Mães no comando

Data de publicação: 19/10/2015


Revertendo um pensamento comum, Diversas empresas começam a perceber os benefícios em ter mães nos postos de trabalho.

Por: Nathan Xavier
Há não muito tempo a imagem de uma mãe era aquela moça, de olhar bondoso, que cuida da família e educa os filhos. Na essência, as mães de hoje são idênticas, mas com alguns detalhes a mais: afinal, há muitos que ainda não conseguem imaginar uma mãe ostentando uma tatuagem de caveira, encarando plateias de duas mil pessoas em um congresso, ou comandando dezenas de funcionários. Elas existem e são muitas. Pesquisa da agência de empregos Catho mostra que quase 60% das mulheres que comandam são mães. Apesar de algumas facilidades da vida moderna, a tarefa de conciliar trabalho e filhos é árdua e exige certo sacrifício. É nessa hora que a empresa também precisa ser flexível quanto a horários com a funcionária que é mãe e entender que, agora, ela tem alguém que precisa de cuidado. Por mais que os pais estejam cada vez mais presentes, a amamentação é exclusiva tarefa da mãe, o que, geralmente, acontece de 3 em 3 horas nos primeiros meses de vida.
É por ficar, aparentemente, mais desconectada do trabalho, que alguns empresários torcem o nariz ao contratar jovens profissionais casadas e que ainda não têem filhos. No entanto, aos poucos, esses mesmos empresários, percebem que há vantagens em funcionárias que já são mães. Em um blog destinado à vida de mamães, Carolina Stilhano, gerente de comunicação da Catho, explica que "até por conta da vivência familiar, as mulheres têm características importantes na gestão de pessoas. Para ser líder, além de ótimo profissional, você tem de ser bom com gente".
“Muito do que aprendo em educar duas crianças, em colocar limite, em como me comunicar ou premiar, eu trago para a empresa”, explica Renata Canteiro, 36 anos, diretora técnica de uma grande empresa de embalagens, com mais de 170 funcionários. Mesmo sendo responsável pela área técnica da empresa, ela ressalta que isso é uma de suas últimas preocupações: “Eu até comemoro quando tenho que resolver algum problema técnico. Os que preciso resolver no dia a dia são, basicamente, problemas envolvendo pessoas”. E concorda “em gênero, número e grau” com a gerente de comunicação da Catho: “O que você aprende num lugar, você aplica em outro, e isso enriquece;, da mesma maneira, eu tenho certeza, de que a minha experiência como líder interfere na maneira como cuido das minhas filhas”. E continua: “Não vejo nada mais tão emblemático, no sentido de mudar as pessoas, do que ser mãe. Muda definitivamente muita coisa na sua cabeça. Você se torna uma pessoa mais caridosa, mais empática àa dor do próximo. O senso de responsabilidade com o outro extrapola os filhos, tudo ganha um novo sentido”.

Ser mãe muda tudo − Essa mudança na visão das coisas e do mundo é compartilhada também por Giselle Quarterone: “A gente sente que tem mais responsabilidade e me sinto mais motivada agora com o trabalho”. Giselle, 29 anos, é mãe do sorridente Ian Gon, de apenas 9 meses. Ela não teve licença maternidade e trabalhou até próximo de entrar em trabalho de parto, mas só porque Giselle e o marido são donos do próprio negócio, uma loja que vende produtos e acessórios pela internet. Mesmo não tendo os benefícios que as leis asseguram às mães que são funcionárias, ela tem uma grande vantagem, própria do tipo de empresa que possui: trabalha de casa e pode ficar tranquila, com um olho no Ian e outro nos clientes da loja através do computador. As únicas saídas de casa, atualmente, por causa do trabalho, são para reuniões com fornecedores e viagens de negócios. A última foi para o Japão, quando estava grávida de 6 meses.
Obviamente, a rotina das novas mães muda completamente. Giselle afirma que ela e o marido viajavam bastante e tiveram que dar uma pausa por causa do Ian. “Meus horários também eram bem diferentes;, na verdade, não tinha muito horário, agora tenho que ter tudo certinho”. Mais motivados depois do nascimento do filho, já estão programando uma nova viagem, mas não a lazer: “Estamos planejando ir para o exterior para abrir uma nova loja e ampliar o negócio para que continue dando certo”. O maior compromisso com o próprio trabalho, típico de pais e mães, é um ponto extra, segundo a gerente de comunicação da Catho.
A mudança nos horários também fez com que Renata revisse muita coisa. Acostumada com viagens de negócios, não só pelo Brasil, mas também exterior, a levar trabalho para terminar em casa ou esticar reuniões, precisou repensar a rotina: “Não dá para eu falarchegar na às minhas filhas e falar que a mamãe não pode ficar com elas, pois precisa trabalhar. É algo que não gosto de fazer. Então, eu me cobro muito mais eficiência durante o horário comercial para que, em casa, eu possa dar atenção exclusiva para minhas filhas”.
É essa eficiência no horário comercial outro ponto positivo para as mamães. E Renata não é a única: “Em todas as minhas funcionárias mães eu vejo o mesmo perfil”, constata a empresária, “dá seis horas em ponto e elas, simplesmente, saem, pois precisam buscar o filho na escola. Mas, no momento do trabalho, produzem muito, a eficiência aumenta”.
Observando essas características, diversas empresas como Pfizer, Ericsson e Dell dão diversos benefícios para que as mães fiquem tranquilas para desempenharem suas funções, desde viagens a negócios com a possibilidade de levar o bebê e mais um acompanhante, estrutura como berçário e sala de amamentação, produtos para prevenção de assadura gratuitos, possibilidade de home office e até licença maternidade estendida de 6 meses. Muitos outros benefícios ainda podem ser negociados, o que, para as mães, não deve ser nenhum problema, pois, segundo Leandro Karnal, professor doutor da Unicamp, com formação em história cultural, antropologia e filosofia, “o enfrentamento é próprio de crianças, adolescentes e homens, e a negociação permanente é própria das mulheres”.




Fonte: Edição 957,setembro de 2015
Postado por: Família Cristã




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