Meninas Mães

Data de publicação: 22/02/2017


Por Cleusa e Alvício Thewes


Mães adolescentes, nessa realidade pais sábios são potencializados na sabedoria do tempo,
pois há tempo para soltar os filhos e tempo para protegê-los




Nina, 13 anos – A adolescente está grávida de cinco meses. Sua mãe descobriu a gravidez pelos sintomas – vômitos, cansaço, tristeza –, e ficou profundamente abalada com o inesperado descobrimento.
A mãe, sofrida, revela: “Eu não esperava isto, mas preciso cuidar dela e da criança”. Nina fez o pré-natal e outra surpresa chocou a família. Ela contraiu uma doença venérea que pode comprometer a saúde do bebê.
A mãe de Nina sente-se culpada e comenta: “Cuidei da minha filha e a orientei, mas bastou um descuido para ela enveredar pelo mau caminho. Agora só me resta rezar e buscar em Deus forças para enfrentar esta barra”. 

Melissa, 15 anos
– Melissa é mãe de um bebê de 8 meses. Durante a gravidez, a família a fez residir com o pai do seu filho. Ele tem 18 anos, está desempregado e foi convocado para o serviço militar obrigatório, podendo ser chamado a qualquer momento para se apresentar ao quartel. Além disso, ele já tem outro filho de relacionamento anterior.
Melissa não trabalha, nem estuda. Ocupa-se com a casa e com o filho. Antes da gravidez, passeava, estudava e tinha amigos. Outro dia ela chorou e desabafou: “Minha vida tá uma droga. Estou gorda e feia. Passo dia e noite dando o peito ao filho, não durmo e só tenho vontade de chorar. Não posso trabalhar”.

Vulnerável adolescer
– Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que em 2007, no Brasil, aconteceram 3 milhões de nascimentos, e destes, 21,3% foram de meninas entre 10 e 19 anos.
As Unidades Básicas da Saúde da Família (UBSF), instituídas pelo Ministério da Saúde, oportunizam o cuidado da saúde à população em geral e às gestantes oferecem programas especiais, com pré-natal, consultas médicas, exames e palestras formativas sobre parto, amamentação, cuidado do bebê, importância do vínculo afetivo entre mãe e filho etc.
As adolescentes comparecem às UBSF já grávidas. Esse fato revela toda a vulnerabilidade social, biológica e emocional em que vivem meninas e meninos. De certa forma as adolescentes são vítimas do caos social e familiar no Brasil. As famílias vêm se desintegrando ao longo dos anos e perdendo seus valores morais. Com isso criam sementes frágeis, que aceitam facilmente o envolvimento sexual.
As adolescentes grávidas, embora coniventes, são frágeis sementes desabrochando para a vida. Mostram-se tenras e verdes para as exigências da maternidade. Elas não desejam nem programam a gravidez. A irremediável realidade as abala e deprime.
Com a prematura gestação, aprendem que brincar de casinha e com bonecas foi um sonho descomprometido e infantil e descobrem, de repente, que bebês necessitam mais do que leite e bumbum higienizado. Necessitam de cuidados especiais 24 horas por dia, roubando todo o tempo da menina mãe.
A gravidez na adolescência oferece riscos de aborto, nascimentos prematuros, cesárias e até dificuldades para amamentação e uma possível depressão. Na consulta terapêutica, Nina mostra-se triste, fala pouco e chora muito. No olhar distante, busca o amor covarde, já longe; e no corpo arteiro, suporta as marcas de um amor traiçoeiro.

Famílias e adolescentes grávidas – As filhas adolescentes grávidas provocam culpa e vergonha nas mães. A culpa e a vergonha mal elaboradas conduzem a decisões precipitadas. Vejamos o caso de Melissa: a família, envergonhada, pune a adolescente levando-a para a casa do namorado. Essa decisão agravou a situação.
Alto lá, família! Pais, adolescentes são sementes verdes e precisam de aconchego e tempo para florescer. Família sensata não precipita decisões. Ao contrário, avalia as situações e as possibilidades dos filhos.
Quem se precipita tudo pode perder e quem reflete algo pode render. Pais imaturos escorregam nos tobogãs de falas e decisões impulsivas. Pais maduros são hábeis e pacientes jardineiros nas áridas terras da vida. Pais sábios são potencializados na sabedoria do tempo, pois há tempo para soltar os filhos e tempo para protegê-los.
Urge convocar pais, comunidades e escolas num planejamento preventivo de orientação sexual e de valores para os jovens. Muitas jovens se perdem pela ausência de perspectivas familiares e profissionais. Jovens ocupados são mentes e corações motivados. O comprometimento dos adultos é necessário para arrancar os jovens do terreno da ociosidade. Perspectiva é fundamental. Cuide-nos, ó Mãe. Amém!




Fonte: FC edição 941 - Maio 2014
Postado por: Família Cristã




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