O fogo que arde sem se ver

Data de publicação: 30/06/2015

Depois da chegada do bebê o casal que se ama verdadeiramente não pode deixar apagar aquela velha chama

Por Antonio Edson

A chegada do primeiro bebê para um jovem casal não significa passam a constituir, oficialmente, apenas uma família nuclear. O que, convenhamos, não já não é pouco. Pois isso implica numa série de novas relações e a responsabilidade das novas atribuições. Afinal, em um ninho onde conviviam dois seres chegou um terceiro, normalmente desejado e até planejado, e que requer cuidado. Para não dizer amor. E, por outro lado, uma redistribuição de sentimentos, já não há hegemonia das atenções entre o casal amado. Desafiador? Talvez, mas um desafio doce que muitos que não a têm gostariam de experimentar. Nada que nossos avós e pais não tenham vivido, sobrevivido e até relembrem com saudade.
“O importante é que, nos casais que ganharam o bebê, nenhum se esqueça do outro. Devem compreender, mutuamente, que agora eles têm alguém em comum para cuidar, mas isso não pode justificar que a mulher negligencie o marido, nem o contrário”, aconselha a psicóloga, terapeuta de casais e sexóloga Débora Freschi. Em resumo, um bebê não deve servir para distanciar um casal, mas uni-los. Ainda que, do ponto de vista sexual, principalmente para o casal sem planos de uma imediata nova gravidez, é bom se acautelar. É o período que os antigos chamavam de resguardo ou dieta. “O risco de uma nova gravidez é muito grande e fomos orientados pelo ginecologista a nos precaver ao máximo. Depois de 30 dias, no entanto, estávamos liberados”, relata Alana Bardon, de 27 anos, consultora de Recursos Humanos, casada há quatro anos com o empresário Juliano César de Assis, 29 anos, e que são pais de Maria Valentina Baldon de Assis de 4 meses. “Foi tudo muito tranquilo, o que nos anima a termos, no futuro, outros dois filhos. Por sermos de famílias grandes, queremos construir uma”, entusiasma-se o pai.

O amor stergos –
A própria natureza tem meios de ajudar os casais sem planos de uma nova gravidez imediata. Isso porque, durante a lactação ou amamentação do bebê, a libido, ou desejo sexual, da mulher pode ficar menor em função da produção de um hormônio chamado prolactina. Se, por um lado, ele estimula a produção de leite para o bebê, pelas glândulas mamárias, por outro inibe sua ovulação e faz a mulher desejar sexualmente menos o marido. É óbvio que tal contingência biológica não precisa implicar necessariamente em uma falta de carinho íntimo. Para reacender a velha chama a criatividade e a fantasia estão liberadas. “Beije, abrace, troque carinho, coloque uma música ao fundo. Veja quais cremes de massagem você pode usar, porque está amamentando, e aproveite. Se a dificuldade persistir, converse com o ginecologista. Ele pode pedir exames para ver se houve alguma mudança na produção de hormônios”, orienta o ginecologista e obstetra Nicolau D´Anico, do Hospital Samaritano de São Paulo (SP).
Alana garante que o amor e a atração por Rodolfo não mudaram em nada, mas a nova situação de mãe requer uma versatilidade, ou uma capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo, que só as mulheres parecem possuir, por mais que os homens tentem. E ela está aprendendo... “Para a mulher não é fácil viver o dia todo como ‘mãe’ e a noite virar a chave para ser ‘esposa’, no sentido sexual. São mundos diferentes e que leva um tempo para encontrarem um equilíbrio”, diz. Segundo ela, a relação o casal não esfria, mas dá lugar a uma nova relação-família. “O amor eros, romântico ou erótico, cede temporariamente seu espaço ao amor stergos”, explica. Esse termo grego serve de sinônimo para o verbo amar e foi colocado de forma mais do que apropriada pela jovem, pois indica aquele amor familiar que brota naturalmente dos laços de parentesco, como está uma carta de São Paulo aos Romanos (Rom 12,10). “Tenham uma caridade sem fingimento: amem-se cordialmente (stergo) uns aos outros”.

Na cama, só dois – O curioso é que do ponto de vista masculino a atração pela mulher tende a aumentar após o parto. Ou, pelo menos, à medida que o corpo da companheira vai retomando as formas originais – nem poderia ser diferente uma vez que foi por aquela mulher que ele, um dia, se apaixonou. “Ele vê sua esposa voltando à forma normal, sem o barrigão e a aquela aura maternal”, responde Juliano. Para a psicóloga, terapeuta e sexóloga Débora Freschi é assim mesmo que deve ser: a natureza humana seguindo seu caminho. “À mulher cabe nunca se esquecer de seduzir seu marido e este deve aprender, se é que já não sabe, a se apaixonar pela mesma mulher todos os dias de sua vida. Com o tempo, o bebê, terá o seu próprio espaço. Uma dica? É fundamental, por exemplo, que ele durma em seu berço e só em casos raríssimos fique na cama do casal, junto aos pais, que devem encontrar o equilíbrio entre os cuidados com a criança e própria intimidade. Eles são tão pai e mãe quanto marido e mulher.”




Fonte: Edição 943, julho de 2014
Postado por: Família Cristã




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