O melhor presente de Natal

Data de publicação: 30/12/2016


Natal aproximando-se e muitos pais já se preocupam em comprar os presentes para seus filhos e no quanto vão gastar. Mas será que o melhor presente está à venda?


Por: Rosangela Barbosa

Cena de Natal: a árvore montada, rodeada de presentes, a ceia posta, a família que havia algum tempo não se via, colocando a conversa em dia. Chega a hora de abrir os presentes e as crianças correm até a árvore para pegar o seu. Abrem os pacotes e encontram o brinquedo (ou o celular ou o vídeo game) que pediram ao Papai Noel. Os pais, satisfeitos, acreditando que deram o melhor aos seus filhos, continuam a festa.  E, mais uma vez, passa despercebido o fato de que o presente mais importante para os filhos são eles mesmos. “Muitos pais pensam que dando o presente desejado pela criança podem compensar a falta que fizeram a ela durante o ano”, observa a psicopedagoga Maria Teresa Messeder Andion.
Em 2014, uma famosa empresa transnacional do segmento de móveis e decoração, a IKEA, lançou uma campanha publicitária para o Natal, que foi muito premiada.  Nela, crianças foram convidadas a escrever duas cartas: uma para o Papai Noel e outra para os seus próprios pais. O conteúdo das cartas aos pais impressionou: “Queridos pais, quero que tenham mais tempo comigo”, “Eu gostaria que jantasse mais conosco”, “Quero que leiamos uma história”, “Quero ficar um dia junto de vocês”, “Quero brincar de futebol com você”. Foi uma ideia simples, revelando claramente a necessidade de as crianças terem contato direto com seus pais e que não há presente que substitua essa convivência.
Com a experiência de 18 anos atendendo pais e filhos no consultório, Maria Teresa explica que anda faltando dinâmica familiar nos tempos atuais. “O que há são pais modernos que trazem uma superficialidade para a relação com seus filhos.” A boa qualidade de uma relação entre pais e filhos, lembra ela, deve ser cultivada o ano todo e não só no clima natalino. “Os pais participaram das atividades escolares, tiveram tempo de escuta para seus filhos e os ouviram falar sobre a escola? Deixaram que eles ajudassem nas tarefas simples da casa, fizeram refeições juntos?”, questiona ela.  São reflexões necessárias até mesmo para que o simples gesto de presentear, seja em qual data festiva for, inclusive no Natal, ganhe maior significado.
Maria Teresa lembra que até a entrega de presentes, quando feita com distância emocional e física, colocados ao redor da árvore, por exemplo, traz um aspecto negativo. “A criança recebe e fica brincando, e os pais não participam do momento. Falta a interação.” Uma bicicleta cara e supermoderna não terá muito valor emotivo para uma criança ou adolescente se os pais nunca pedalaram com eles. “O presente mais caro não significa que ele seja o melhor.”

“Pedaladas” em família –
A repercussão do ato de presentear na vida dos filhos e até o de vivenciar um Natal mais interativo é bem significativa, pois faz parte do modelo de aprendizagem familiar. “A criança é educada por imitação. Ela imita os padrões da família”, explica a psicopedagoga. “Sempre alertamos os pais quanto às boas modalidades de educação, pois quando adultas as crianças levarão os modelos aprendidos para seus filhos.” E mais: filhos, sejam crianças ou adolescentes, que têm a presença dos pais, inclusive na hora de ganhar presentes, serão muito mais felizes e terão uma rica memória afetiva.
Voltando ao exemplo da bicicleta: ganhar uma bicicleta é uma coisa, mas ganhar uma bicicleta e ter o pai ou a mãe pedalando juntos nos passeios com ela é outra. É um presente que ficará na memória, e a lembrança mais forte será a da companhia dos pais nos passeios, ensinando o filho a pedalar, caindo e levantando juntos. O mesmo acontece quando a menina ganha uma boneca e os pais brincam com ela de casinha. “É um exemplo de fortalecimento do aspecto afetivo. É muito mais que uma experiência lúdica e permanecerá para toda a vida.”

O melhor presente –
A paulistana Yalis Kluska Donini traz na memória uma bonita lembrança do Natal: todos os anos, os seus pais a levavam com os irmãos à missa e depois, em casa, antes da esperada ceia, faziam uma oração especial em família. Hoje, já adulta, ela traz dentro de si o valor da união familiar, tanto que repete a experiência da infância, agora também com o marido, Ricardo Donini,e o filho, Lucas. “Natal,para nós, é estarmos juntos, em família. Sempre foi assim para mim e para o Ricardo também”, conta. O pequeno, que é presenteado com a presença dos pais o ano todo, já sabe que o melhor Natal tempera um pouco mais esse gostinho de união familiar e também de fraternidade. Os pais fazem parte de um grupo de amigos que sempre se reúne para ajudar instituições assistenciais.
E, neste ano, Lucas participou da entrega de brinquedos para crianças de um abrigo, dias antes do Natal. Mesmo criança, já tem experiência na prática de doação, pois foi ensinado a doar seus brinquedos e roupas que não usa mais, em bom estado, para as crianças carentes. “É muito bom ajudar as pessoas, porque elas ficam felizes e não falta nada para elas”, conta, feliz e com a doce sabedoria de quem tem 6 anos de idade. “Acho que o melhor presente de Natal que damos a ele é mostrar o caminho da fé em Deus, a importância da união da família, mesmo nas dificuldades, e da ajuda ao próximo”, lembra Yalis.
Os pais de Camila, de 6 anos, Cláudia Olivieri Gonçalves e Luís Gonçalves, vão pelo mesmo caminho. “O Natal para nós é sempre em família, e os preparativos começam já em novembro, com a montagem da árvore”, conta Cláudia. Uma época bem divertida para Camila, que adora montar a árvore e o presépio. “Conversamos muito sobre o significado do Natal, o nascimento de Jesus. E também mostramos que o bom do Natal é cada um compartilhar o que tem.”  Os pais de Camila são presença na vida da pequena. “Camila demorou para chegar e foi nosso sonho realizado. É muito legal ter o filho perto e acompanhar o crescimento dele”, conta Cláudia, jornalista que atua no Bora.aí (www.bora.ai.com.br), site com dicas de passeios para os pais levarem seus filhos de até 13 anos de idade. “No site, a gente incentiva os pais a se organizarem e levarem seus filhos para passear”, conta a jornalista. O site também é uma forma de estimular os pais a presentear os filhos com bons momentos juntos.
BOX
A cesta de Natal. Uma boa “cesta de Natal” para a família, na verdade, é construída ao longo do ano. “A família moderna precisa ter mais consciência da importância da participação, do diálogo e afeto na vida dos filhos”, ressalta Maria Teresa Messeder Andion. Mas, para o Natal ficar mais especial, ela dá algumas sugestões simples, presentes especiais que não estão à venda em local nenhum.
Brinquedos e jogos simples. Como o quebra-cabeça ou pega-varetas. São tipos de jogos que trazem regras, e as regras são um modelo de educação. Uma opção interessante e divertida para os pais jogarem com os filhos e ensinarem as regras do jogo.
Participação e afetividade. Um Natal alegre e participativo depende da interação de pais e filhos e começa antes do dia 25. Desde o momento de parar, pensar e escrever as cartinhas para o Papai Noel, montar a árvore, até a preparação da ceia, a colocação da mesa. O diálogo não pode faltar e aí pode ser colocada a questão dos presentes, pensando juntos o que cabe no orçamento da família ou também a questão do merecimento: se a criança foi ou não boa aluna e como se comportou durante o ano. E introduzir a história do nascimento de Jesus, resgatando o verdadeiro sentido do Natal, não pode ficar de fora dessa cesta.




Fonte: FC ediçao 972-DEZEMBRO 2016
Postado por: Família Cristã




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