Evangelho na comunidade

Data de publicação: 28/08/2015

Ano B – 30 de agosto de 2015 - 22º Domingo do Tempo Comum
Dt 4,1-2.6-8 – Guadai os mandamentos do Senhor.
 Sl 14 (15) – Senhor, quem pode habitar em tua tenda?
Tg 1,17-18.21b-22.27 – De livre vontade ele nos gerou.
Mc 7,1-8.14-15.21-23 – “Escutai-me, vós todos.”

"De livre vontade ele nos gerou, pela Palavra da verdade", (Tg 1,15)


Reflexão Cônego Celso Pedro da Silva
Arte Sergio Ricciuto Conte

Fariseus e  mestres da Lei vão ao encontro de Jesus, na Galileia, e observam que alguns dos discípulos comiam pão sem ter lavado as mãos. Lavam-se as mãos por higiene, mas o lavar as mãos, que inicialmente era só higiene, tornou-se pouco a pouco rito religioso. Os discípulos que comiam pão “com mãos impuras” se tornaram alvo da crítica dos observantes. Por que não observam a tradição como todo mundo faz? Jesus responde com uma citação do profeta Isaías: ‘Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. É vão o culto que me prestam, e as doutrinas que ensinam não passam de preceitos humanos”. O que mancha uma pessoa e a torna impura? O que é mandamento de Deus e o que é preceito humano?

Nem sempre o mandamento de Deus se identifica com o preceito humano ou com a tradição dos antigos. Pode-se honrar a Deus com os lábios e ter o coração longe do que Deus quer. Pode-se falar de paz e vender armas, dizia o papa Francisco. O coração, sede da vontade e dos projetos de vida, está longe, e o que se ensina tem pouco ou nada a ver com o que Deus quer. Para sabermos se estamos no caminho certo da vontade de Deus, temos que olhar para dentro de nós mesmos, olhar para o nosso coração como lugar das nossas escolhas e decisões.

 O que torna alguém impuro são as más intenções ou os projetos arquitetados na mente e no coração: imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, cobiças, injustiças, fraudes, devassidão, inveja, difamação, orgulho, insensatez. Lavar ou não as mãos antes da refeição pode tornar o ser humano impuro, não pela observância ou rejeição de uma lei, mas pela fonte de onde brota. É uma atitude prática, ligada a um projeto de vida, que sai diretamente do coração. Não seria melhor fazer as duas coisas, ter bons projetos no coração e observar o rito de lavar as mãos antes das refeições? Sim, desde que cada coisa esteja em seu devido lugar. Não colocar a tradição humana acima da vontade de Deus.

Há uma vontade de Deus expressa em mandamentos e preceitos. Deles nada se tira e a eles nada se acrescenta. São frutos da revelação e formadores da consciência. O coração equivale à consciência bem formada, animada de princípios claros e alimentada por uma prática construtiva. O ponto último de referência não está na lei exterior, mas na consciência de cada um como expressão de um projeto de vida. O que eu quero afinal da minha vida? Quero de fato o que Deus quer ou apenas digo querer o que ele quer? Quando alguém se abandona nas mãos de Deus e pede que se faça a sua vontade, tal atitude não pode ser apenas recitação de fórmulas rituais.

Somos todos pecadores, imperfeitos, limitados, só não podemos ser incoerentes por vontade própria. Observamos as tradições, mas não amamos a ninguém. Observamos os preceitos com o rosto gélido e o coração empedrado. Observamos tradições e preceitos e nos descuramos do único mandamento que Jesus nos deixou. Façamos isto sem omitir aquilo, cada coisa, porém, no seu lugar. O fanatismo legalista leva ao desconhecimento da lei e faz com que a tradição ocupe o lugar da lei. O teste de autenticidade da vida cristã, segundo São Tiago, está na prática da Palavra, na assistência aos órfãos e às viúvas em suas tribulações, sem nos deixarmos corromper pelo mundo.


Leituras e Salmos (31 de agosto a 5 de setembro)
2ªf.: Ts 4,13-18; Sl 95 (96); Lc 4,16-30.
3ªf.: 1Ts 5,1-6.9-11; Sl 26 (27); 4,31-37.
4ªf.: Cl 1,1-8; Sl 51 (52); Lc 4,38-44.
5ªf.: Cl 1,9-14; Sl 97 (98); Lc 5,1-11.
6ªf.: Cl 1,15-20; Sl 99 (100); Lc 5,33-39.
Sáb.: Cl 1,21-23; Sl 53 (54); Lc 6,1-5.




Fonte: Família Cristá julho de 2015
Postado por: Família Cristã




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