Juntos, mas separados

Data de publicação: 01/08/2016

O ideal é que a vida a dois seja com o casal junto, mas compromissos profissionais podem afastar fisicamente os pombinhos que não podem, porém, se afastar emocionalmente

Por: Nathan Xavier

Após a fase do namoro e do noivado, chega o grande dia. A partir do casamento, duas almas irão conviver juntas, morar juntas sob o mesmo teto e compartilharão o dia a dia. “Só que não”, como se diz popularmente. Num mundo globalizado, com empresas e empregos globalizados, é relativamente comum que os empregados precisem fazer cursos, treinamentos ou projetos fora de sua cidade de moradia e, talvez, até em outro continente, sobretudo se ainda não possuem filhos. É comum também, devido à característica do trabalho, um dos cônjuges ter que viajar a todo instante para algum lugar do país ou do planeta. É preciso muita compreensão e entendimento de ambas as partes em casos assim.
Separados por um oceano – O educador físico Raphael Cutis e a arquiteta Natalia passaram por isso três vezes. Começaram a namorar em abril de 2010, em Vitória (ES), onde moravam. Após oito meses de namoro, Raphael foi morar em Campos dos Goytacazes (RJ). Ficaram noivos em outubro de 2011 e, em janeiro de 2012, Raphael foi para Angola, na África, por um ano, para desenvolver um trabalho humanitário, ligado à sua profissão. Já de volta ao Brasil, Raphael e Natalia se casam em abril de 2013, em Vitória. Porém, na mesma época do casamento, a empresa de Natalia fecha a filial na cidade e oferece a oportunidade de ela continuar na empresa, mas na matriz, em São Paulo, capital. Ela aceitou para não perder o emprego, já que, na época, Raphael estava desempregado. “Fomos para a lua de mel e, na volta, ele ficou em Vitória e eu fui para São Paulo”, conta Natalia, rindo da situação tragicômica. “Até outubro ficamos casados e eu aqui e ele lá, vindo de vez em quando até decidirmos quem iria para onde.” No fim, Raphael foi para São Paulo e, desde então, não se separaram mais, para alívio do casal.

Comunicação –
Suely Buriasco, mediadora de conflitos, educadora, com dois livros publicados e especializada em Gestão Estratégica de Pessoas, conhece bem o tema. Não apenas porque estudou para isso, mas porque também vive distante fisicamente do marido. Eles moram e trabalham em Ponta Porã (MS), mas Suely também trabalha em São Paulo, fica indo e vindo entre as cidades e se veem de dez em dez dias ou até de 15 em 15, dependendo da dinâmica de trabalho dela. Pra completar o quadro, os filhos do casal moram em São Paulo. Ela conta que o segredo para o relacionamento durar e se manter estável nessa situação é a comunicação, e não apenas uma vez por dia. “Falo algumas vezes por dia com meu marido, por mensagem ou telefone, mas sempre. Quando meus filhos foram para São Paulo não eram adultos, então ele sabe tudo o que acontece na família.” As novas tecnologias ajudaram muito a manter o diálogo, por isso, segundo Suely, é preciso aproveitar e ir além da voz. “Use as redes sociais e os aplicativos que usam câmera, mande foto de coisas do seu dia, o que está fazendo. Isso ajuda a lidar com a distância, possibilitando um participar da vida do outro continuamente. Hoje fazemos isso com pessoas que mal conhecemos nas redes sociais! Vemos uma coisa legal, batemos uma foto e compartilhamos. Por que não fazer isso com o cônjuge?”. Mediadora de conflitos, Suely só faz uma ressalva quanto a essa dica: “Lógico que dentro de uma normalidade. Não pode encher a paciência do outro, mandando algo a todo instante e cobrando resposta. Não é porque não respondeu na hora que a pessoa não liga, mas porque provavelmente não pode fazer aquilo naquele instante”.
A comunicação é importante para manter o relacionamento a distância, mas o caso do Raphael e Natalia ainda ganhou um empecilho nesse quesito. Além do período longo que ele ficou em Angola, as condições precárias do País em transporte e comunicação dificultaram: “A internet chegou em Angola junto comigo. Onde eu vivia nem energia elétrica tinha direito, então, quando dava, a gente falava via Skype (programa gratuito de comunicação via internet) e apenas até o momento que o combustível do gerador durava. Mesmo assim a comunicação não era estável. Conversávamos um pouco e logo começava a picotar a voz e pronto, o combustível acabava. Só no fim do dia seguinte que a gente ia tentar falar novamente”.

A distância foi aliviada por 3 momentos em que Natalia conseguiu ir para Angola e por pura sorte ou Providência Divina, dependendo da fé de cada um. “Para mim, por Providência Divina mesmo, minha empresa selecionou um trabalho em Angola”, conta Natalia. “Quando soube, logo quis fazer parte da equipe. Era num lugar totalmente oposto ao que ele estava, mas era uma chance.” E deu certo. Nos dois meses que a então noiva passou desenvolvendo seu trabalho de arquiteta em Angola, eles conseguiram se ver por um fim de semana no começo e, depois, por uma semana, antes de ela regressar ao Brasil. Mas isso só depois de seis meses que Raphael estava na África e após ele ter enfrentado dias de viagem até o local em que ela estava, “uma verdadeira saga”, conta. Depois ainda tiveram mais uma chance, quando Natalia foi mandada de volta a Angola.
Conselhos – Além da comunicação ser importante, Suely recomenda uma boa dose de confiança. “Os cônjuges precisam mostrar que estão realmente comprometidos com a relação.” Ou seja, a traição não deve nem passar pela cabeça: “É preciso ficar atento, cuidando das suas carências, transformando em atenção ao cônjuge distante, e isso é possível”. Os encontros físicos devem ser planejados também: “É preciso um certo sacrifício de um lado e do outro, mas é importante ficar um tempo juntos fisicamente e, de preferência, que o tempo entre os encontros físicos seja o menor possível”, ensina Suely. E, quando se encontrarem, aproveitem! Nada de reclamações ou cobranças. “Não vale a pena discutir por conta de coisas que possam ser relevadas, e a distância é algo que pode ser relevado.”




Fonte: FC ediçao 967 - AGOSTO 2016
Postado por: Família Cristã




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