Fé na vida

Data de publicação: 27/05/2015

Joana e Marcelo viveram a grande alegria da descoberta da gravidez, mas aos cinco meses de gestação descobriram que o bebê tinha acrania, uma má formação letal que consiste na ausência dos ossos planos do crânio

Por
Karla Maria

A jornalista gaúcha Joana Schmitz Croxato descobriu aos 27 anos, em 2009, que estava grávida de Vitória. A alegria foi imensa. O casamento com Marcelo Almeida Croxato, 30 anos, já chegava aos cinco anos e o sonho de aumentar a família era grande. Aos cinco meses de gestação o diagnóstico chegou: o bebê estava com má formação: acrania, uma anomalia fetal caracterizada pela ausência parcial ou total dos ossos do crânio. “Era uma situação muito difícil, em que você espera um bebê que a medicina diz que vai morrer. Então, a gente pensou: não importa, vamos esperar nossa filha em Cristo”, disse na ocasião.
E assim, Marcelo e Joana mantiveram a gestação de Vitória (Joana com a Vitoria nos braços), mesmo contra o conselho de médicos especialistas que alertavam sobre o risco pelo qual Joana passava e de que o bebê poderia viver, se vivesse, apenas algumas horas. Contrariando as dificuldades, a família seguiu superando obstáculos. “Ainda desempregado, compramos tudo, o último item foi uma escova de cabelo e para uma pessoa que ia nascer sem a parte do couro cabeludo”, lembrou Marcelo.
Vitória nasceu no dia 13 de janeiro de 2010. Tinha 38 centímetros e 1 quilo e 785 gramas, o tamanho de um bebê prematuro. Ficou cinco meses internada na Unidade de Terapia Intensiva. Diária e intensamente, recebia o cuidado dos pais, já que, segundo os médicos, a qualquer momento poderia falecer. “Ter a oportunidade de cuidar dela naquele momento foi maravilhoso”, revelou Joana.
Com duas semanas de vida, pegou uma infecção grave, tinha dificuldades respiratórias. “Por 16 dias os médicos nem a examinavam, pareciam até esperar a morte, até que um dia uma médica examinou com mais atenção, pediu hemograma, e viu-se que ela estava com infecção e anemia, deram antibiótico, fizeram transfusão de sangue e ela ficou super bem”, conta Joana. Aos dois meses, Vitória começou a mamar no seio da mãe, e aos quatro fez uma ressonância magnética que tentou descrever sua condição como anencefalia incompleta − presença de tronco cerebral, cerebelo e diencéfalo, porém ausência de parênquima cerebral (córtex) −, o que caracterizaria a anencefalia.
Vitória viveu por dois anos e meio, a despeito de todas as previsões médicas. Foi amada, muito. “Com a Vitória tivemos um amadurecimento maior. Preparou-nos para lidar com situações difíceis, de gratidão. Preparou-me muito para ser a mãe dela”.  A pequena faleceu no dia 17 de julho de 2012.
Dois anos depois, na mesma data, Joana já passeava no parquinho de seu condomínio com Benjamim (Joana com o pequeno Benjamim), seu caçula, no colo. “Vivemos um ano de luto e quando eu soube da gestação do Benjamim, foi uma alegria, uma emoção diferente. Pedi muito para que Deus abençoasse e tivesse misericórdia. Que abençoasse a formação do bebê”, conta Joana, lembrando-se da expectativa na espera do exame morfológico e do ultrassom e o alívio na hora da notícia.
“Muito simpática, a médica falou: ‘Mãe, fica tranquila, não tem acrania e está tudo bem’. Ele estava serelepe, mexia bastante. Lembro que eu saí do ultrassom, fui ao banheiro e chorei muito, de alegria. Mas nesta gestação eu meio que revivi tudo o que vivi com ela. Lembro que eu sonhei muito que eu tivesse essa notícia com ele também”, conta Joana, com um Benjamim com seu primeiro dentinho no colo.


O casal Joana e Marcelo montaram um painel com fotos de seus filhos Vitória e Benjamim e clocaram em lugar de destaque na sala de casa




Fonte: Familia Crista ed. 948 dezembro de 2014
Postado por: Família Cristã




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