Estações do Amor

Data de publicação: 15/03/2017


Por Cleusa e Alvício Thewes

Homens e mulheres corajosamente derrotam o desamor para vivenciar a arte de amar,
 alfabetizando-se na primeira e última lição nas estações da escola da vida




Rafael e Melissa − Cultivam mútua admiração, felizes e apaixonados.  Durante a semana, estudam e trabalham; nos fins de semana, namoram. Contornam a saudade diária trocando mensagens de encantos. O amor os inflama. Planejam um futuro juntos.

Laura e Júlio − Estão casados há 18 anos. O fogo da paixão, segundo Júlio, “abrandou”. Hoje, reinam cumplicidade, parceria, respeito e fidelidade, solidificados como rochas sobre a intimidade e o amor perenes.  Hoje ainda se encantam, não mais com o fogo da paixão, mas com os valores de cada um e com as flores nascidas e desabrochadas no ninho de amor e cumplicidade que foram capazes de construir e conservar, os filhos: Luana (16 anos), Juli (14) e Pedro (12), os quais dão um colorido todo especial na primavera do casal.

Luci (69 anos) e Dino (70)
− Eles viveram uma intensa paixão adolescente e só não se casaram porque os pais de Luci proibiram o namoro. Os anos se passaram, e suas vidas seguiram rumos diferentes. Ambos se casaram e constituíram família. Há algum tempo, no entanto, sé enviuvaram, e o destino quis que se reencontrassem. Dino e Luci nunca se esqueceram. Seu amor sobreviveu aos anos porque, segundo admitem, tinham guardado, num cantinho do coração, uma saudade secreta e nostálgica da paixão vivida e do amor proibido. Mas agora, finalmente, no outonal reencontro, depois de separados por meio século, dão continuidade ao amor adolescente proibido, felizes.

Fonte amorosa
− A humanidade tem seu princípio na infinita fonte do amor. Deus criou e mantém o amor. E quando sua criatura passa por crises existenciais, desacreditando e banalizando o amor, Deus a reconduz ao verdadeiro peregrinar humano e abriga-a na fonte do amor, onde a fortalece, equilibra, restabelecendo-lhe a interioridade e a inteireza em suas várias dimensões: somática, do corpo; psíquica, das emoções; anímica, da alma; e noética, da consciência. Na ausência do amor, o ser humano emerge solitário na secura nostálgica em busca  do princípio, do amor divino,  fonte que  irriga a vida e inspira amores entre os humanos, sob as estrelas do céu.

Estações do amor
− A metáfora das estações serve para delimitar a intensidade, o florescimento, as podas e o esfriamento das emoções, felizes ou tristes, na busca deste sentimento tão nobre e tão imprescindível à vida. As estações estão presentes no tempo do relacionamento, acompanham a idade e sinalizam ciclos de imaturidade/maturidade no aprendizado da vida e do amor.

Amor no verão − É intenso. Caracteriza o encantamento, a paixão, o fogo interior. O amor de verão queima tanto que cega e derrete os defeitos da amada ou do amado. Nessa fase da vida, a felicidade, a tristeza, a impulsividade, o ciúme, a possessividade alteram-se constantemente, correndo-se o risco de torrar a própria identidade na queima sacrificada da individualidade. No verão, opiniões e ideias quentes são armas de combate, que tornam o dono da razão vitorioso e orgulhoso.  Desabafa a esposa frustrada: “Ele já me desrespeitava durante o namoro. Como pude aceitar e não enxergar que seria sempre assim?”.

Amor na primavera − O casal vive um desabrochar. Colhe a cumplicidade e a parceria dos projetos semeados. Filhos brotam de um amor fecundo. O afeto transmite segurança. Na primavera do amor, surge o desafio do convívio nas diferenças. O casal enxerga-se nos defeitos e limites e equilibra as forças do combate.

Amor no outono − Poda a necessidade do combate. Apara as folhas da agressividade. Permanece o que robustece a árvore do amor conjugal: o amor enxertado, cuidadoso, respeitoso, confiante. O sol do verão da vida aquece a intimidade. A primavera presente são as flores de risos e brincadeiras. O perfume da primavera da vida é o companheirismo, o reconhecimento das necessidades mútuas, excluídas de cobranças. O amor entra na fase do jardim.

E o inverno do amor? − Carregado de cabelos brancos como neve, traz o frio distanciamento das limitações físicas e o aconchego na lareira do coração. A característica do inverno da vida é o recolhimento, a meditação. No inverno do amor, os casais fazem o balanço da união.  Nessa fase da vida, os amores se restabelecem das crises, das queimaduras, das podas, maturando e aceitando as escolhas que brotaram no verão, floresceram na primavera e hão de se apagar no inverno. O relacionamento invernal deve privilegiar e conduzir ao aconchego, ao fogo interno da lareira familiar, ou seja, à lareira dos corações. É fácil amar? É simples ser amado? Deixo essas indagações aos homens e às mulheres que corajosamente derrotam o desamor para vivenciar a arte de amar, alfabetizando-se no amor, a primeira e última lição na escola da vida.
Mãe do Amor, assim seja. Amém!




Fonte: FC edição 942 - Junho 2014
Postado por: Família Cristã




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