Muito Obrigado

Data de publicação: 16/03/2017

Por Maria Helena Brito Izzo


Em cada gesto de agradecimento, há um pouco de amor e muita humanidade


“Obrigado, meu Deus, por mais uma manhã que vejo nascer. E, se a cada dia há a sua agonia e a sua alegria, que o Senhor me conceda, conforme seu tempo e sua graça, a sabedoria, a disposição e a paciência necessárias para suportá-las e bem vivê-las.” Em síntese é mais ou menos assim e com infinitas variações que muitas pessoas, mundo afora, amanhecem seus dias. Embora algumas delas tenham mais e outras, talvez, menos razões para agradecer, todas as pessoas que se lembram, ao acordarem, da precariedade da aventura humana sobre a Terra encontram pelo menos uma justificativa para um breve instante de diálogo pessoal com o Criador: estarem vivas.
O que, afinal, não é pouco e, para quem realmente acredita, é quase um milagre, levando-se em conta todas as disposições em contrário. A cada dia que acordamos, pode-se dizer, sobrevivemos a inúmeras possibilidades adversas à vida – estão aí, em algum lugar, como prova, as pessoas que não tiveram a felicidade de ver nascer este novo dia. E isso é motivo de sobra para agradecer.
Passada a digressão, com as ações de graças devidamente celebradas, nos resta a lida diária com as pessoas que vivemos, trabalhamos, estudamos, compartilhamos os espaços etc. Em nossos dias, temos pela frente, na maioria dos casos, muitas horas de relacionamento e não apenas incontáveis oportunidades de sermos úteis aos nossos próximos como também de sermos favorecidos pelas suas ações.
E o que, às vezes, mais chama a atenção nessas ocasiões é o fato de o quão ingratos podemos ser com quem nos cerca, dando a impressão de que, uma vez gratos a Deus, não precisamos agradecer a ninguém ou que todos os atos realizados neste mundo acontecem por mero desencargo e sem adição alguma de afeto, atenção ou humanidade. Quero acreditar que as coisas não se dão exatamente assim e que o ser humano vive em sociedade, comunidade e família não apenas por depender material e emocionalmente de um semelhante, mas porque esse convívio é efeito e consequência da troca de cuidado e atenção, quando não de carinho e amor.   

De coração – Há seres humanos por aí – alguns até espiritualizados – para quem todos os outros nasceram para servi-los. Dispensam a gentileza de um obrigado, pois uma vez gratos ao divino se imaginam dispensados do dom da gratidão humana. Mesmo sem ter procuração para falar pelo Criador – quem tem, sem incorrer no erro da impostura? –, creio que Deus não tem muito a se alegrar com essas pessoas. Note o leitor que eu não me refiro simplesmente a retribuir. Isso pode ser resolvido com uma gorjeta ou um outro gesto material. Mas simplesmente agradecer de coração. Agradecer quem nos abriu a porta, nos serviu o cafezinho, varreu o chão, lavou a louça, entregou as compras, parou o carro para que pudéssemos atravessar a rua, e por aí vai. E para isso não é necessário ser cristão, judeu, muçulmano, espírita ou de qualquer outra religião, mas ser gentil, razoavelmente sensível e ter alguma noção de civilidade. Enfim, saber viver bem em sociedade.  
Poderia, aqui, ter uma atitude acomodada se reconhecesse que o ideal seria não esperar gratidão do ser humano, espécie egoísta por natureza e que muitas vezes trata o semelhante com selvageria – basta ver os casos da exploração do homem pelo homem. Se isso é verdade para muitos que já cansaram de procurar um sinal de salvação na humanidade, não pode ser para a maioria que não perdeu a fé. Ainda há muita gente boa no mundo, quero acreditar que a maioria – inclusive você. E deles não podemos desistir de esperar uma gentileza, uma atenção, um agradecimento. Pois em cada gesto desses há, certamente, um pouco de amor e muita humanidade.




Fonte: FC edição 968 - Ago-2016
Postado por: Família Cristã




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