A guerreira munduruku

Data de publicação: 15/04/2015

Felício Pontes Jr. *

Uma jovem, chefe dos guerreiros Munduruku, Maria Leusa Kaba Munduruku, luta pela defesa do território de seu povo contra a construção da Hidrelétrica São Luiz do Tapajós, no Pará

O governo planeja a construção de 12 hidrelétricas na Bacia dos rios Teles Pires/Tapajós (MT/PA). Três já estão em execução: São Manoel, Colíder e Teles Pires. Porém, a maior delas, São Luiz do Tapajós, encontra forte resistência dos indígenas por destruição de seu território. Isso se deve muito a uma jovem, chefe dos guerreiros Munduruku, cujo nome em português é Maria Leusa Kaba Munduruku.
Até 2013, ela era a vice-presidente da Associação Pussuru. Quando percebeu que o destino de seu povo seria o mesmo dos povos indígenas do Xingu que estão próximos da Usina Belo Monte, Maria Leusa, mesmo estando grávida, juntou os guerreiros para fazer a maior ocupação do canteiro daquela hidrelétrica, e chamou a atenção para as barragens no Tapajós.
Por um golpe dos “brancos” que se dizem “amigos” dos indígenas, a jovem foi retirada da diretoria da Associação Pusuru. Não se intimidou. Criou o Movimento Iperêg Ayû e colocou a seu lado a maioria dos caciques Munduruku, cuja população soma mais de 13 mil indígenas.
Uma das terras indígenas de seu povo ainda não está demarcada. Trata-se de Sawré Maybu. É considerada terra sagrada (Daje Kapap’ Eipi), local onde nasceu o primeiro Munduruku (Karosakaybu), os animais e o Rio Tapajós. Se houver comparação com nossa civilização, pode ser chamada de uma “Jerusalém Munduruku”.

A luta pelo povo − O processo de demarcação parou quando o governo percebeu que a terra será inundada com a construção da Usina Hidrelétrica São Luiz do Tapajós. É que a Constituição Federal proíbe a remoção forçada de povos indígenas, o que, na prática, inviabiliza a obra. E o momento de o governo admitir uma área como Terra Indígena (TI) se dá com a publicação do Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação, já pronto deste 2013, e não publicado, sem qualquer explicação. O relatório conclui que “o reconhecimento da TI Sawré Maybu, por parte do Estado, é imprescindível para conferir segurança jurídica aos indígenas e garantir que seus direitos sejam plenamente respeitados”.
O Ministério Público Federal ingressou com uma ação na Justiça para obrigar o governo a publicar o relatório, que aguarda julgamento.
Porém, Maria Leusa não esperou pelo governo, nem pela Justiça. Convocou os guerreiros, entrou na mata fechada, dando de mamar para sua filha, e partiu para fazer a primeira “autodemarcação de terra indígena no Brasil”, enfrentando madeireiros e garimpeiros que cobiçam a área.
Sua luta merece ser conhecida em qualquer comemoração do Dia Internacional da Mulher.






Fonte: FC ediçao 951-MAR 2015
Postado por: Família Cristã




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