Vínculos Paternos

Data de publicação: 15/03/2017

Por Cleusa e Alvício Thewes

As crianças gostam de ver pai e mãe juntos na condução da família e querem estar na companhia deles



Tomás, 58 anos – pai de três filhos, Bruno, Anita e Davi, respectivamente com 28, 25 e 18 anos. Davi, o caçula, tinha cinco anos quando ocorreu a separação conjugal de seus pais. Não foi uma separação como aquelas com que estamos acostumados a lidar nos consultórios. Não foi consensual, nem litigiosa.  A esposa de Tomás e mãe de seus filhos simplesmente foi embora. Em minutos, Tomás ficou sem esposa e os filhos sem mãe. Ele ficou perplexo e apavorado. Segundos antes tinha a vida bem organizada e agora se via sozinho. Como dar conta dos filhos? Não estava preparado para assumir a tarefa. Mas não tinha saída. Jamais deixaria seus amados filhos ao desabrigo. Uma semana após ser abandonado pela esposa, sucedeu-lhe outra desgraça. Ele perdeu o emprego. Tomando o rosto molhado de lágrimas entre as mãos, Tomás se ajoelhou e chorou. Perdera a mulher e o emprego, assim, de repente, sem pré-aviso.  Como sustentar as crianças e a si próprio? Elevou o pensamento a Deus e entregou sua vida e a dos filhos nas mãos dele, implorando por ajuda. Dias depois, oferecerem-lhe um novo emprego. Não era o que queria, mas ele agradeceu e foi trabalhar com a mesma garra com que já havia assumido o duplo desafio de ser pai e mãe. Comentando a rotina diária que teve com os filhos, ele declara: “Refeições, banhos, tarefas escolares, aprender a lidar com a febre, levar e buscar na escola, dar atenção às necessidades e às diferenças de cada filho, administrar a casa e o trabalho, tudo isso exigiu paciência, equilíbrio emocional. Foi cansativo”.
Tomás superou todos os impasses. Sua família uniparental manteve-se forte e unida e, graças a isso, saiu-se vitoriosa.   “Os vínculos que formamos não há dinheiro no mundo que pague”, afirma o pai, com certa dose de orgulho. Quem convive com eles logo nota que há vínculos fortes entre pai e filhos. Bruno e Anita, hoje já casados, mantêm esses vínculos. Davi, ainda adolescente, continua residindo com o pai. 

Leomar e Clotilde
– pais de Melissa e Vitor, com 3 e 4 anos, respectivamente, precisando trabalhar, ele à noite e ela de dia, assumiram o cuidado das crianças numa parceria interessante. Ele cuida dos filhos durante o dia, e a mãe à noite. A mãe, além de cuidar deles no seu turno, também faxina, lava roupas e deixa prontas as refeições para o pai servir no dia seguinte. O pai cumpre as tarefas normalmente desempenhadas pela mãe. Leomar comentou estar muito tranquilo com as tarefas que assumiu. “Isto é ser pai”, diz.

Pai conquistando espaço
– Na cultura familiar tradicional, sempre competia ao pai prover a família. Ele pouco se envolvia com os filhos e a rotina do lar. À esposa e mãe cabia o cuidado da casa e dos filhos.
Na família atual, a visão acima transita por mudanças. Transformações culturais criaram novos arranjos familiares e novas necessidades. Paralelamente a isto, estudos psicológicos amplamente divulgados e debatidos comprovaram a influência do pai na educação e formação dos filhos. A proximidade e o envolvimento do pai com os filhos sempre foi saudável. Não obstante, há mães que dispensam a presença paterna na criação e educação dos filhos. As boas notícias vêm do lado contrário, das mães queixosas da ausência paterna. Estas querem e cobram o envolvimento e a participação mais efetiva dos pais. Isto tem provocado uma evolução do papel masculino na família. Esta evolução, aliás, veio ao natural. A mulher de hoje estuda e busca realização profissional. É uma mulher redefinida, com nova cabeça e novos horizontes, que constantemente reavalia e questiona a exclusividade da dedicação maternal. Este novo enfoque feminino a faz partilhar com o esposo o cuidado dos filhos. E todos saem gratificados. Pais e filhos. Estes mais do que os pais, pois são duplamente fortalecidos pela presença participativa da mãe e do pai.

Vínculos paternos
– Estudos realizados com adultos cujos pais foram presentes e se envolveram em sua educação até os cinco anos comprovaram a influência paterna na formação do caráter e da conduta dos filhos. Eles se tornaram adultos mais seguros, compreensivos e humanos do que aqueles que tiveram pais ausentes. Os adultos que haviam recebido mais carinho e atenção de seus pais têm melhores relacionamentos familiares e sociais. Isto se evidenciava nos casamentos mais felizes e duradouros, no envolvimento deles com seus próprios filhos e na prática de atividades de lazer com pessoas que não são familiares. A segurança emocional e social desses pais vem dos seus fortes vínculos paternos.

Papai voltando para casa – Nunca na história humana a família passou por tantas crises e transformações tão radicais. Em toda parte há abandonos, separações, divórcios, litígios pelos motivos mais diversos e muitas vezes inusitados e insólitos. Os filhos de Tomás foram abandonados pela mãe como se fossem utensílios sem valor. Felizmente eles tinham e ainda têm um pai de fibra. As estatísticas também revelam alto índice de delinquência juvenil. Todo esse quadro quase caótico tem origem educacional, com forte contribuição dos pais. Mais presença afetiva dos pais na criação e educação dos filhos já amenizaria a situação. Envolvam-se homens de boa índole. Marquem presença na vida dos filhos (meninas e meninos), antes que o traficante ou o bandido os arrastem para o mundo das drogas e do crime. Se você se afastou de sua filha ou de seu filho, faça o caminho de volta. Aproxime-se, envolva-se, exerça o seu papel de pai. Toda criança necessita de um pai presente. Ela se abastece emocionalmente no envolvimento comprometido do pai. Desde pequena a criança percebe que os pais tomam juntos decisões a seu respeito. Mas, infelizmente, estudos também indicam que nem todo homem serve para ser pai. Há homens que contribuem negativamente na educação dos filhos, sendo até mesmo afastados pela Justiça da companhia deles e impedidos de vê-los.
Confiança, papai! Mãe Maria, abençoa os pais. Amém!




Fonte: FC edição 968 - Ago-2016
Postado por: Família Cristã




Comentários


Comente





Compartilhe este conteúdo:


Veja Também

Consumir conscientemente
Consumo consciente é o ato de adquirir e usar bens de consumo.
Viagem com crianças
“Todos sabemos a dificuldade que é manter uma criança pequena sentada durante muito tempo..."
Arte e travessuras
A era digital chegou com presença, ocupa seu espaço, distrai e aproxima a família.
Armadilha sobre rodas
Se fossem automóveis, todos os andadores infantis do País já teriam sido convocados para um recall.
Ceder ou não ceder?
Você quer ter razão ou quer viver em paz? Muitas vezes é preciso escolher entre uma e outra coisa.
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Próximo Final

Termos mais pesquisados

Busca avançada
Copyright © Pia Sociedade Filhas de São Paulo - Brasil - Direitos Reservados