Seremos três

Data de publicação: 21/03/2016

Longe de ser o fim do mundo para os exclusivistas, um filho pode ser o elemento que falta para completar um grande amor

Por: César Vicente
Fotos: Álbum de Família
Recheada de surpresas, uma caminhada a dois reserva novidades para aqueles que ousam dividir o resto de suas vidas com outra pessoa: histórias, aprendizagens, alegrias e, inevitavelmente, desencontros. E, a partir do instante em que uma vida é repartida – e em certos casos multiplicada – por outra e já não pertence de todo a seu dono, o inesperado passa a fazer parte da rotina a ponto de não mais provocar surpresas. Algumas, porém, ficam registradas por alterarem para sempre o rumo dos acontecimentos. Claro que a questão se refere, aqui, à chegada de uma terceira pessoa entre um homem e uma mulher, que, até pode ser adotada, mas nem por isso dispensa preparação. Afinal é alguém que de fora para dentro se insere em duas vidas. Mas, por outro lado, quando esse alguém é gerado pelo casal, tem o dom de interferir no relacionamento desde seu anúncio. Pois avisa que, em breve, o corpo e a cabeça da mulher que, não mais do que de repente – e para surpresa do companheiro –, passa a ser vista como gestante, começarão a mudar.
E a vida do casal, como fica? Essa será naturalmente revista, pois deixará de ser hegemônica no espaço sentimental. Se até então ele vivia só para ela e ela, só para ele, pode-se dizer que nada mais será como antes. Mas longe de ser o fim do mundo para os exclusivistas, um filho pode ser o elemento que falta para completar um grande amor. Desde que, a partir do anúncio de sua chegada, a gestação seja curtida com deleite, como um momento especial da vida a dois e, principalmente por parte do homem, haja paciência para relevar a roda-viva de humor provocada pelas overdoses hormonais da companheira. Logo no primeiro trimestre da gestação, a primeira mudança percebida por muitos homens é um distanciamento da mulher. “Ela se afasta um pouco para criar afinidade com o bebê e começar a desempenhar o papel de mãe. É importante o companheiro não comprometer a intimidade deste momento e canalizar as energias para as descobertas conjuntas, aproveitar a fase de novidades”, comenta a terapeuta Sílvia Jorei, especialista na gestação de casais.

Ansiedade – No segundo trimestre de gestação, quando a gravidez começa efetivamente a aparecer, é o período em que o casal vive mais intensamente essa fase do ponto de vista sexual, pois os enjoos diminuem e aumentam o nível de estrogênio da mulher na corrente sanguínea e em sua região pélvica, despertando a libido. O contrário, no entanto, também pode acontecer em função da mulher se sentir preenchida pelo bebê. Outras razões para evitar o companheiro é que ela estará sujeita a ondas de calor e sentirá seguidas necessidades de urinar devido à pressão do útero sobre a bexiga. Nessa fase recomenda-se não prender a urina e ir sempre ao banheiro para evitar possíveis infecções urinárias. Mas, independentemente de haver ou não uma aproximação íntima entre o casal, a mulher, nessa fase, precisa incluir o companheiro na gestação. “O homem resgatará muito da relação que tinha com seus pais, de como ele era como bebê, para poder criar o pai que ele será quando o seu próprio bebê nascer”, justifica a psicoterapeuta Natércia Tiba.
No último trimestre da gestação, o casal entra em contagem regressiva. É natural alguma ansiedade entre marinheiros de primeira viagem em função da proximidade do parto. Não raro, alguns homens ficam mais preocupados com a situação do que as gestantes, pois, afinal de contas, elas sabem melhor do que eles a respeito do que estão sentindo. A sensação do companheiro é, assim, muitas vezes de deslocamento e apreensão. Alguns até evitam o sexo por receio de machucar o bebê, e muitas mulheres imaginam que tal afastamento se dá pelo fato de estarem gordas e, portanto, feias e pouco atraentes. O certo é que, a despeito do evidente desconforto de algumas posições, não há nenhuma contraindicação à atividade sexual nessa fase. Ao contrário, a proximidade do casal nesses momentos é importante até porque estarão vivendo juntos os últimos momentos de uma fase que guardarão para sempre na memória. E da qual muitas vezes sentirão saudades no futuro.

Segredos – Casados há um ano e meio, Milena Caliope Macedo, 33 anos, e Alexandre dos Santos, 31, estão exatamente nessa fase. Ambos vivem em Toulon, na França, as últimas semanas da gestação do primeiro bebê,  previsto para vir ao mundo em meados de março em um – ao que tudo indica – parto normal. “Aqui na França, ao contrário do Brasil, o parto cesariano só é realizado em caso de necessidade, e isso reforçou nossa decisão por essa opção. Temos vivido juntos este novo tempo da gravidez, dialogando e redescobrindo no cotidiano, um com o outro, os frutos do nosso matrimônio, as descobertas e desafios de sermos pais. Em nossas vidas, as transformações hormonais, as mudanças de temperamento, de disposição e de ânimo se fizeram para melhor acolher uma nova vida”, testemunha o casal, que vive junto à Comunidade Católica Missionária Recado.
A distância que os separa de suas famílias de origem, no Brasil, não chega a ser um impedimento para uma gestação tranquila e sem sobressaltos. “Toda grávida gostaria de ter por perto aqueles a quem ama, especialmente a mãe. E comigo não é diferente. Mas graças a Deus temos feito o possível para não deixar que a distância impeça de partilharmos sobre este lindo tempo, inclusive com suas descobertas e dificuldades. Hoje, felizmente, os meios de comunicação e as redes sociais ajudam bastante, assim como a nossa comunidade. Semanalmente, tiramos fotos e enviamos para nossa família e amigos, no Brasil, e os deixamos a par de tudo o que temos vivido”, relata Milena.  Eles só não divulgam e mantêm como segredo de estado o sexo e o nome do bebê. Coisas de casal...





Fonte: Edição 962,fevereiro de 2016
Postado por: Família Cristã




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