Educar sem violência

Data de publicação: 30/06/2015

A difícil tarefa de educar os pequenos sem apelar para a violência, pois atitudes ameaçadoras causam nos filhos comportamentos conflitantes gerados por insegurança e transmitidos pelos pais

Por Karla Maria

Seu pequeno chora quando você diz não na loja de brinquedos. Chora porque não quer comer, ir à escola ou por se negar a dar um beijo naquela tia distante. E você, além de morrer de vergonha pela birra, sem paciência, lança mão do chinelo e resolve o assunto com palmadas, castigos e gritos.
É diante deste cenário, do desafio de impor limites às crianças, que a presidente Dilma Rousseff sancionou a Lei Menino Bernardo, mais conhecida como Lei da Palmada, que altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e estabelece normas mais rígidas para a educação das crianças e adolescentes.
Agora, pais, avós e cuidadores, sejam agentes públicos ou privados, serão denunciados pelos conselhos tutelares locais e encaminhados a programas de apoio psicológico ou psiquiátrico. Poderão ainda receber advertência caso seja constatado abuso nos castigos que degradem ou humilhem a criança.
Para a pedagoga e psicopedagoga, com pós-graduação em educação especial, Thaís Rufatto dos Santos, a família brasileira encontra-se confusa diante da Lei da Palmada, uma vez que é comum os pais repetirem nos filhos a mesma educação que receberam de seus pais ao longo de sua infância e adolescência. “Educar um filho nos dias de hoje, com a correria presente, faz com que os pais se questionem sobre a maneira correta que deve ser realizada essa desafiadora tarefa”, avalia.
Na casa da recepcionista Priscila Pina Aguiar e o marido, o analista de qualidade Marcos Roberto, a palmada tem sim seu lugar na educação de Maria Eduarda, 11 anos, e Marcos Roberto Junior, 8, o casal opta pelo diálogo, mas confessa já ter usado da palmada nas crianças.
“Já bati sim, porém sempre expliquei o porquê da palmada. Hoje não mais, porque com um simples olhar eles já entendem o que estou querendo dizer. Converso muito com eles quando agem de maneira errada e sempre procuro dizer que estou corrigindo para o bem deles”, conta Priscila.
Para a psicopedagoga, é importante repreender os filhos. “A falta de limite e o mimo geram, no futuro, adultos que não sabem lidar com as contrariedades e frustrações da vida. Esse limite vem com o diálogo. Palmadas e gritos não corrigem uma criança e muito menos a educam. A atitude agressiva demonstrada em casa não gera exemplo de amor ao próximo”, ensina Thaís dos Santos, que defende o diálogo como o melhor amigo do relacionamento entre pais e filhos.
Na avaliação da psicóloga clínica e especialista em terapia comportamental Letícia Guedes, a agressão física, além de não educar, faz com que a criança tenha medo. “A agressão física aumenta a ansiedade, o medo, a baixa autoestima, além de não ensinar aos filhos o que eles podem fazer e o que é esperado deles”, diz Letícia.
Falar é fácil, difícil é suportar as diferentes situações enfrentadas diariamente com as crianças cada vez mais autônomas. E foi pensando nessas dificuldades que a reportagem buscou especialistas para darem dicas de como se sair com equilíbrio e paz das pequenas batalhas diárias, para que os pequenos se tornem maduros cidadãos do amanhã.


As pequenas batalhas do dia a dia


1.Corrija-o sem ameaças

Psicopedagoga Thaís Rufatto dos Santos: Atitudes ameaçadoras causam nos filhos comportamentos conflitantes gerados por insegurança transmitidos pelos pais. Os pais devem fazer “combinados”, por exemplo: “Filho, se você se comportar na escola, você vai ganhar presente em uma data comemorativa (aniversário, Dia das Crianças ou Natal), caso contrário você ficará sem este brinquedo”. Tal atitude corrige o filho, sem fazer ameaças do tipo: “Se você desobedecer à sua professora, vou bater em você na frente dos seus amigos”, “Vou tirar você desta escola” ou “Você ficará longe dos seus amigos”.

Psicóloga Letícia Guedes: Em vez de ameaçar, avise seu filho sobre o que você espera dele, ou seja, estipule as regras de convivência de sua casa. Porém, caso ele persista, tome alguma atitude imediatamente, mostrando que o comportamento precisa ser interrompido naquele momento, deixando claro que a autoridade é você. Faça isso sem ser ríspida e grosseira, seja firme. Nunca use castigos físicos, crueldade ou ataques com palavras.






2. Não se culpe pela sua ausência

Psicopedagoga: É imprescindível que os pais deem qualidade ao tempo passado ao lado dos filhos, e não a quantidade do tempo sem qualidade. Os pais devem fazer, por exemplo, que ao menos dez minutos ao lado dos filhos sejam um “longo” tempo para brincarem, conversarem etc.

 Psicóloga: Não justifique a sua ausência física enchendo o seu filho de presentes, sem que ele tenha feito algo que justifique o ganho. É necessário que ele compreenda que precisa cumprir as regras para obter o que deseja. Quando for conversar com ele ou instruí-lo acerca de algo que não fez de bom, olhe nos seus olhos, tenha paciência e escute-o.

 






3. Não tenha medo de dizer não

Psicopedagoga: Os pais não devem ter medo de dizer a palavra não e impor limites, pois o amor tem limite e quem ama também diz não. Um pai e uma mãe podem dar todo o bem material a seu filho para satisfazê-lo, mas, quando chegar a idade de ele namorar, não poderão “comprar” aquele “pretendente”. O não faz parte da vida.

Psicóloga: Faça a escolha dos “nãos” que você vai dizer ao seu filho. Há pais que negam tudo e pais extremamente permissivos. Nem um jeito nem o outro são adequados, precisa haver o equilíbrio. Desse modo, quando optar pelo não, seja coerente, sente-se com seu filho e explique calmamente por que você tomou a decisão.







4.  Não aponte defeitos do pai ou da mãe aos filhos
Psicopedagoga:
Os pais devem guardar para si próprios os defeitos apresentados por seus parceiros. Os filhos devem criar a imagem dos pais a partir de suas experiências com eles, e não criarem imagens negativas, a partir do ponto de vista dos seus pais diante da experiência que os próprios têm ou tiveram com seus cônjuges.

Psicóloga: Independentemente dos pais serem separados ou caso existam alguns conflitos entre eles, não é adequado que um dos cônjuges fale mal do outro. Não faça isso com seu filho, ele fica em uma situação complicadíssima, confuso ao estar ao lado da mãe, do pai ou de ambos. Evite este tipo de conduta, pois, ao invés da criança se sentir segura com os pais, acaba se sentindo imensamente desamparada. O importante é respeito e harmonia.
 





5. Os pais não devem se desautorizar na frente da criança
Psicopedagoga:
Para manter a harmonia conjugal sobre a educação da criança, os pais devem conversar longe dos filhos a respeito dos problemas e decisões na educação, para que, quando eles solicitarem o que quiserem, seja para o pai ou para a mãe, ambos já saibam qual será a opinião de cada um, evitando assim a desarmonia do casal diante dos filhos.

Psicóloga: Os pais não devem se desautorizar na frente da criança. Eles podem discordar da opinião, porém isso deve ser conversado e acordado entre eles, na ausência da criança. Sendo assim, quando um colocar uma regra, é adequado que antes tenha dialogado com o cônjuge. Outro ponto importante é que, se isso não ocorrer, é fundamental que a regra estabelecida por um não seja retirada pelo outro.






6. Procure fazer a criança refletir sobre seu comportamento
Psicopedagoga:
É interessante os pais mostrarem para os filhos a necessidade de refletir diante do potencial e da inteligência que há dentro de cada um. Em seguida, os pais devem perguntar aos filhos se aquele determinado comportamento combina com eles, diante das qualidades que existem dentro de si, e esperar os filhos responderem.

Psicóloga: É importante e válido fazer a criança pensar um pouco sobre suas atitudes, a fim de que não as repitam mais. Desse modo, estabelecer um “cantinho do pensamento” muitas vezes é uma estratégia interessante. Além disso, é importante mostrar as consequências que determinada atitude de seu filho causaram no ambiente ou nas pessoas.







7. Elogie a criança diante de bons comportamentos
Psicopedagoga:
Os pais podem colocar um espelho diante dos filhos e fazer com que reflitam sobre a imagem e qualidades que eles estejam enxergando no espelho. Diante dessa reflexão, os pais elogiam as crianças perante os comportamentos positivos apresentados por elas, afirmando o quanto aqueles comportamentos positivos combinam com as qualidades de cada uma delas.

Psicóloga: Quando a criança se comporta bem e faz aquilo que é esperado, é necessário que os pais exaltem esse comportamento, ou seja, o reforcem. Todos nós gostamos e sentimos prazer quando alguém nota ou engrandece alguma de nossas condutas, portanto, faça elogios, abrace, beije e dê atenção diante dos comportamentos positivos de seu filho. 







Fonte: Edição 944, agosto de 2014
Postado por: Família Cristã




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