JMJ Contagem regressiva

Data de publicação: 04/07/2016


Por: Nathan Xavier

Depois de exatos 30 anos da primeira edição, as jornadas mundiais da juventude revelam-se como o grande motor espiritual dos jovens e verdadeiro sinal da cultura do encontro

Falta um mês para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), um grande evento em diversos sentidos: pela complexidade logística, envolvendo questões de segurança internacional, além do grande número de pessoas que movimenta. Para dar uma ideia da dimensão, o lendário show dos Rollings Stones na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro (RJ), em 2006, reuniu cerca de 1,5 milhão de pessoas. A JMJ de 2013, no mesmo local, reuniu 3,5 milhões de participantes, e a maior em público da história do evento foi a de 1995, em Manila, nas Filipinas, quando reuniu cerca de 4 milhões de pessoas.
Cracóvia – Jovens de diversos países e as atenções de muitos estarão focados numa pequena cidade europeia, de pouco mais de 850 mil habitantes, na Polônia. Cracóvia é muito rica culturalmente, fundada no ano 700 d. E. C. (depois da Era Comum ou Era Cristã) e palco de acontecimentos históricos importantes. São João Paulo II foi arcebispo da cidade e, Santa Faustina Kowalska, reconhecida mística cristã, passou lá a maior parte de sua vida. Essa edição será a 31a, e se realizará de 26 a 31 de julho, com o lema Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia, citação retirada do Evangelho de Mateus, capítulo 5, versículo 7. Será uma jornada memorável, afinal, acontecerá na terra natal do criador das JMJs, papa São João Paulo II, e marcará os 30 anos do evento. Como se isso não bastasse, a JMJ de Cracóvia ainda acontece em pleno Ano Santo da Misericórdia, no país de Santa Faustina, que, em 1931, teve uma revelação de Jesus enquanto Rei da Divina Misericórdia. No ano 2000, Faustina seria declarada santa por São João Paulo II, que também instituiu a Festa da Divina Misericórdia. O corpo da santa está sepultado no Santuário da Divina Misericórdia, em Cracóvia!
Dom Vilsom Basso, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), acredita que também é uma JMJ providencial nesse momento político e social tão conturbado mundialmente: “A parte da população mais aberta ao diálogo, ao respeito às diferenças, mais tolerante, é o mundo juvenil. Inspirado ainda com essa mística da misericórdia, vai gerar frutos. Acredito que será um banho de esperança e tolerância que a jornada vai dar à Europa e ao mundo”. Ele será um dos mais de 30 bispos brasileiros, confirmados até agora, que acompanharão os jovens em Cracóvia.

Experiência –
Em comum, quem participa de uma jornada sempre fica com o desejo de voltar. Ana Gouveia, 21 anos, relembra a Jornada do Rio de Janeiro, em 2013: “Eu nunca tinha vivido uma experiência igual. Estar lá com tantas pessoas fez com que eu me agarrasse mais à minha religião e me sentisse motivada a levar mais gente”. Padre Antônio Ramos do Prado, assessor da Comissão Pastoral Juvenil da CNBB, comenta a importância do evento: “Desde o começo, a jornada foi um marco na Igreja por mostrar que ela também é jovem. O encontro da pluralidade juvenil que existe dentro da Igreja também é bem interessante. Criam-se laços entre as nações, e os jovens fazem intercâmbio depois com as pessoas que conheceram”. Lucas Magalhães é da cidade de Cataguases (MG). Quando foi à jornada do Rio tinha 19 anos e confirma: “Nossa diocese conseguiu levar muitos jovens e foi muito bom. Conhecemos gente do mundo inteiro e foi muito emocionante estar na Praia de Copacabana, com milhões de pessoas de várias partes do mundo. Foi muita emoção, não tem como explicar”.
Como representante do Brasil nos encontros internacionais de preparação para a JMJ, padre Antônio comenta algumas orientações do Comitê de Cracóvia: “A cidade é pequena e não acomoda a quantidade de peregrinos que irão, por isso muitos estão sendo acomodados em alojamentos de cidades vizinhas. Até novembro do ano passado tinham 450 mil inscritos oficialmente. Com certeza esse número já deve ter dobrado”. Os organizadores esperam receber 1 milhão e meio de peregrinos e, na missa final, a expectativa é de 2 milhões.
Hellen Gonçalves, 30 anos, nunca foi à Polônia, mas tem um pé naquele país: seus avós eram poloneses. Na jornada de 2013,  inscreveu-se como voluntária junto com seus irmãos. E, ao saberem que a próxima seria na terra de seus avós, não restou dúvida de que teriam de ir. “A gente se privou de algumas coisas, deu uma economizada e eu também peguei um trabalho extra no começo do ano pra ajudar”, conta Hellen, sem esconder a empolgação de poder participar de mais uma JMJ. “Esse momento de partilhar, discutir, refletir sobre o que é ser um jovem católico é incrível, uma experiência ímpar. Uma vivência espiritual que não tem como mensurar.”
E, para quem acha que a jornada é só para jovens, se engana. “Aqueles que são jovens há mais tempo” também participam e garantem que a experiência é excelente: “Nunca tinha passado por aquilo, foi bem intenso”, afirma Celso Nitolo, 41 anos, sobre a JMJ do Rio, quando levaram um ônibus inteiro de jovens. Ele, a esposa, Helayne, 46, e o filho, Otávio, 14, integram um grupo de 18 peregrinos que irão a Cracóvia. Será a primeira jornada do Otávio, que, na época da edição do Rio, tinha 11 anos e teve de assistir tudo pela TV, em São Paulo (SP), onde residem. Mas não esconde a felicidade de quem, agora, poderá ir: “Deu vontade de estar lá e fiquei muito feliz quando soube que eu ia a Cracóvia”.

Rufando os tambores –
Por dois anos, o grupo de Celso, Helayne e Otávio promoveu festas, fez e vendeu doces para arrecadar dinheiro. Agora eles irão se concentrar na espiritualidade: “Nosso pároco já marcou as reuniões, serão cinco sobre o tema da JMJ e o Ano da Misericórdia”. E completa: “Agora começa a cair a ficha de que a gente vai mesmo”.
E como anda o coração de quem está lá, na Polônia? Nossa reportagem conversou com o brasileiro Edson Hable, 23 anos, religioso da Congregação dos Padres Marianos, ordem que nasceu naquele país, fundada pelo padre Estanislau Papczynski, canonizado no dia 5 deste mês. Edson está há três meses em Lublin, cidade próxima de Cracóvia, e se alegra: “Não imaginei que viria a Polônia justamente na época da JMJ e que participaria também da canonização do fundador da minha congregação”. Durante a jornada ele já tem uma missão: irá acompanhar um grupo de brasileiros e ajudá-los na comunicação. O jovem religioso comenta que as paróquias da Polônia têm incentivado as pessoas a se inscreverem como voluntárias para ajudar na organização e que o pedido tem sido atendido. Também não se esquecem do tema: “Neste ano, a questão da misericórdia tem sido acentuada. Como devoção, a misericórdia nasceu no coração da Polônia, com a Congregação das Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia, da qual Santa Faustina fazia parte”. Por isso, ele espera que “seja um grande momento de encontro dos jovens com Deus nessa busca pessoal, inquieta, por algo grande, que vale a pena ser vivido”.
O esforço para economizar dinheiro, guardar, cotar as passagens e as dificuldades fazem parte da jornada. Ou seja, diferente do turista, o peregrino conhece novas pessoas e uma cultura diferente da sua, valoriza as experiências pelas quais passa no percurso e aprende com elas, crescendo espiritualmente. Nesse sentido, a jornada começa muito antes do evento em si. “A JMJ tem sido um motor que coloca em movimento jovens no mundo inteiro”, reflete padre João Chagas, responsável pelo setor Juventude no Pontifício Conselho para os Leigos, no Vaticano. Ele compara esse período como um preparar do terreno para a grande semeadura que acontecerá na JMJ. “Isso faz com que, quando a semente for lançada no terreno previamente preparado, produza muitos frutos.” E onde fica a graça de Deus e a providência nesse meio? Como bem responde Edson Hable: “A graça ajuda no esforço que a gente coloca na caminhada”.




Fonte: FC ediçao 967 -JULHO 2016
Postado por: Família Cristã




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