Promessa é dívida

Data de publicação: 04/07/2016


Por: Renan de Souza

A tentação de prometer algo à criança para estancar a birra momentânea pode trazer sérias consequências no futuro
As promessas políticas de campanha sempre foram motivo de piada nos programas humorísticos, com políticos que prometem tanto e cumprem pouco ou nada quando assumem o mandato. Situações que causam desconforto e indignação em toda a população que esperava do mandatário uma responsabilidade maior na esfera pública. Porém, há de se refletir sobre casos similares que acontecem dentro do próprio lar. Qual pai ou mãe não se sentem tentados a prometer algo para o filho ou filha, no meio de uma birra, com frases do tipo: “Depois eu compro; depois eu faço; outro dia nós vamos em tal lugar; daqui a pouco a gente volta aqui.” Ou mesmo: “Se você não tirar boa nota, vai ficar sem ver televisão por um mês”. Infelizmente, passado algum tempo, por vezes alguns minutos, os pais não lembram o que prometeram. O problema é que a criança lembra.
Imediatismo – Muitas vezes, essas promessas são feitas sem pensar, de forma imediatista, parecendo algo pequeno e sem importância. Segundo a psicóloga Marisa de Abreu Alves, a criança tem condições de perceber quando mentem para ela, e algumas até percebem quando mentem com “boas intenções”. Ela diz entender a atitude dos pais que prometem algo unicamente para conseguir um bom comportamento dos filhos, mas lembra que esse não é o melhor caminho. “Tenho visto grandes revoltas por parte das crianças quando não percebem consideração por seus sentimentos, identificando que a mentira é apenas para controle de seu comportamento.” O resultado das promessas falsas pode ser um tiro no pé dos pais, que perdem a confiança da criança: “Com o tempo, os pais que desejavam tanto a colaboração de seus filhos acabam conseguindo justamente o oposto”. Vale lembrar que a recomendação não serve só aos pais, mas também tios, avós e cuidadores.
A psicóloga lembra que resultados imediatos não costumam surtir o efeito desejado a médio e longo prazo, e controlar momentaneamente o comportamento da criança não significa que ela aprendeu o que seria importante. “Portanto, apenas fazer com que a criança se comporte naquele momento pode não alterar a estrutura de compreensão e assim não haverá colaboração desta criança em situações semelhantes futuras”, afirma Marisa Alves. A possibilidade da situação ficar pior com o passar do tempo aumentaria. “A criança pode elaborar formas mais intensas de conseguir o que quer, incrementando a birra e o comportamento alterado. Caso o filho tenha a visão de seus pais apenas como pessoas que o controlam, e o obrigam a fazer coisas que não gosta de fazer, dificultará o vínculo e a boa formação desta criança”, completa Quando essa promessa vem ligada a um castigo, tudo pode piorar. Se na hora da raiva o pai ou a mãe falar que deixará o filho um mês sem internet ou que nunca mais voltará ao local, ele terá de estar preparado(a) para cumprir. Se for algo impossível, melhor nem prometa, por isso, o ideal é pensar bem antes de proferir um castigo no calor do momento.
Repetição – A saída para o impasse é impor limites e regras, de forma amorosa e explicando o real motivo. Se você precisa ir embora de algum lugar e seu filho faz birra, por exemplo, não é recomendado que você tente parar a birra com um “mais tarde eu trago você de volta”. Seja franco/a e simplesmente fale que precisa ir e pronto. Caso seja algo previsível, procure explicar antes para seu filho ou filha que precisam ir em determinado horário e o motivo. Isso torna as coisas mais tranquilas no momento de ir embora. Marisa Alves lembra que esse não é um caminho fácil, porém, é o mais eficiente: “Essas formas podem ser mais trabalhosas para os pais do que fazer ameaças e mentir para os filhos, pois a repetição e necessidade de autocontrole por parte deles será maior, mas é a que surte mais efeito com o passar do tempo”. Aliás, quem tem criança sabe quanto é preciso repetir as mesmas instruções. E, sim, será preciso repetir a mesma ação até a criança entender que aquilo não pode ser feito. Tenha paciência, pois isso faz parte da aprendizagem e, aos poucos, seu filho vai internalizando e entendendo que precisa agir daquela maneira.
O resultado do caminho mais trabalhoso, segundo a psicóloga, não causa a perda da confiança da criança pelos pais e ainda passa uma segurança maior, mesmo que a birra esteja presente: “Eu vejo que a criança tende a acatar com mais facilidade as normas colocadas por pessoas que demonstram amor verdadeiro. Com carinho e compreensão, ela pode ter a capacidade de perceber que aquilo que os pais estão colocando pode não ser o mais ‘divertido’ naquele momento, mas é algo importante e desejável”, afirma
Colocar limites para os filhos é algo que faz parte da educação e formação dos valores da criança, mesmo que dê trabalho, ou que seja difícil identificar a forma correta de fazer. “Porém, é importante que seja feito”, finaliza a psicóloga.




Fonte: FC ediçao 967 -JULHO 2016
Postado por: Família Cristã




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