Traídos pelo desejo

Data de publicação: 17/03/2017

Por Maria Helena Brito Izzo


O amor é cego. E às vezes surdo, mudo e estúpido a ponto de nos fazer escolher a pessoa errada



“Dedo podre!” Se alguém ainda não ouviu falar nessa expressão não tem importância. O que importa é que, mesmo sem saber seu significado, todo mundo conhece pelo menos alguém com tal característica. O chamado “dedo podre” é aquele(a) que carrega o “dom” de escolher sempre o parceiro ou a parceira errada. Quem nunca soube de uma fulana que só arruma “traste” ou de um sicrano que só arranja “encrenca”? Em alguns casos pode ser apenas despeito ou comentário maldosos. Em outras vezes, verdade. Algumas pessoas, geralmente ligadas ao budismo ou ao hinduísmo, acreditam que se trata de carma ou predestinação. Longe de mim questioná-las. Não vou discutir crenças, mas a necessidade de termos um mínimo de discernimento ou de bom-senso na hora de nos apaixonarmos, por mais difícil que seja. Relacionamentos humanos, ainda mais amorosos, são uma das coisas mais complicadas que existem desde o aparecimento da humanidade. Emoção e razão ou coração e mente dividem o ser humano desde sua aparição. Ou, quem sabe, até precedem sua criação. Muitos chegam a dizer que as pessoas não escolhem por quem se apaixonam e que, na verdade, é o amor que as escolhe. Culpa do cupido! Será mesmo? O que sei é que quando as pessoas se apaixonam ficam como que encantadas. No ar, fora do chão, perdem o senso crítico e, em alguns casos, o do ridículo. Cegos, não enxergam coisas óbvias que, aos outros, saltam aos olhos. Os mais antigos, nossos pais e avós, falavam em feitiço. Sim ou não, o fato é e foi assim com quase todos nós.

Dignidade
– Logo, é compreensível e humanamente aceitável, ainda que haja uma falta de sorte, o fato de uma pessoa se apaixonar por alguém que não mereça sua confiança. Mas isso não é o fim do mundo! Para resolver o problema, existe o namoro, no qual temos a chance de conhecer melhor a pessoa. Um namoro, que não tem obrigação de dar certo e acabar sempre em casamento, é apenas uma experiência de ordem afetiva que existe para tirarmos nossas dúvidas e saber se vale a pena seguir adiante ou não com uma pessoa. Imagina-se que ele dure o suficiente para que a paixão dê lugar ao amor – ou não! – e a um mínimo de razão. Que faça as pessoas abrirem os olhos e constatarem que ninguém é perfeito. Que o amor deve ser maior do que os eventuais defeitos da pessoa por quem estamos dispostos a dividir nossa vida. E que se não for assim o melhor é cada um seguir o seu caminho. Afinal, a fila anda...
O problema é que tem gente que insiste no erro! Pensa que, com o tempo, mudará o caráter de uma pessoa. Sinto dizer que isso é frustração quase certa. É possível, por exemplo, tolerar alguém genioso desde que ele tenha bom caráter. Mas dificilmente alguém – estamos falando de gente de bem, claro – aguenta viver com uma pessoa desonesta, leviana e de princípios morais questionáveis. Já basta a nós aqueles defeitos veniais que a natureza humana nos herdou... Compreendo que muita gente se sujeita a enfrentar uma união fadada ao fracasso por ter baixa autoestima. Contenta-se com o que está à mão e não acredita ser capaz de arrumar uma pessoa melhor para dividir seus dias. Pois eu digo a elas que a nossa vida é algo muito precioso para dar lugar à comodidade. Em algum lugar do futuro, certamente há alguém melhor que merece o nosso amor. Amor só pode ser amor de verdade quando há dignidade e respeito.




Fonte: FC edição 943 - Julho 2014
Postado por: Família Cristã




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