Renovar a vida

Data de publicação: 02/04/2015

O existir pede-nos constantemente razões para viver cada dia renovando o sentido da vida e encarando as varias facetas que surgem no cotidiano da existência

Cleusa e Alvício Thewes *

Laura, 64 anos – Há três anos, perdeu o único filho. Em seu coração, fizeram morada a saudade e o luto. Na lembrança, o sorriso largo do filho amado. Recorda dele bem alegre. Laurinha, como é carinhosamente chamada pelos mais íntimos, receptiva à alegria da alma do filho, retoma a vida.
Laurinha sempre gostou de cantoria e decidiu tirar do canto da sala o violão empoeirado. Liberando sua voz reprimida, entoa lindas canções. Dedilhando o violão, canta enviando aos corações dos anjos e da  humanidade  as preces sonoras do dó, ré, mi do amor, da alegria.
Laurinha compreendeu que a vida continua, lá e cá, e que a música prece é inspiração do céu que eleva a alma e o espírito e destina-se a curar a todos, encarnados e desencantados.

Nívia, 63 anos – Cresceu ouvindo a mãe cantar ao piano: - “Graças dou por esta vida...”. As melodias cantadas pela mãe fizeram morada no coração e na vida de Nívia. Aos sete anos, mesmo tímida e envergonhada, atravessava a cidade com um pequeno violino na mão. Na adolescência, dedilhava o violão, teclava o piano e cantava. Mas Nívia cresceu e assumiu as responsabilidades da vida adulta.  O violino e o violão silenciaram; o piano calou tristonho.
As dores e as perdas pautaram a escala de vida da Nívia e abafaram as canções, durante um ciclo de tristezas, em que perdeu pais e irmãos.
Quando os filhos chegaram, ela se realizou na maternidade, entoando a canção do cuidado. Hoje, amadurecida, ela desperta um sonho adormecido há tantos anos: tocar violão e cantar. Faz o violão chorar e libera a voz doce e angelical que Deus lhe deu. A alegria lhe invade o coração e seus olhos brilham. E a gaita, próximo instrumento que pretende aprender a tocar, está na fila de espera.
Nívia ficou tão contente ao resgatar seu sonho de adolescente que reuniu as amigas e criou uma banda.  Unidas, elas  espalham sons de alegria mundo a fora.

Razões para viver − Um novo ano está chegando e com ele a expectativa de que a vida siga em frente. O desafio, em cada início de ano, é este: transformar a vida numa razão de viver.
Qual a razão que o Pai teve para nos gratificar com a vida? Ele nos deu vida por amor a nós e nela colocou imensas possibilidades de crescimento espiritual, de aprendizado e realização. A vida é para ser vivida numa escala rítmica crescente.
Estamos aqui para aprender, para evoluir. Jamais devemos estagnar. O que seria de nós, aqui embaixo, se não fizéssemos nada? Se não aprendêssemos nada? Que tal olhar a vida com o olhar  extasiado das crianças diante de brinquedos desejados? Vamos brincar de viver, tais quais crianças brincam de brincar.

Viver com sentido − Buscar um sentido para a vida é comprometer-se com a existência recebida. Ressignificar e cuidar da vida é escolha inerente ao bem viver. Recordemos a parábola da vinha: Pela manhã, o Senhor deu tarefas para cada operário e à tarde retornou para recolher os frutos do dia. Alguns os haviam multiplicados e outros, apenas conservados. Aqueles estavam no caminho da evolução e estes no da estagnação. Nesta parábola o Mestre revelou um dos princípios da vida: Acolher e multiplicar os dons recebidos.
A vida, para todos, é um privilégio e uma oportunidade de frutificar. Em outro princípio da vida, o Mestre diz: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”. Sinalizando que devemos viver na e para a fraternidade, Ele quer que nos  entrelacemos  na rede do amor .
O terapeuta do amor nos deixa mais um princípio: “Quem for inocente, atire a primeira pedra”. As orientações Dele tem uma diretriz clara, devemos praticar o perdão e nos abster de julgamentos.  E o Mestre ainda alerta: “Marta, muitas coisas te ocupam. Tua irmã Maria escolheu a melhor parte”.
Viver com sentido é pautar a vida na contemplação, no silêncio e na comunhão com o Pai. Jesus é a fonte e o sentido do Bem Viver: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”.

Amar em vozes − Independente da idade, sempre é tempo de ressignificar a vida. Mudanças e desafios potencializam os dons e a dinâmica do bom viver. A cada um cabe a sua tarefa na vinha da vida.
Laurinha e Nívia buscaram nova razão de existir. Tocam, cantam e encantam. Transformaram suas vidas em pautas musicais. Elas têm tristezas? Sim! Mas o velho ditado diz: - Quem canta seus males espanta...
E o Mestre sugere: “Olhai as aves do céu... Olhai os lírios do campo”.
 Estas duas mulheres se entregaram quais aves e lírios do campo, acolheram o dom e agora espalham vozes e sons como sementes de saúde e alegria. Novo ano, novas pautas de vida e novas razoes de existir.
Oh Maria, conduza-nos ao Mestre da Vida.
  Amém!





Fonte: FC ediçao 949-Jan 2015
Postado por: Família Cristã




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