Liturgia da Palavra

Data de publicação: 02/06/2016

Ano C – 5 de junho de 2016 -10º Domingo do Tempo Comum

1Rs 17,17-24 – “Eis aqui teu filho vivo.”
Sl 29 (30) – Cantai hinos ao Senhor.
Gl 1,11-19 – Deus me chamou por sua graça.
Lc 7,11-17 – “Jovem, eu te digo, levantá-te!”
“Ao vê-la, o Senhor encheu-se de compaixão”. (Lc 7,13)

Reflexão:
Cônego Celso Pedro da Silva
Arte: Sergio Riccuto Conte

Nas portas da cidade de Naim duas multidões se encontram, uma que entra, outra que sai. A que sai é impulsionada pela morte. A que entra traz consigo a vida. A procissão de entrada traz Jesus. A procissão de saída trazia o corpo morto de um jovem, filho único de sua mãe, que era viúva. As duas procissões se encontram, e o coração de Jesus se comove. Jesus viu o enterro e sentiu muita pena, não do rapaz que morrera, mas de sua mãe que chorava, sofrendo. Cheio de compaixão para com aquela mãe, Jesus lhe devolve o filho vivo. Todo mundo começou então a dizer: “Um grande profeta apareceu entre nós e Deus se preocupou com o seu povo e veio visitá-lo”.
Nós, em geral, temos pena de quem morre, e até o chamamos de “coitado”. “Coitado, morreu”, dizemos nós. Não, ele não é coitado se a ressurreição é uma verdade, se na casa do Pai há muitas moradas. Embora jovem, o filho da viúva de Naim iniciou sua última viagem passando do tempo para a eternidade, passando desta para melhor, dizemos também. E se é para melhor e para o que é duradouro, ele não pode ser um coitado. Ao contrário, ele é feliz por ter ido ao encontro da face do Pai. O tempo da sua pouca existência não conta, porque o próprio do tempo é passar. Ele não fica, ele passa e já passou. Esta vida nunca é longa porque “tudo o que tem fim não pode ser longo”, dizia Santo Agostinho. Tudo o que está sujeito a terminar, se desfaz no último momento. A vida longa e a vida curta são igualadas pela morte. Ela as desfaz da mesma forma. Não medimos a vida pelo tempo que nada é a não ser passar. Não a medimos pelos anos, mas pelas ações, ensinava Bossuet, grande bispo e orador francês. O tempo que passa passa daqui para a eternidade, que fica. A eternidade fica para sempre e nela, as ações que permanecem.
Tanto a procissão de entrada como a de saída eram acompanhadas por grande multidão. Jesus tinha muitos seguidores e a viúva, com seu jovem filho, pelo que parece, tinha muitos amigos. Seriam não só conhecidos, mas também benquistos. Imaginemos que o jovem tenha se deixado guiar pelo temor de Deus, tenha se ocupado na oração, feito exercícios de mortificação e praticado a caridade, seu grande amor tenha sido realizar a vontade de Deus e sua esperança ver a Deus no céu. Que grande semeadura de coisas que ficam terá sido essa vida! Ao contrário de alguém que apenas semeou crimes e discórdias, que o vento dispersa no tempo que passa. Nada restou para a eternidade, a não ser a misericórdia de Deus que compreende os “porquês” de nossa vida. Jesus pode ter chamado de volta a esta vida o jovem de Naim para dar-lhe mais tempo no tempo que passa e produzir atos que ficam.
Jesus, porém, encheu-se de compaixão pela viúva que chorava. O normal é que o filho enterre a mãe e não que a mãe enterre o filho. Esta é a dor mais cruciante experimentada por Maria, pela viúva de Naim, pela viúva de Sarepta, no tempo do profeta Elias. A elas alegrou a ressurreição. Maria viveu a alegria da ressurreição. As viúvas receberam o consolo passageiro, mas importante e necessário, sinal da ressurreição que interessa e manifestação do coração misericordioso de Deus. Deus sofre com quem sofre. Ele nunca é indiferente quando alguém está sofrendo.


Leituras e Salmos (6 a 11 de junho)
2ªf.: 1Rs 17,1-6; Sl 120 (121); Mt 5,1-12.
3ªf.: 1Rs 17,7-16; Sl 4 (5); Mt 5,13-16.
4ªf.: 1Rs 18,20-39; Sl 15 (16); Mt 5,17-19.
5ªf.: 1Rs  18,41-46; Sl 64 (65); Mt 5,20-26.
6ªf.: 1Rs 19,9a.11-16; Sl 26 (27); Mt 5,27-32.
Sáb.: At 11,21b-26; 13,1-3; Sl 97 (98); Mt 10,7-13.




Fonte: FC ediçao 965-MAIO 2016
Postado por: Família Cristã




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