Espelho, espelho meu...

Data de publicação: 05/05/2015

Maria Helena Brito Izzo*   

Comparar-se com o outro não é algo necessariamente ruim, desde que saibamos tirar um proveito positivo disso

Não costumo começar minhas reflexões com estatísticas, mas essa vem a calhar: a população de seres humanos do planeta Terra é de aproximadamente 7,16 bilhões de pessoas, e uma previsão da Organização das Nações Unidas (ONU) é que de chegaremos a 11 bilhões em 2100. O que isso tem a ver com o que vou dizer? Tudo! Você já reparou como, apesar de termos tanta gente no planeta, nenhuma pessoa é igual à outra? Mesmo aqueles gêmeos univitelinos, cujos alguns pais fazem questão de vestir com roupas iguais para ficarem mais idênticos, cedo ou tarde apresentarão lá suas diferenças. Quando não físicas, psicológicas e de temperamento. Isso leva os seres humanos a terem um hábito inevitável: se somos todos semelhantes, mas de alguma forma diferentes, quem nunca se comparou ao outro? Se fôssemos todos rigorosamente iguais em tudo, não haveria como fazer isso. Mas como, feliz ou infelizmente, não somos, temos, alguns mais e outros menos, o hábito da comparação. “Fulano é mais assim do que eu, e sicrana é menos assada do que aquela outra.”
Em nossas vidas privadas, às vezes nos comparamos com quem não teve as mesmas chances que nós – para nos confortarmos com nossa situação ou pensar nas injustiças da humanidade – ou com quem teve mais oportunidades do que nós, e as soube aproveitar melhor – para nos conscientizarmos de que não somos, como se diz, popularmente, o rei ou a rainha da cocada preta e temos muito ainda a aprender e evoluir. E, em alguns casos, também para nos colocarmos no papel de vítima ou de injustiçado, e culpar Deus ou a má sorte que tivemos na vida. E é aí que eu queria chegar. Comparar-se com o outro não é algo necessariamente ruim, desde que saibamos tirar um proveito positivo disso: saber, por exemplo, que ainda temos muito a fazer para reduzir as desigualdades do mundo que prejudicam aqueles mais marginalizados pela sociedade. Ou, então, termos a consciência de que, no plano individual, podemos lutar contra as nossas limitações para sermos um pouco melhores. Como seres humanos falíveis que somos, precisamos sempre travar uma luta interna para termos a humildade de saber que podemos melhorar. Por exemplo: sermos mais compreensivos, mais equilibrados, mais justos, mais piedosos.

Inveja – Se nos compararmos com as pessoas certas e de um modo positivo – sem inveja ou utilizar de autopiedade, nos colocando no papel de vítimas – descobriremos um mundo cheio de seres humanos que servem como bons exemplos, aos quais podemos mirar e projetar como modelo. Por isso, digo que só vale a pena a gente se comparar com o outro se podemos extrair algo de bom nisso, como contribuir para construir um mundo menos desigual e mais justo. Estou falando alguma utopia? Acredito que não. Vale sempre a pena lutar contra as nossas limitações e por um mundo melhor, porque essa é uma luta que nunca, jamais, perderemos. No mínimo, vamos ganhar experiência de vida. Nessas horas, costumo me lembrar de um pensamento do saudoso Henfil (Henrique Filho), aquele cartunista dos anos 1970, irmão do sociólogo Betinho (Herbert de Souza), criador do Programa Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida. “Se não houve frutos, valeu a beleza das flores. Se não houve flores, valeu a sombra das folhas. Se não houve folhas, valeu a intenção da semente.” Como seu irmão, Henfil era hemofílico e morreu de Aids. Não consta que eles tenham se posicionado como injustiçados, mas como lutadores por um mundo melhor. Que tal nos compararmos a eles e tirarmos uma boa lição disso?




Fonte: FC ediçao 952-ABRIL- 2015
Postado por: Família Cristã




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