Cuidado para não cair

Data de publicação: 14/02/2017


Medidas simples podem evitar acidentes e quedas domésticas entre idosos




Por: Fernando Geronazzo

Quem conhece uma típica casa da vó? Aquele piso de madeira brilhando de cera, tapetes em todas as entradas, quando não, aquelas passadeiras de retalhos trançados, na cozinha, em cima do armário, aqueles potes decorados para armazenar os mantimentos, cada um de um tamanho. Porém, esses detalhes bonitos de uma casa bem cuidada podem esconder verdadeiras armadilhas para uma pessoa idosa.
O Ministério da Saúde estima que, pelo menos uma vez por ano, cerca de 30% dos idosos irão cair. Essas ocorrências tendem a crescer entre as pessoas com mais de 85 anos, podendo chegar a 51% nessa faixa. Junto com as quedas, os riscos de fraturas também aumentam: de 5% a 10% das quedas resultam em ferimentos mais graves nos idosos.
A gerontóloga Thais Helena da Silva Freitas, gerente da Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI), que atua em convênio entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Social Santa Lúcia, explica que as quedas dos idosos podem ser ocasionadas por fatores internos, relacionados com o avançar da idade e das transformações físicas próprias dessa fase da vida, como também podem ser fatores externos do espaço ao redor da pessoa.

O caminho – Na residência, é preciso pensar no plano de trânsito do idoso. “Temos que evitar colocar móveis baixos, fora do campo de visão, no meio de seu caminho, porque ele pode sofrer um esbarrão ou desequilíbrio”, afirma Dra. Thais. “Com a redução da acuidade visual, eles terão mais dificuldade para identificar a diferença entre piso, parede e móveis, que precisam ser diferenciados por cores”, completa.

Banheiro – O piso deve ser nivelado, sem declive ou aclive. Também não é aconselhável que haja boxe ou cortinas ao redor da área de banho, pois tanto o trilho quanto a própria porta do boxe podem provocar tropeços ou desequilíbrio. As pias sem quinas, os vasos um pouco mais elevados e o auxílio de uma cadeira de banho ou mesmo algum outro assento também são importantes.

Barras – São elementos essenciais nos banheiros, seja junto ao vaso sanitário, seja próximas do chuveiro. “As barras podem ser caras, mas não é muito mais caro se um idoso sofre uma queda, fratura um fêmur ou sofre um corte”, indaga a gerontóloga, que completa. “Esses cuidados todos não significam que a queda não vai acontecer. Isso reduz o risco.” Além dos banheiros, as barras são aconselháveis nos corredores e quintais.

Quartos – As quedas nos dormitórios muitas vezes acontecem pela falta de iluminação. As luzes de vigília, fixadas ao alcance das mãos, são grande ajuda. Também um interruptor colocado junto à cama facilita muito. Quando essas adaptações são inviáveis, dra.Thais dá uma dica simples: “Colocar uma lanterna debaixo do travesseiro ou junto à cama já ajuda o idoso”.

Cozinha – Uma simples cadeira, por exemplo, pode auxiliar em muitas atividades que não necessariamente precisam ser feitas em pé, como cortar carne ou enxugar louça. “É bom que as coisas que a pessoa utiliza sempre na cozinha estejam ao alcance da mão, para não precisar se esticar muito ou subir em algum banquinho para pegá-las”, orienta a profissional.

Tapetes e pisos – “Mesmo que seja aquele tapete emborrachado que gruda no chão, ele muda a textura do solo e isso já dificulta a percepção do idoso”, alerta dra.Thais. Quando há a possibilidade de reformar a casa, é bom optar sempre pelos pisos antiderrapantes. Se a reforma não é possível, existem fitas e placas adesivas antiderrapantes para serem colocadas no solo, principalmente nas escadas e desníveis.

Medicamentos – O uso de medicamentos em determinados horários pode causar alguma mudança do comportamento físico dos idosos que aumenta o risco de quedas. Às vezes, uma simples adaptação da rotina pode evitar acidentes. “Se alguém toma o medicamento ao meio-dia, por exemplo, evita-se atividades que exijam ficar em pé logo após seu uso.”
Pés – Com o avançar da idade, os pés perdem a sensibilidade, pois a pele fica mais fina. Por isso, o cuidado com os pés, isto é, a podologia pode evitar quedas. O tipo de calçado mais indicado são aqueles que prendem nos pés, como sandálias que prendem no calcanhar e sapatos, sempre com solado antiderrapante.  “Aquele tradicional chinelo felpudo da vovó não é aconselhável, porque não prende nos pés e não dá sensibilidade suficiente ao pisar”, afirma a gerontóloga.

Incontinência urinária – Também pode ser causadora de quedas em diferentes aspectos, seja pelo fato de deixar o chão molhado e provocar escorregões, ou pelo fato de provocar idas noturnas ao banheiro. “As pequenas perdas urinárias comuns da idade podem ser evitadas com uma frauda. No caso da incontinência noturna, pode-se usar dispositivos como uma ‘comadre’ ou ‘papagaio’ junto à cama. Isso evitará que o idoso levante à noite para urinar, evitando quedas”, indica.

Movimento – A mobilidade é muito importante para o idoso. “É bom que a pessoa idosa ande, caminhe, desça e suba escada com auxílio de corrimão, para que haja fortalecimento muscular”, destaca dra.Thais, que também alerta que essas adaptações não são para limitar os idosos, mas para manter a funcionalidade dessas pessoas durante o maior tempo possível.  Os chamados dispositivos de auxílio à marcha, bengalas e andadores, dão mais segurança na caminhada do idoso.

Não se isolar – Além dos cuidados internos e externos, algo indispensável para diminuir os riscos de quedas e demais acidentes com idosos é a chamada rede de suporte social. “Quanto menor essa rede do idoso, maior é a sua vulnerabilidade em todos os aspectos, inclusive na situação de quedas”, informa dra.Thais. Ter pessoas que com certa frequência visitam ou acompanham a rotina de um idoso é uma forma de rede. Contatos, pessoas próximas que conhecem a rotina do idoso, participar de grupos de apoio, comunidades, paróquias, tudo isso forma uma rede que permite que o idoso nunca esteja isolado, sem perder sua independência e individualidade.




Fonte: 941 - FC maio 2014
Postado por: Família Cristã




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