Vencer a crise conjugal

Data de publicação: 20/02/2017

Se se está em crise e existe amor, tentar buscar as causas e enfrentá-las com firmeza e ternura.
Mais da metade dos casais em crise poderá sair dela assim.



Por André Luís Kawahala e Rita Massarico Kawahala

Dia desses, uma pessoa nos disse que o divórcio é reflexo da falta de Deus na vida do casal. Exatamente. No entanto é preciso entender que essa presença de Deus não significa apenas rezar e seguir preceitos, mas sem o compromisso com Ele. Crer em Deus ajuda a trazer para a vida de cada pessoa e, consequentemente, do casal, motivações para um exame de consciência diário, que leva a pessoa a mais um passo na conversão de vida. No Matrimônio isso faz uma grande diferença, que fortalece o relacionamento. Mas, atualmente, outros fatores interferem no relacionamento conjugal.

Raízes profundas – Um divórcio não acontece de repente. Assim como o casamento duradouro, o divórcio também pode começar no tempo do namoro. Nem todos sabem o que é um relacionamento a dois e como desenvolvê-lo. Casais não se preocupam em se conhecer profundamente. Diferentemente do convívio com familiares ou com amigos ou colegas, o relacionamento de casal cresce com o aprendizado, a dedicação e, principalmente, o esforço mútuo. Tudo começa a ruir quando o casal vive somente um jogo de interesses egoístas, em que só o “eu” e o “meu” importam. Se se esquecem do “nós” e do “nosso”, tudo complica.
Mas é importante ressaltar que muitos agem assim por não saberem se relacionar. A família é “o primeiro lugar onde se aprende a se relacionar com o outro, a escutar, partilhar, suportar, respeitar, ajudar, conviver”, e onde se “rompe o primeiro círculo do egoísmo mortífero, fazendo-nos reconhecer que vivemos junto de outros, com outros, que são dignos da nossa atenção, da nossa gentileza, do nosso afeto”, diz o papa Francisco (Amoris Laetitia, 276). Se na família faltar essa educação afetiva e para o relacionamento poucos o aprenderão na atual vida social, onde o individualismo emperra as relações. Ajudar as famílias a educar seus filhos para os relacionamentos é primordial para que no futuro os casamentos possam frutificar.
Falhas e quedas no caminho – Na caminhada do relacionamento a dois, pequenos passos devem ser dados: o olhar sereno e sincero para o outro; a palavra de reconciliação; o toque terno e afetuoso só pelo carinho; a mortificação hoje para chegar à alegria no dia seguinte. Mais da metade dos casais em crise poderia parar com o processo de destruição do casamento com esses pequenos passos. E se não for possível fazê-lo com a ajuda mútua em casal, talvez o seja com a ajuda de psicólogos e terapeutas familiares. Basta ter vontade. É certo que quando alguém se separa sem esgotar todas as possibilidades de resgate, é comum haver arrependimento e, em algumas vezes, há a possibilidade da reconciliação.

Problemas graves – Existem problemas bem graves, cuja solução é mais complicada. Egoísmo exacerbado e até patológico; ciúmes e costumes obsessivos; comportamentos compulsivos e vícios; machismo exacerbado e doentio, maus-tratos e violência doméstica; pedofilia e efebofilia (atração sexual por adolescentes); entre outros tantos males. Quando coisas assim acontecem, é difícil manter a união. Por diversos motivos, essas situações não foram resolvidas no namoro e noivado, e o casamento aconteceu. Não há erro dele ou dela. Apenas um engano e a ilusão de que tudo passaria depois do casamento. Mas não passa. A separação torna-se quase inevitável.

Ajuda dos irmãos – Mas o que se pode fazer quando acontece o divórcio? Papa Francisco aconselha a acompanhar os cônjuges separados, ou quem aceitar essa ajuda (cf. Amoris Laetitia, 241-242). Para tanto, diz o papa, é “indispensável um discernimento particular para acompanhar pastoralmente os separados, os divorciados, os abandonados”. Com essa ajuda, eles poderão reencontrar a própria dignidade, ter bálsamo derramado sobre as feridas, reconstruir a vida com olhos voltados para Cristo e para os verdadeiros valores humanos, a fim de poderem descobrir até onde Deus os poderá levar. É uma pastoral exigente, mas que deve ser trabalhada sem medo.

É possível vencer a crise conjugal – E como é possível isso? Ser cristão é ser atento para ser melhor dia após dia, convertendo sua vida pelo seguimento de Cristo. No relacionamento, ser de Cristo é avaliar se a união tem sido boa para ambos. Se se está em crise e existe amor, tentar buscar as causas e enfrentá-las com firmeza e ternura. Mais da metade dos casais em crise poderá sair dela assim. E se nada der certo, não tema: Deus e os irmãos estarão sempre disponíveis para ajudar a caminhar, quando o cansaço e a dor parecerem grandes demais.




Fonte: FC edição 974 - Fevereiro 2017
Postado por: Família Cristã




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