Casal sem depressão

Data de publicação: 07/11/2016


Para superarem o período da depressão pós-parto, mulheres devem contar com o apoio e compreensão de seus companheiros

Por: Karla Maria

No Brasil, a cada quatro mulheres, mais de uma apresenta sintomas de depressão no período de seis a 18 meses após o nascimento do bebê. A constatação é do estudo Factors associated with postpartum depressive symptomatology in Brazil, realizado pela pesquisadora Mariza Theme, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz).

Com a fisioterapeuta Francyne Rezende de Carvalho, 27 anos, a depressão começou logo que chegou em casa após sair da maternidade. Sentia muita ansiedade, tristeza, insegurança, sensação de incapacidade pra cuidar e amar a própria filha. “Somente me dei conta de que estava passando por uma depressão porque os sintomas iniciais não passavam e se agravavam com o tempo”, conta a mãe da pequena e lindaMelissa.

“Ela (a bebê) chorava muito, e eu não sabia o que fazer com ela. Eu me sentia muito perdida. Lembro que me falavam que quando nasce um bebê nasce uma mãe também, mas comigo nada disso tinha acontecido, eu me sentia totalmente perdida, eu chorava todos os dias. Não me sentia capaz de cuidar dela”, conta.

Francyne também sentiu ciúme do bebê. Antes do parto, ela era o centro das atenções do marido, e com a chegada de Melissa o marido passou a – obviamente – cuidar da criança, gerando nela sentimentos de ciúme e, por isso, culpa. “Via meu marido segurando minha filha e eu tinha ciúmes, era horrível. Eu sentia como se a bebê começasse a atrapalhar a gente e, conforme foram passando os dias, comecei a ficar exausta e desesperada, pensando que não teria mais tempo para mim e para o meu casamento”, desabafa.

O apoio – Para a psicóloga e psicoterapeuta Viviane Battistella, o sentimento de culpa é ruim e deve ser evitado. Segundo ela quem se culpa costuma não agir positivamente, pois fica sempre se autoflagelando. “É importante também que as pessoas próximas não julguem nem condenem a puérpera (mãe que acabou de ter neném). A depressão pós-parto é uma doença e não uma escolha. Esses sentimentos são normais no período, e a tendência é que eles passem”, garante Viviane, que inclusive sofreu de depressão no pós-parto de seu filho, Arthur. “O quadro de depressão é essencialmente decorrente da mudança hormonal brusca que ocorre após o parto, apesar de seus sintomas serem comportamentais. E sim, mesmo eu, uma psicóloga, um ser humano normal, tive depressão. Todas estamos suscetíveis a isso.”

A psicoterapeuta orienta que as mães que enfrentam a depressão pós-parto falem sobre seus sentimentos com os companheiros, com a família e com o obstetra. “Não tenha medo nem se culpe por não estar sendo a mãe de propaganda de TV. Eu me recuperei totalmente, e isso prova que todas nós podemos superar a dor e assim amarmos e cuidarmos do nosso filho”, aconselhou a especialista.

Esse foi o caminho que Francyne seguiu. Sem confiança em seu obstetra, no Banco de Leite e, diagnosticada com depressão pós-parto e ali medicada. “Essa ajuda pra mim foi primordial, eu não tinha nenhum obstetra de confiança, mas os profissionais do banco de leite me ajudaram muito a superar tudo isso, até porque o sucesso na amamentação foi um fator importante pra superar a depressão.”

 Além do apoio médico, ela viu em seu marido, Douglas, o suporte para se recuperar. “Ele foi a pessoa mais importante, porque esteve comigo me apoiando durante todo esse processo. Minha mãe faleceu havia quase três anos, e eu não tinha mais ninguém em quem me apoiar, e ele sem dúvida foi meu porto seguro, teve paciência o tempo todo, foi comigo buscar ajuda profissional, entendeu que o que eu passava estava além do meu controle, não ficou julgando, achando que era frescura como muita gente acredita, então ele foi o meu suporte pra conseguir sair disso tudo”, desabafa a fisioterapeuta.

 A psicóloga Viviane orienta aos maridos e companheiros que se informem sobre a doença, acompanhem a esposa às consultas com o obstetra e com o psiquiatra para que sejam também orientados sobre como agir. “Estar presente é imprescindível e ajudar nos cuidados com o bebê também. Sempre oriento aos familiares a não julgarem nem condenarem. Não se deve falar da doença e sim agir de forma positiva”, orienta a especialista.

A fé – “Mais do que o apoio do marido e dos familiares, Deus me deu forças quando eu não tinha mais de onde tirar. Quando eu entrava em desespero, eu rezava e encontrava paz e força pra seguir em frente e acreditar que isso tudo iria passar”, desabafa Francyne. E tudo passou, com a fé e o apoio da família e do marido. “Ele me apoiou ao invés de me julgar, eu me abri com ele expondo meus sentimentos, e ele me deu força pra passar por isso, conversando muito comigo, tentando me distrair, me ajudando com algum cuidado na casa, ou até mesmo com o bebê”, revela Francyne. Para auxiliar outras mães que passam pelos mesmos sentimentos e desafios enfrentados durante o pós-parto, a mãe de Melissa, hoje com 7 meses, abriu um canal no YouTube, o Cromossomo Feminino, que hoje conta com mais de 21 mil inscritos.



BOX

Sintomas de depressão pós-parto

Sentimento de tristeza ou desespero constante;
 Perder o interesse ou não sentir prazer na maioria das atividades diárias;
 Sentir-se desconectada de seu bebê e das pessoas no entorno;
 Sono perturbado, mesmo quando o bebê está dormindo;
 Pensamento extremamente confuso e desorganizado, aumentando o risco de prejudicar o bebê, a si mesma ou qualquer pessoa;
 Mudanças drásticas de humor e comportamento bizarro;
 Extrema agitação ou inquietação;
 Alucinações, que podem ser visuais, auditivas, olfativas ou de contato;
 Pensamento delirante que não se baseia na realidade;

- O obstetra e o psiquiatra são os especialistas que devem ser buscados após os sintomas acima.


Apoio nas redes sociais

Facebook: @vivianebattistellapsicologa e @cromossomofeminino

YouTube: Cromossomo Feminino





Fonte: FC ediçao 970-OUTUBRO 2016
Postado por: Família Cristã




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