915, Teresa encontrou-se com o padre Alberione em Alba, na sacristia da Igreja dos Santos Cosme e Damião. Recebeu o convite para participar da obra. A mãe, Vincenza Merlo, acompanhou a filha e ficou na igreja rezando durante a conversa dos dois. O padre teria dito à jovem que, a princípio, seu trabalho seria na costura, mas depois... “Viria uma Congregação de Irmãs que trabalharia pela boa imprensa.” Ao sair e avistar a mãe, a jovem foi breve: “Mãe, eu disse sim”. O ato marcou uma longa parceria entre o padre Alberione e Teresa.

O conteúdo do encontro chega até nós por meio de um relatório feito em 1923 pela própria Teresa: “Quando, na primeira vez que o vi, falou-me da nova instituição de filhas que, inicialmente, iriam trabalhar para os soldados (costurar os uniformes), eu mesma fiquei imediatamente entusiasmada”. O novo grupo surgiu sem nome, sem casa, sem ao menos que a Igreja se desse conta.

Em 1918, liderando um grupo de meninas, ela foi enviada à cidade de Susa, na província de Turim, onde o bispo, dom José Castelli, confiou às jovens a direção do jornal La Valsusa. A cidade entraria novamente na história das Irmãs Paulinas, pois foi ali que, em 1922, Alberione recebeu os votos religiosos de nove jovens que se comprometeram com o apostolado da boa imprensa. Na ocasião, Teresa recebeu o nome de Tecla, que, em grego, significa “Glória a Deus”, devido a uma inspiração de Alberione: Tecla era, também, o nome da primeira discípula de São Paulo. O desafio reservado à nova Tecla não seria menor: “A superiora-geral de vocês será a Mestra Tecla”, afirmou, na ocasião, Alberione.

É na cidade de Susa que o grupo de jovens ganha o nome de Filhas de São Paulo, isso devido a um quadro do apóstolo São Paulo que ficava em destaque na pequena comunidade onde as jovens viviam.


Venerável e Profeta – Em 1936, no navio Augustus, o desafio ganhou o mundo. “Glória a Deus” partiu de Gênova para visitar as comunidades do Brasil, Argentina e Estados Unidos. O trabalho da Primeira Mestra era intenso, renovador e contagiava suas seguidoras, que, muitas vezes, tentavam poupá-la de esforços devi¬do à sua frágil saúde. Mas irmã Tecla era um dínamo: um mês antes de ser acometida por um espasmo cerebral (junho de 1963), embarcou em uma missão para a África, no Congo Belga (atual República Democrática do Congo). Pouco depois, já de volta à Itália, ela faleceria em Albano, no Hospital Regina Apostolorum. Era 5 de fevereiro de 1964. Padre Alberione foi um dos primeiros a reconhecer suas virtudes heroicas, que, mais tarde, a Igreja confirmaria. Em 22 de janeiro de 1991, o papa João Paulo II a proclamaria Venerável.

Em 1971, padre Alberione também faleceria em 26 de novembro, aos 87 anos. Em 2003, o papa João Paulo II o declararia Bem-Aventurado. Para seus seguidores e seguidoras, é o Profeta das Comunicações. Nada mais próprio para quem foi o primeiro ser humano, na alvorada do século 20, a enxergar nos meios de comunicação social instrumentos evangelizadores, confirmando o conceito de que profeta não é quem antevê o futuro, mas entende melhor o presente no qual vive.

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Fonte: Familia Crista ed. 950
Postado por: Família Cristã




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