Mexa-se contra a incontinência

Data de publicação: 26/03/2015

A incontinência urinária atinge 10% da população mundial; saiba como preveni-la e combatê-la com exercícios físicos

Karla Maria
Ilustração: Rebeca Venturini


Você está caminhando pela rua e de repente precisa apertar o passo à procura de um banheiro. Você está em uma roda de amigos ouvindo piadas e uma delas é tão boa que você solta aquela risada que não sai sozinha. Você pega um objeto pesado e logo começa o constrangimento: a roupa molhada da urina que escapou sem o seu controle. Se você se identificou com alguma dessas cenas, saiba que você não está sozinho(a), pelo contrário.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que 10% da população mundial apresenta algum tipo e grau de incontinência urinária. No Brasil, estima-se que são 15 milhões de pessoas com essa disfunção, sendo 9% mulheres e 4,5% homens.
De modo geral e popular, a incontinência é vista como um problema que afeta mulheres mais velhas, embora existam evidências de que durante atividades físicas estressantes seja comum entre mulheres jovens, fisicamente ativas, a presença da incontinência, e é fácil entender o motivo, quando observamos as causas e o tipo de incontinência.
Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, as causas da incontinência podem ser genéticas, hormonais, por envelhecimento, tabagismo, bexiga hipe- rativa, lesões medulares ou doenças do sistema nervoso, já que ela está dividida em três tipos: incontinência urinária de esforço, de urgência e mista.
A incontinência por esforço é aquela em que há perda de urina ao tossir, rir, fazer exercícios. A de urgência é quando há súbita vontade de urinar e a pessoa não consegue chegar a tempo ao ba- nheiro e a mista é quando há associação dos dois tipos anteriores.
Na incontinência urinária de urgência, o mecanismo neurológico de controle da sensação da bexiga cheia não funciona, como nos bebês. “Neles, por exemplo, isso é automático, encheu a bexiga, os receptores dela captam o volume cheio e liberam (a urina). Isto é um controle reflexo, nevrálgico, neurológico. A incontinência urinária de emergência acontece quando há uma atividade anormal desse mecanismo. A bexiga enche, você não tem o controle voluntário deste músculo e ele simplesmente expulsa”, explica a fisioterapeuta e especialista osteopata Ana Paula Cochar.
Pessoas, portanto, que tenham sofrido um acidente com lesão medular, que apresentam alguma alteração de coluna, da parte que faz a enervação da bexiga ou qualquer problema de coluna, tipo hérnia de disco, lesão medular, vão ter uma alteração de bexiga, e assim uma incontinência urinária associada.
Já a incontinência por esforço – o principal tipo de incontinência entre as mulheres – acontece por uma debilidade muscular. “A bexiga enche, o esfíncter é débil, fraco, impotente, e simplesmente a urina sai. Este caso é muscular, ou seja, a incontinência urinária de esforço acontece por uma debilidade muscular”, aponta Ana.
Nos casos em que tanto a questão muscular quanto o mecanismo neurológico estão débeis, aí se apresenta a incontinência urinária mista.


Raio X da população brasileira –
Entre as mulheres que possuem incontinência urinária, 50% são por esforço, por fraqueza muscular; 29% têm incontinência mista e 22% têm de urgência, por alguma disfunção neurológica. Já entre os homens, o cenário se inverte: 73% têm incontinência de emergência por disfunção neurológica; 19% mista e apenas 8% por esforço.
“E aí a gente começa a entender por que a debilidade muscular é tão alta entre as mulheres. Falta exercício. Os exercícios de fortalecimento do assoalho pélvico envolvem diretamente o ânus e a vagina, partes do corpo que na mulher são deixadas culturalmente de lado, escondidas”, diz a fisioterapeuta lembrando que a falta de exercícios de modo geral e específicos leva à maior incidência de incontinência.
Relatórios do Ministério da Saúde apontam que 35% das mulheres, após a menopausa, sofrem de incontinência urinária ao fazer algum esforço, e 40% das mulheres gestantes vão apresentar um ou mais episódios de incontinência urinária durante a gestação ou logo após o parto.
Já entre os homens, a especialista lembra que há evolução de incontinência urinária após a extração da próstata (prostatectomia radical). Cerca de 5% dos submetidos a essa cirurgia apresentam o problema. Segundo estudo do urologista Cristiano Mendes Gomes, realizado no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), 96% dos pacientes que fizeram fisioterapia como tratamento pós-cirúrgico adquiriram, após 12 meses, a continência e aceleraram sua recuperação. Os exercícios de contração da musculatura do assoalho pélvico podem ajudar a reduzir ou até a curar a perda involuntária de urina.
O tratamento fisioterápico, segundo Cristiano e Ana, tem grande importância na reabilitação do assoalho pélvico. O primeiro passo para o tratamento é buscar um médico urologista, ginecologista ou obstetra que vai identificar o tipo de incontinência e dar ferramentas, informações para o trabalho do fisioterapeuta.
“É fundamental que as pessoas procurem ajuda logo que percebam que a incontinência está aparecendo. Os homens são mais práticos e a tratam com mais facilidade, já as mulheres escondem e maquiam o problema com absorventes diários”, revela Ana, com base em experiências no seu consultório.
Este é o caso da paulistana Maria (nome fictício). Aos 51 anos, mãe de três filhos, ela revela o incômodo de sua disfunção. “É uma situação muito desagradável e limitante. Às vezes penso se devo ou não sair de casa”, explica a autônoma, que sempre leva uma muda de roupa consigo.
Mas Maria não está sozinha. Outra pesquisa, realizada na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM/Unicamp) com 164 mulheres com queixa de incontinência urinária, internadas em clínicas de ginecologia e urologia de dois hospitais-escola da cidade de Campinas (SP), com idades entre 25 e 85 anos, mostrou alterações em seu cotidiano (64%), dificuldades nas relações sexuais (40,9%), sociais (33,5%), domésticas (18,9%) e ocupacionais (15,2%).
“Seu efeito psicossocial (da incontinência urinária) pode ser mais devastador do que as consequências sobre a saúde, com múltiplos e abrangentes efeitos que influenciam as atividades diárias, a interação social e a autopercepção do estado de saúde”, aponta o estudo das pesquisadoras Maria Helena Baena de Moraes Lopes e Rosângela Higa.
“Observou-se que a incontinência urinária provoca sentimentos de baixa autoestima na mulher e interfere na sua vida sexual, restringe o contato social, interfere nas tarefas domésticas e no trabalho. Além disso, acarreta problemas econômicos devido a gastos com absorventes e, por vezes, ao impedir ou dificultar o trabalho remunerado fora de casa”, concluíram.

Previna-se

É possível prevenir a incontinência com a realização de exercícios físicos para o fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico. A seguir alguns exercícios para você fazer em casa.




Orientações


√ Faça 10 repetições de 10 segundos em cada movimento.
√ Realize os exercícios pelo menos três vezes por semana.
√ É importante realizar o movimento com consciência.

 Outras dicas

√ Pratique exercícios físicos com regularidade.
√ Suba e desça escadas.
√ Retenha a urina de vez em quando.
√ A dança do ventre é uma dica boa.






Fonte: FC ediçao 950-FEV 2015
Postado por: Família Cristã




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