Idosos saúdam a vida

Data de publicação: 30/11/2016


O tempo divino é sempre o presente. Nosso tempo, em qualquer idade, é o presente, o atual, e deve ser vivido em sua plenitude
                                  
Por: Cleusa e Alvício Thewes

Olívia, 74 anos – Ela tem três filhos, seis netos e quatro bisnetos. É viúva e mora sozinha, na mesma casa em que viveu com o esposo por 40 anos. Seu convívio com familiares, parentes próximos e amigos é harmonioso. De quando em quando, promove um chá, com bolinhos de chuva, reunindo familiares e amigos em sua casa. Olívia ama a vida e escolheu vivê-la de forma colorida e feliz. Quando se aposentou, ingressou num coral da terceira idade, hoje composto por 60 integrantes. O esposo, Osvaldo, logo aprovou a escolha. No coral aprende novas canções e recorda tantas já conhecidas. São canções do folclore brasileiro e músicas alemãs antigas. Os encontros lhe fazem bem.  Na integração com o grupo, movimenta o corpo, treina a memória e ativa o afeto.  A disposição e o otimismo de Olívia contagiam a todos.

Toninho, 78 anos – Ele é psicólogo. Lecionou Psicologia na universidade até se aposentar. Tem cabelinhos de algodão, sorriso largo, fala forte e pontual, passinhos curtos, porém velozes. É ativo, engajado em projetos humanitários, culturais, políticos e sociais voltados aos idosos. Foi presidente do Conselho do Idoso de sua cidade, por várias gestões. Atualmente participa do grupo de teatro Ousadia, de terceira idade, no qual interpreta personagens engraçados.   Diz que o teatro com pessoas de sua faixa etária o anima e rejuvenesce. Sendo carismático, é querido por todos e visto como líder cultural do grupo, o que de fato é.

Riscos e desafios – A maioria dos jovens acolhe com restrição a repetida frase dos idosos “no meu tempo não era assim”.  Essa frase pode conter muitos sentidos e até revelar o quanto o idoso está no passado, desqualificando e rejeitando o presente. Isso demonstra a incapacidade de adaptação às mudanças ocorridas durante sua geração no meio em que vive. Daí decorre uma consequência lógica: ele vive mal o seu tempo de agora.
O tempo é um presente divino infinito. Foi-nos dado sem medida. Nós inventamos a medida e a contagem do tempo. O passado, o presente e o futuro. O tempo divino é sempre o presente. Nosso tempo, em qualquer idade, é o presente, o atual, e deve ser vivido em sua plenitude, com a devida assimilação das novas descobertas e integração ao meio em que vivemos, com suas mudanças culturais bruscas, por vezes chocantes. A vida é dinâmica e avança sempre. Os recuos ficam por nossa conta. Aí está o maior desafio do idoso, seja a disposição interior ou a curiosidade inteligente de se colocar sempre no presente, no caminho do aprendizado.
Ter mais idade deveria significar mais sabedoria. Mas isso nem sempre é verdade. Pode significar apenas ter vivido mais, ter experimentado mais emoções, alegres ou tristes. Afinal, há quem passe pela vida fora da realidade. O idoso sábio, porém, carrega, em sua essência, além da sabedoria, a humildade e a pretensão de saber mais. A humildade é uma virtude com a beleza da modéstia. Esta conduz o idoso na sua vontade de sempre aprender, fazendo-o ver que o conhecimento é ilimitado e libertador. É, o conhecimento liberta, como tudo que é ilimitado. E a humildade participa desse processo. Ela nos faz reconhecer que não somos donos da verdade. Ao contrário. Somos eternos aprendizes. Outro elemento integrante da vontade de aprender é a pretensão. Ela aspira desejos e nos impulsiona rumo a buscas inquietantes. É ela quem motiva o idoso a alcançar seus sonhos, projetando-o ao encontro de novos projetos, o que é saudável. A pretensão focada viabiliza o que parecia impossível. Idosos com essas qualidades crescem em talentos e habilidades. O filósofo Sócrates disse e escreveu uma frase simples, mas de sentido profundo: “Só sei que nada sei!”. Agora, querida leitora e querido leitor, é o momento de fazer uma pausa e olhar para dentro. Que tipo de idosa, idoso, você vê em seu espelho mental?

Sonho a realizar – O que é saudar? É felicitar, sentir júbilo, aclamar. Saudações são atitudes significativas nas relações interpessoais, sempre bem recebidas e de resultados agradáveis. Imaginemos, então, a saudação à nossa própria vida, as consequências decorrentes dessa abertura mental. O idoso, embora com os achaques da idade, como raciocínio mais lento, reumatismo e outras limitações corporais, deve escolher saudar a vida. Ignorá-la será um erro, do qual poderá se dar conta tardiamente.
A medicina avançou e trouxe mais qualidade de vida para todos. A Gerontologia, juntamente com outros estudos, se encarregou da nova compreensão sobre a vida do idoso. A longevidade implica mais planos em ações na idade avançada, trabalho mental por vezes difícil para os idosos. Aos idosos é sugerido leituras, caminhadas, participação de coral, aulas de dança, Informática e Musica, exercícios físicos, grupos de teatro, espiritualidade. Integrar-se, enfim, em grupos de aprendizado, lazer e diversão.  Todas essas atividades tonificam o cérebro e ativam a memória, trazem saúde, realização, felicidade e até retardam e previnem o temido mal de Alzheimer.
Num encontro de terceira idade, eu, Cleusa, conheci uma vovozinha espirituosa e feliz. Pedi licença e lhe perguntei se tinha algum sonho ainda a realizar. Ela respondeu, prontamente: “Sim. Aprender a tocar piano”. O assunto me interessou, travei conversa. Na casa dela há um piano abandonado. O instrumento era de sua mãe, falecida há 11 anos. Desde então ninguém toca nas teclas dele. E mais, a neta da vovó estuda música e se dispôs a lhe ensinar piano.
Cabe a cada idoso a concretização de seus sonhos, a saudação à vida. Nos relatos vimos como Olívia e Toninho saúdam a vida e como a vozinha pretende realizar o seu sonho.
A sociedade carece dessa maturidade ativa, feliz e serena, mas às vezes esquece que o idoso tem capacidade de contagiar, alegrar, filtrar as dificuldades, viver o lado mais belo que a jornada terrena oferece. Sem outras opções, muitos idosos passam o dia diante da TV.
Lembrem-se: o ressentimento adoece e tira a magia; a alegria contagia e cura.
Saudemos o Dia Nacional do Idoso, 1º de outubro.
Maria, Mãe da Alegria, abençoe-nos. Amém!




Fonte: FC ediçao 970-OUTUBRO 2016
Postado por: Família Cristã




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