Ele não muda, mudo eu?

Data de publicação: 27/10/2015

   A tentativa de mudar o parceiro pode causar mágoas por apontar uma não aceitação do sujeito como ele é

Por  Karla Maria

Ele vai ao banheiro e deixa bacia destampada. Já ela esquece a toalha molhada em cima da cama. Ele gosta de ouvir pagode. Ela prefere música sertaneja. Essas pequenas diferenças na vida doméstica, ou temas mais importantes como opção política, religiosa e diferenças culturais, soam engraçadas e tornam-se motivo de piada no início do relacionamento amoroso.
Com o tempo, a convivência, as contas e, às vezes, os quilos, o que antes era engraçado pode passar a ser a gota d’água para iniciar um motim na vida do casal. “Eu queria mudá-lo, deixá-lo do jeito que eu sou. Quando isso não acontecia, achava que ele não me amava o suficiente”, desabafa uma das tantas mulheres que buscam ajuda para manter seus casamentos em fóruns na internet.
A tentativa de mudar o outro ou a outra não é nova. Especialistas garantem que essa tentativa sem o diálogo pode ser frustrada. “Devemos observar se a motivação para mudar o outro é egoísta ou altruísta. Devemos pensar se queremos que o outro mude apenas para se adequar aos nossos valores pessoais, porque muitas vezes somos tomados por boas doses de ‘donos da verdade’, considerando que sabemos o que seria bom para o outro”, aconselha a psicóloga Marisa de Abreu.
Para Marisa, muitas vezes o desejo de mudar o outro a fim de evitar comportamentos autodestrutivos é importante e necessário. “Devemos interferir no comportamento alheio quando este se mostra prejudicial para si mesmo ou para os outros. Se temos uma pessoa na família envolvida em drogas e segue rumo ao fundo do poço, devemos interferir. Mas quando deparamos com características que não envolvem grandes danos, devemos avaliar qual é o tipo  de mudança que desejamos”, aconselha.

Aceitar as diferenças − Em seu consultório, a psicóloga observa que muitos querem que o cônjuge mude para que o relacionamento possa continuar de acordo com seus desejos, de seu comodismo. “Nestes casos a pessoa deve se perguntar se o comportamento do outro já não está dando dicas quanto à falta de afinidade do casal”, orienta.
Para o terapeuta Saulo Fong, aceitar o outro é um dos principais pilares para manter um relacionamento harmonioso com qualquer pessoa. Quando existe a intenção de mudar alguém, cria-se uma tensão no vínculo entre essas pessoas, pois a maioria irá resistir à tentativa de ser influenciada. Por isso é necessário reconhecer as diferenças e aceitá-las.
“É através desta autoaceitação que podemos realmente enxergar o outro como ele é: um ser humano igual a você em essência, mas com diferentes formas de se manifestar. Aceitar o outro basicamente significa dizer sim ao jeito do parceiro sem desejar qualquer mudança em sua atitude, postura, valor ou forma de se manifestar, e é neste ponto que muitas pessoas encontram resistências que geram tensões e conflitos de relacionamento”, aponta o terapeuta.
Marisa e Saulo concordam que não há uma só pessoa idêntica à outra e que todo relacionamento necessita do aprendizado da compreensão das diferenças, do respeito ao modo do outro ser e da percepção muito bem apurada quanto a identificar se cada diferença seria algo prejudicial ou apenas a característica peculiar do outro.
“As pessoas mudam antes, durante e depois do casamento, mudam se casam, mas também mudam se não casam. É possível sim que algumas pessoas mudem por causa do casamento ou por causa do cônjuge. Isso é natural, qualquer acréscimo em nossa vida provoca mudanças em nós mesmos. As pessoas estão sempre em processo de amadurecimento e crescimento, as mudanças fazem parte da vida”, concluiu.

Aceitar o outro – Esse é dos fatores mais difíceis de ser alcançado no relacionamento a dois, pois envolve o autoconhecimento e o autoenfrentamento. A aceitação do outro só acontece quando cada um consegue realmente aceitar a si mesmo, ou seja, aceitar a família em que nasceu e cresceu, aceitar o seu próprio corpo, as suas próprias limitações e a sua própria história de vida. É através dessa autoaceitação que podemos realmente enxergar o outro como ele é: um ser humano igual a você em essência, mas com diferentes formas de se manifestar.

A vida em comum – Compartilhar os momentos da vida juntos é o que traz a renovação do relacionamento de casal. Sair com os amigos, viajar, participar de cursos ou simplesmente sair para jantar juntos são alguns acontecimentos que unem e enriquecem a vida dos cônjuges. Uma vida em comum alimenta o companheirismo, a amizade e o vínculo entre os parceiros. Muitas vezes é essa vida em comum que dá a energia e a confiança para cada parceiro enfrentar e superar os desafios da vida.

A vida sexual – Sexo é vida. A maioria de nós só existe e está vivo por causa do encontro sexual entre nossos pais. A qualidade da relação sexual entre o casal é um dos fatores primordiais na plenitude do relacionamento a dois. Porém, como saber o que é uma vida sexual de qualidade? Basicamente, podemos nos guiar pela satisfação mútua do casal com relação à frequência, à duração e à intensidade dos encontros sexuais. Caso um dos parceiros esteja insatisfeito com qualquer um desses fatores, ele acabará por levar a insatisfação a outras áreas do relacionamento, causando uma tensão ainda maior na vida do casal.






Fonte: FC ediçao 950-FEV- 2015
Postado por: Família Cristã




Comentários


Comente





Compartilhe este conteúdo:


Veja Também

Sementes do amanhã
A pureza de uma semente crioula deve ser rigorosa para evitar qualquer tipo de contaminação.
Mulheres aprisionadas
Quem tivesse uma Bíblia dentro do campo seria castigada ou mesmo assassinada por enforcamento.
Irmão dos anjos
“O espaço do espírito, o meio onde posso abrir as asas, é o silêncio”(Um sentido para a vida, p.85).
O outro na margem do rio
"Um morador ribeirinho não tem como se deslocar se não possuir um barquinho”.
Viola, nossa viola
Antes utilizada na catequese indígena, hoje a viola caipira une arte, fé e tradição do sertanejo.
Início Anterior 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 Próximo Final

Termos mais pesquisados

Busca avançada
Copyright © Pia Sociedade Filhas de São Paulo - Brasil - Direitos Reservados