Ninhos e passarinhos

Data de publicação: 17/03/2017

Por André Luís Kawahala e Rita Massarico Kawahala


Até que comecem a cuidar de si mesmos, os filhos exigirão do casal atenção e dedicação máximas



Uma família só o é quando se faz lar. E um lar precisa ser abrigo. E se é abrigo, precisa habitar seus cômodos com frutos do amor. Costumamos comparar lar com ninho, onde há a preparação, a acolhida e o desenvolvimento dos passarinhos. Na família também deveria ser assim. Por isso a fertilidade do casal é tão importante: abrir o relacionamento a dois para aceitar o desafio de acolher os filhos do ventre ou os filhos do coração, que chegam pela adoção e são tão “sangue do sangue” quanto os biológicos.
Mas nem sempre as coisas correm dentro de um planejamento, e quando chegam os filhos não é raro que aconteçam alguns problemas no relacionamento esposo-esposa. É próprio desse momento de novidade que haja uma readaptação da vida a dois. Algo natural. Antes dos filhos, a vida do casal consistia em cuidar da própria autonomia e da estabilidade da relação entre dois adultos independentes, que viviam num pacto de interdependência sem ferir a individualidade de cada um. Ao chegar uma ou mais pessoas tão preciosas, mas tão dependentes de cuidados, atenção e carinho, pode se perceber quanto aquela união está sólida ou não.
Um casal, para receber os frutos do amor em seu ninho, precisa estar firme no diálogo, maduro em seus sentimentos, relacionando-se de maneira equilibrada e com um projeto de vida conjugal alinhado com os projetos pessoais de vida. Isso seria muito bom, pois os filhos devem ser uma das metas dos esposos. Mas sabemos quanto ainda somos despreparados, por mais que sejamos precavidos. As crianças quando chegam dominam. E o fazem porque precisam de nós. Quebram a rotina, desviam a atenção da mãe e do pai, testam seus limites e, nos primeiros meses, viram o cotidiano de seus pais do avesso. E é por isso que os casais devem estar atentos ao que já dissemos: cuidar um do outro.

Pássaros-pais – A verdade é que com tantas exigências da vida nestes últimos tempos, nem todos os casais conseguem dar conta de reservar um tempo e um espaço para o planejamento familiar. Alguns recebem os filhos até mesmo antes de casar. Outros, já casados, os acolhem com alegria, mas no susto. Por isso, também é comum virem algumas crises: maridos carentes, esposas enciumadas, disputas pela atenção dos recém-chegados, “seca” na intimidade conjugal, “ranzinzices” sem explicação nem motivos, e por aí vai.
Ninguém deve se desesperar se isso vier a acontecer, porque tudo é resgatável! Se houver amor e um compromisso firme entre o casal, ambos terão condição de fazer os acertos necessários para que o relacionamento não volte a ser como antes da chegada da criança, mas seja ainda melhor. Cada dia é sempre um novo exercício de adaptação. Até que comecem a cuidar de si mesmos, os filhos exigirão do casal atenção e dedicação máximas. Mesmo que mãe e pai trabalhem fora de casa, o tempo juntos deve suprir as necessidades de cada criança, ainda que seja difícil.
Mas, ao mesmo tempo, o casal precisa dedicar-se um ao outro, ainda que seja para pequenos e espaçados momentos em que um não deixe o outro esquecer que a criança é fruto de dos, um presente recebido por ambos. O tempo passará, os temores se transformarão, os filhos crescerão e exigirão mais e mais. Os passarinhos precisam do ninho. Mas os pássaros-pais também precisam. Nessa dinâmica da vida é preciso cuidar bem do que acontece entre marido e esposa, para que naquele ninho nada falte, nem mesmo quando os passarinhos forem embora. Mas isso é assunto para outro artigo.




Fonte: FC edição 968 - Ago-2016
Postado por: Família Cristã




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