Autoestima sem tamanho

Data de publicação: 16/03/2017

Por Karla Maria

Jovens inspiram autoestima por seu físico,
quebram padrões e desafiam publicitários e o mercado de vestuário a se adaptarem à realidade da população brasileira



A obesidade afeta o bem-estar, e quem está acima do peso demanda o exercício da aceitação em um meio que considera essa pessoa um fracasso moral. Essa é uma das constatações a pesquisa Percepção de pessoas obesas sobre seu corpo, conduzida pelo Projeto de Estudo sobre o Excesso de Peso (PEEP) da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
A mesma pesquisa, realizada pela professora do Curso de Enfermagem da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, Tassia Teles Santana de Macedo, revela que o sofrimento psicológico da pessoa com obesidade (realidade que hoje atinge 17,4% da população brasileira, enquanto que aqueles com sobrepeso são 52,5%) “é decorrente dos estigmas sociais e de valores ligados à cultura atual, que considera o corpo gordo feio e inaceitável”.

Considera-se que a pessoa com sobrepeso possui um Índice de Massa Corporal (IMC – medida internacional usada para calcular se alguém está acima do peso ideal) entre 25 e 30 pontos, enquanto que o obeso ultrapassa os 30 pontos.
“Muitos pacientes se discriminam, tratando seu corpo como instrumento de insatisfação, mostrando nos relatos a decepção com o corpo, com a aparência e também com a saúde, deixando evidente que tudo isso influencia negativamente no tratamento, que deve ser voltado também para os transtornos de âmbito social e psicológico desses indivíduos”, avalia a enfermeira responsável pelo estudo.

Padrões de beleza – Quem determina, contudo, se um corpo é bonito ou feio? Estudos antropológicos apontam que as transformações dos padrões de beleza do corpo feminino ao longo do tempo marcaram a evolução de diferentes visões sociais acerca do modelo estético que deveria ser incorporado pelas mulheres. A forma como elas eram retratadas no período colonial, por exemplo, se distancia bastante do modelo buscado atualmente, e a tendência é essa visão se modificar, o que evidencia que os padrões são produtos de uma cultura.
Essa cultura muda com o passar das gerações e com o avanço das tecnologias, ampliando e modificando conceitos que antes eram preconceitos, tanto que hoje há pelas redes sociais e em canais no YouTube pelo mundo, jovens que ensinam e inspiram homens e mulheres a romperem com os padrões de beleza e se amarem, independentemente do tamanho de seus corpos, importando mais a sua saúde.
É o caso da carioca Gisella Francisca, de 34 anos, que vive entre Oslo, capital da Noruega, e o Rio de Janeiro (RJ). Ela é curadora de estilo e comunicação e há sete anos criou um blog com reflexões pessoais sobre estilo de vida, moda e beleza para mulheres bonitas como ela, mas que não se encaixam nos manequins 40, 42, 44; são os chamados comercialmente de modelos plus size.
“Como influenciadora de opinião, não faço mais do que minha obrigação quando falo repetidamente que a beleza natural e os valores de vida são o que importa na verdade. Eu também fico muito feliz em mostrar que há beleza fora dos padrões a que fomos acostumados e que, no meu blog, poderia ser qualquer mulher que vemos na rua todos os dias”, diz Gisella.
Ela também é jornalista e vê a mídia como um instrumento determinante no estabelecimento de padrões culturais e, consequentemente, na determinação daquilo que é bonito, correto. “Num país como o Brasil, onde, infelizmente, a mídia é o principal influenciador de comportamento e, mais triste ainda, de personalidade, é extremamente importante que ela tenha um cuidado grande com as mensagens que espalha. As pessoas muitas vezes nem percebem como estão sendo influenciadas negativamente”, avalia a jornalista.

Exercício de aceitação – Outro exemplo de influência positiva na busca por amor-próprio está na página Gordinhas Sempre na Moda, no Facebook. Ali, cerca de 50 mil pessoas curtem e acompanham os posts de Darlhane Cordeiro de Jesus, de 28 anos. Ela mora em Cubatão, no litoral paulista, e criou a página para compartilhar as dificuldades que ela e outras mulheres enfrentam para encontrar roupas com numeração acima de 44.
“Passei a minha juventude fazendo dietas malucas. Minha aceitação veio aos poucos e hoje sou feliz com meu corpo e o número que visto, 52”, diz Darlhane, que diariamente posta dicas de moda para mulheres. A pesquisadora Tassia lembra que ser obeso representa sofrer preconceitos e ser alvo de apelidos pejorativos, o que leva a constrangimentos e até isolamentos na tentativa de se proteger dessa situação. “Tudo isso faz com que eles se sintam rejeitados e fracassados pela sua condição de obeso, por isso, jovens blogueiras nas mídias contribuem para estimular os portadores de excesso de peso a valorizar seu próprio corpo e sua beleza, melhorando assim a autoestima.
“Iniciativas como a minha e a de Darlhane têm papel extremamente importante na criação de uma cultura crítica aos padrões e ao dar mais valor às pessoas da vida real. Na moda plus size, por exemplo, não há revistas específicas, por isso são as blogueiras que espalham as tendências”, afirma Gisella.
Segundo dados da Associação Brasileira do Vestuário (Abravest), o segmento plus size cresce 6% ao ano e movimenta cerca de 5 bilhões de reais, porcentual que corresponde a aproximadamente 300 lojas físicas e aproximadamente 60 virtuais. A expectativa, de acordo com a associação, é ver o setor crescer 10% a cada ano, mesmo em tempos de crise.
“Não posso negar que dez anos atrás era impossível achar uma roupa bonita para quem usava acima de 44, hoje já é possível, mas ainda falta muita coisa”, desabafa a blogueira.
Gisella está grávida e espera um menino, a quem ela pretende inspirar. “Acredito que o fato de eu ter sido criada por mulheres fortes, independentes e muito batalhadoras me fez ter uma consciência do meu valor bem mais cedo na vida. Essas mulheres também eram vaidosas. Esse era o exemplo visual e comportamental que tive em casa”, revela a jornalista, que a seguir deixa dicas para o exercício diário de aceitação e amor-próprio por nossos corpos, independentemente do tamanho que eles tenham.

Dicas de Gisellla Francisca para se amar como se é.

Exalte a presença e não a falta – Promova o que você tem de bom e não o que você precisa ter. Liste tudo de bom que faz: cozinho bem, sou atencioso(a) com meus amigos, sou carinhoso(a) com meus pais, amo animais, me visto bem, falo bem em público, sei costurar… Com o tempo isso vai ficando mais natural e fácil de fazer.
Agradeça a que o seu corpo faz por você – Você corre, pula, levanta, digita, vê milhões de cores, sente um toque na ponta do dedo mindinho do pé.  Milhões de sensações maravilhosas estão acontecendo agora no seu corpo. Você está reclamando de quê?
Siga exemplos de pessoa real – Se você fica se martirizando porque não é igual à modelo na capa da revista Vogue deste mês, “pode parar”! Pare de seguir essas revistas e comece a seguir gente de verdade, pessoas parecidas com você, que gerem identificação e não exclusão.
Foco na importância dos valores pessoais e sentimentos - O que você mais valoriza numa pessoa? Como deseja ser tratado(a)? Já parou para pensar nessas coisas? A vida é reflexo das próprias escolhas. Como se e tratado (a) é geralmente reflexo de como você trata os outros.
Pare de usar beleza como qualificação de personalidade – Beleza não tem nada a ver com caráter. Ser honesto, bom com o próximo e seguir valores primordiais na vida é o que vale.
Elogie mais as pessoas – Já percebeu como é bom se relacionar com pessoas de bem, otimistas, elogiando o que o outro tem e faz de positivo, sempre focando no lado bom das pessoas? Isso é um exercício a ser feito todo dia.
Seja mais você e menos a pessoa que querem que você seja – Quanto se tenta agradar, se encaixar em algum papel que querem que vou desempenhar, menos se é feliz. Quem não aceita como você é não merece estar ao seu lado. Mas, cuidado, não deixe isso mascarar uma necessidade de melhorar em algum ponto. Saiba ouvir também!




Fonte: FC edição 968 - Ago-2016
Postado por: Família Cristã




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