Dependência on-line

Data de publicação: 16/03/2015



   O vício em redes sociais e jogos on-line tem crescido entre crianças e adolescentes, mas simplesmente proibir o acesso pode não dar resultado


Lucca Marchon
                                          

Quem tem filhos pré-adolescentes sabe que uma das maiores batalhas dentro de casa é o uso do video game e a internet. Mas quem será que está exagerando? Os pais quando afirmam que o filho está viciado ou o filho que passa horas no computador e fala que é “normal”? Parece uma pergunta descabida, mas a verdade é que tanto os pais quanto os filhos deveriam pensar nesse questionamento.
Em um bate-papo entre pais e filhos com a psicóloga Rosely Sayão, das mães presentes, uma reclamou que o filho, com idade por volta dos 11 anos, passava horas jogando no computador e deixava de estudar. Ela estipulava horários, mas ele não obedecia.
O tal filho estava ao lado da mãe e pediu o microfone. Na frente de toda a plateia e com grande desenvoltura, ele fez todos darem gargalhadas, até mesmo a mãe, ao afirmar que não era verdade e que a mãe estava exagerando: “Só porque eu não estudo ou jogo no horário que ela falou, não significa que eu deixe de fazer essas coisas. Nunca tirei nota baixa, e eu não passo o dia todo na internet”. O problema é que o horário estipulado para diversão era o que ele queria estudar, e o motivo era pertinente: jogando com os amigos pela internet, aquele não era o horário que se reuniam. Rosely Sayão confirmou o óbvio: faltou à mãe conversar com o filho para que, juntos e de comum acordo, estipulassem os melhores horários para cada atividade. É nessas conversas que os pais conseguem perceber o mundo pela ótica dos filhos e podem educá-los de uma maneira mais assertiva.
Mas se há desconfiança de que a criança ou adolescente está exagerando, vale observar algumas dicas do site Dependência de Internet (www.dependenciadeinternet.com.br), mantido pelo Programa Ambulatorial Integrado dos Transtornos do Impulso (PRO-AMITI), do Hospital das Clínicas (HC). Atitudes como evitar sair de casa, pois ficará longe do computador, notas baixas, não ter motivação para fazer mais nada, negar fazer coisas que antes davam prazer, autoestima baixa, tornar-se uma criança caseira e solitária são pontos que devem ser levados em conta, e a indicação é que os pais observem e conversem com os filhos. Se o problema persistir, o melhor é procurar ajuda profissional.
Augusto Guerreiro Martins, 14 anos, preenchia alguns requisitos da lista, mas ele mesmo percebeu que exagerou no video game nas últimas férias e reconhece que estava ficando viciado: Meus amigos me chamavam pra descer (na área comum do condomínio), e eu recusava pra ficar jogando”. O jovem revela que ficava em média sete horas por dia no video game, jogando em horários espaçados, para o pai e a mãe não perceberem.

Organizar o tempo − Os pais e os responsáveis ficam preocupados, e é natural que fiquem, mas na maior parte das vezes os próprios jovens têm recursos para superar o problema. No caso do Augusto, as reclamações incessantes de que ele passava tempo demais jogando nunca surtiram efeito, mas as aulas e a necessidade de tirar boas notas o fizeram parar de jogar. Ou seja, foi apenas quando começou a realizar outras atividades que percebeu que os pais estavam certos, e ele estava, de fato, exagerando. Cristiano Nabuco de Abreu, psicólogo do PRO-AMITI, estima que 10% dos usuários de internet já tenham se tornado dependentes. E dessa parcela, a maior parte ainda é composta por adultos, mas o número de jovens e crianças tem aumentado. O motivo para isso é que normalmente os pais vigiam a criança, mas nem sempre existe alguém para monitorar o adulto. Por isso, é importante ter autocontrole, até para servir de exemplo aos filhos.
Jogos, e-mails, reuniões, agendas, pesquisas escolares, mensagens, pagar contas. Há uma infinidade de coisas que o smartphone e a internet possibilitaram, mas banir por completo esses meios pode não ser útil. Estipular horários e o tempo de cada atividade para as crianças e adolescentes, sempre com diálogo, é importante e, caso quebrem alguma regra combinada, estipular também o castigo. Nesses momentos, é preciso manter-se firme no combinado e no castigo, para que não fique a impressão de que “com jeitinho” o adolescente consiga escapar. E não adianta simplesmente tirar ou diminuir o tempo de diversão do filho nos jogos ou na internet sem dar outras atividades para ele fazer, especialmente nos fins de semana e férias. Se toda a família fica trancada em casa, cada um em seus afazeres, é de se imaginar que os filhos seguirão o exemplo. Ir ao cinema, ao parque, praticar esportes, viajar, são ótimas opções. E, se não existe a possibilidade de sair de casa (verba curta ou dias de chuva), baralho e jogos de tabuleiro são ótimos para os jovens conhecerem outras diversões e excelentes para a integração social.

O bom uso da internet:

• Lembre-se de que há muitas coisas para se fazer on-line: nem sempre seu(sua) filho(a) só joga. Pesquisas sobre um tema que o(a) agrade são benéficas, e isso pode tomar muito tempo.
• Ouça sempre seu(sua) filho(a) e procure saber do que ele(a) gosta na internet e os sites que frequenta. O tempo excessivo no jogo pode ser uma forma de fuga por causa de problemas pelos quais ele(a) esteja passando.
• Seja coerente: não adianta reclamar do tempo excessivo do(a) filho(a) se os pais consultam as redes sociais na mesa durante o jantar, por exemplo.
• É sinal de atenção se seu(sua) filho(a) começar a substituir, por um longo período, outras atividades que gosta por uma só. E isso não vale apenas para o computador.
• Se a criança ou adolescente abusa do tempo on-line, chame atenção, mas incentive a prática de outras atividades.
• Pode valer a pena investir em programas de computador que monitoram o usuário na internet, cortando o acesso depois de um tempo determinado pelos pais. Utilize em último caso, pois o ideal é que a própria criança exerça seu autocontrole.
• Se seu(sua) filho(a) desobedecer ao combinado, não amoleça na hora do castigo, que pode ter sido estipulado em conjunto com ele(a) antes.
(Fonte: PRO-AMITI)





Fonte: FC ediçao 949-JAN 2015
Postado por: Família Cristã




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