Liturgia da Palavra

Data de publicação: 19/05/2016

Ano C – 22 de maio de 2016 - Santíssima Trindade
Pr 8,22-31 – Eu frei dada à luz.
Sl 8 – Ó Senhor, nosso Deus.
Rm 5,1-5 – Estamos em paz com Deus.
Jo 16,12-15 – “Tudo que o Pai tem é meu”
"O Espírito da Verdade vos conduzirá na verdade" (Jo 16,13)

Reflexão: Cônego Celso Pedro da Silva
Arte: Sergio Riccuto Conte

Jesus tinha ainda muitas coisas a dizer aos seus discípulos, mas eles, naquele momento, não eram capazes de compreendê-las. Era preciso esperar a manifestação do Espírito, que lhes foi dada no dia mesmo da ressurreição de Jesus e se manifestou grandiosamente na Festa das Semanas. O Espírito acompanhará a comunidade de Jesus ao ritmo da vida, em todos os tempos e lugares, e a conduzirá à plena verdade. Foi assim que pouco a pouco a Igreja de Jesus começou a dizer com clareza e firmeza: “Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo”. A revelação dada e recebida em sua totalidade vai se explicitando ao longo dos tempos. Paulo pode assim dizer aos romanos que o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.
Também os cristãos puderam ler as Escrituras antigas com olhos novos e compreender que a Sabedoria que sai da boca de Deus é sua eterna Palavra, que se faz carne e vem habitar entre nós. Assim lemos nos Provérbios, que a Sabedoria foi gerada antes das origens da terra e afirmamos que no princípio era o Verbo. Lemos que a Sabedoria estava ao lado de Deus como mestre de obras quando lançava os fundamentos da terra e afirmamos que tudo foi feito por Ele e sem Ele nada foi feito do que foi feito. Lemos que a Sabedoria se alegrava em estar com os filhos dos homens e afirmamos que o Verbo se fez carne e veio morar entre nós. Assim, mergulhando em Deus e em seu mistério, sem compreendê-lo, mas saboreando-o, sentimo-nos cada vez mais envolvidos pela presença de Deus Uno e Trino no qual mergulharemos quando passarmos desta vida para aquela que sem dúvida será melhor. “Não posso pensar em um e único sem que me veja imediatamente envolvido pelo fulgor dos três; não posso distinguir os três, sem que me veja imediatamente voltado para o um e único”, dizia São Gregório Nazianzeno, pregando sobre o batismo.
Quando as Escrituras nos dizem que fomos criados à imagem e semelhança de Deus e nos dizem que devemos ser perfeitos como o Pai celestial, nós nos perguntamos como traduzir isso tudo na prática. Um caminho nos é dado quando as próprias Escrituras nos dizem que devemos ser misericordiosos como o Pai é misericordioso. Esta afirmação nos encaminha para a qualidade das nossas relações. A teologia explicita este caminho explicando-nos que em Deus as relações são tão perfeitas que são as pessoas divinas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Podemos então pensar na imperfeição das nossas relações e trabalhá-las para que se tornem imagem e semelhança de Deus. Quanto melhores forem nossas relações humanas, tanto mais parecidos seremos com o Deus que se revela a nós como Uno e Trino. O livro do Gênesis nos conta que o pecado original provocou uma ruptura nas relações dos primeiros pais com Deus e entre Adão e Eva e a natureza criada. A Carta aos Efésios nos dirá depois que Jesus veio para matar em si mesmo a inimizade que levanta muros entre nós. A aproximação dos corações é a tarefa do profeta Elias, cuja presença é anúncio da chegada do Messias e de seu Reino.
Procuremos então a paz que é fruto da justiça e resultado da busca comum dos mesmos caminhos para o mesmo fim. Rever a qualidade das nossas relações, evitar rupturas, particularismos, grupos fechados é tarefa constante de quem crê na Trindade.

Leituras e Salmos (23 a 28 de maio)
2ªf.:1Pd 1,3-9; Sl 110 (111); Mc 10,17-27.
3ªf.: 1Pd 1,10-16; Sl 97 (98); Mc 10,28-31.
4ªf.: 1Pd 1,18-25; Sl 147 (147B); Mc 10,32-45.
5ªf.: Gn 14,18-20; Sl 109 (110); 1Cor 11,23-26; Lc 9,11b-17.
6ªf.: 1Pd 4,7-13; Sl 95 (96); Mc 11,11-26.
Sáb.: Jd 17.20b-25; Sl 62 (63); Mc 11,27-33.




Fonte: FC ediçao 964-ABRIL 2016
Postado por: Família Cristã




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