Educar a criança na fé

Data de publicação: 19/05/2015

Nathan Xavier

Os pais devem educar as crianças nas crenças da família, pois a fé é importante para o indivíduo, até como expressão da cultura e valores



Muitos pais ficam na dúvida se educam os filhos em sua própria fé ou se esperam eles crescerem para fazer as próprias escolhas. Mas será que isso é bom? Há alguns que, por exemplo, não batizam os filhos quando bebê, para deixar que a própria criança decida o que fazer depois que tiver a capacidade para isso. Porém, Teresa Messeder Andion, psicopedagoga clínica e uma das diretoras da Associação Brasileira de Psicopedagogia, diz que não faz sentido, se os pais professam uma religião, não ensiná-la aos filhos. Ela afirma que é dever dos pais educar e orientá-los para que tenham uma vida saudável em todos os níveis: físico, afetivo, moral e também religioso. “A família é a base de tudo na vida.”
Teresa Andion explica que a psicopedagogia trabalha hoje com configurações familiares diferentes, não necessariamente compostas por pai, mãe e filhos, mas “é preciso que esse núcleo familiar seja estruturado, com respeito e de bases sólidas. A educação ‘de casa’ é a construção do sujeito para a vida toda. A criança constrói conhecimento na escola, mas a tarefa de educação é da família”.
O Catecismo da Igreja Católica orienta na mesma direção da especialista e é enfático em destacar que os pais são os primeiros educadores da criança em todos os aspectos. O documento ressalta “em primeiro lugar” a responsabilidade dos pais “pela criação de um lar no qual a ternura, o perdão, o respeito, a fidelidade e o serviço desinteressado são a regra”, antes mesmo da religião. Somente alguns parágrafos adiante é que o Catecismo fala sobre a educação na fé, no entanto, sem menosprezar sua importância: “Os pais têm a missão de ensinar os filhos a orar e a descobrir sua vocação de filhos de Deus”.

Educar na fé − Teresa Andion ressalta que a fé é importante para o indivíduo, até como expressão da cultura, e os pais devem educar as crianças nas crenças da família. “Eu penso no sujeito como um triângulo: físico, material e também espiritual. Nesse contexto as escolas confessionais ajudam bastante”, define a psicopedagoga. A especialista acredita que colégios que possuam ensino religioso ou escolas confessionais, seja de que religião for, fornecem uma preparação melhor que outros: “Acho muito importante, mas isso não isenta a família de dar a formação religiosa necessária para aquela criança”. Ela explica que se, mais tarde, o adolescente quiser mudar de religião (ou não tiver nenhuma), ele terá mais base para fazer essa opção com mais consciência do que se não tivesse sido apresentado a nenhuma. Nesse momento, a família também deve dar o suporte necessário, sempre com muito diálogo, entendendo a escolha, sem necessidade de entrar em conflito direto com a nova crença do filho.
Para os cristãos, o batismo tem um valor grande, que excede uma compreensão material das coisas. Porém, caso a família não tenha nenhuma religião, de fato, há pouco sentido em se batizar ou iniciar a criança em alguma fé, já que para os próprios pais o batizado ou uma religião específica não faz sentido algum. Teresa afirma que, nesse caso, “é preciso ter um diálogo com a criança, depois que ela ficar um pouco maior, sobre a escolha da família, os motivos dessa opção”. Por isso, a psicopedagoga ressalta que a escolha de uma escola que tenha a mesma filosofia dos pais é importante, para que um não entre em choque com o outro. “Os pais precisam saber como o colégio funciona, no que acreditam, se existe ensino religioso ou não, para que não aconteçam atritos entre o que a escola ensina e no que os pais acreditam.”
O escritor, filósofo e poeta Gilbert K. Chesterton, ao tomar conhecimento de pais que não queriam ensinar nenhuma religião aos filhos, com receio de influenciá-los, afirmava que “a responsabilidade de encaminhar a infância pertence ao adulto, pela relação existente entre este e a criança, completamente aparte das relações de religião e irreligião”. E, do seu jeito irônico, completava que, se quisessem que os filhos não tivessem nenhuma influência religiosa, os pais deveriam “isolar o filho em uma ilha deserta e ali educá-lo”. E continua: “Se a criança, quando for maior, pode preferir outro credo, é igualmente certo que pode preferir outra cultura”. E finaliza: “Mas, evidentemente, alguém teve que educá-la para chegar a esse estado de lamentar tal ou qual coisa; e a responsabilidade mais grave de todas é talvez a de não guiar a criança a nenhum fim”.




Fonte: FC ediçao 951-MAR 2015
Postado por: Família Cristã




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