Namoro ou prisão?

Data de publicação: 13/04/2017

Um relacionamento em que a namorada ou o namorado vive como prisioneiro de seu par não pode ser um compromisso adequado e agregador de valores

O tempo passa, as gerações passam, mas alguns problemas voltam, de cara nova, a atormentar cada geração. Um deles diz respeito ao namoro possessivo.  Em um tempo em que a liberdade é supervalorizada, até nos espanta ver que alguns relacionamentos podem ser comparados a uma prisão.
Nesses casos, longe de terem medo de compromisso, ou de “se prenderem”, algumas pessoas, especialmente jovens, acabam se submetendo a relacionamentos doentios, justamente pelo medo contrário: o medo da solidão ou da não aceitação. Estão tão absortos na preocupação de ter alguém ou de se sentirem amados por alguém que não percebem que, na verdade, o essencial é ser alguém. E não digo no sentido de ser reconhecido como alguém de valor na sociedade ou nos meios de comunicação e redes sociais, mas como alguém único, como indivíduo, como filho amado de Deus, como membro da sociedade e parte de um corpo que é a Igreja. Não é algo que venha de fora, ou que alguém possa nos dar – pois não pode depender de ninguém –, mas é algo que vem de dentro, e que só pode depender de si mesmo. Sentirmo-nos como alguém único, sermos alguém, é fundamental para podermos ser com o outro.
Infelizmente, na ânsia de ser de alguém ou ter alguém, os relacionamentos acabam sendo baseados na necessidade do outro, na dependência do outro, e isso não é amor, mas egoísmo! Quantos namoros vão se definhando, pois um não consegue viver com o outro em meio aos outros, mas apenas com o outro para si! E isso dentro de uma ilusão absurda de que assim haverá controle sobre o outro e não se perderá nada nem ninguém. Outras vezes, na iminência da perda, acontece a violência verbal ou física, com uma sequência de justificativas que culpam o outro pela imaturidade própria e não assumida.

Com o outro em meio aos outros − Sou completamente a favor do comprometimento! Sou totalmente contra relacionamentos líquidos, nos quais as pessoas são literalmente usadas como fonte momentânea de prazer e satisfação. Um relacionamento em que a namorada ou o namorado vive como prisioneiro de seu par não pode ser um compromisso adequado e agregador de valores. Mas a personalidade que ainda não foi fundamentada e solidificada correrá grandes riscos de se perder no medo e aceitar qualquer preço, mesmo que este seja o aprisionamento de sua liberdade ou da liberdade alheia.
Existem caminhos possíveis para nos desvencilhar de prisões criadas até por nós mesmos, existem profissionais da saúde e pessoas de fé e experiência, capazes de ajudar a equilibrar relacionamentos que tendem à possessividade e a redirecionar os compromissos. Existem na Igreja diversos caminhos para que os jovens e todos aqueles que estão imersos em um relacionamento difícil sejam orientados. Mas é preciso empenho pessoal em se reconhecer necessitado e buscar ajuda. A própria vida comunitária em grupos de jovens e pastorais já é um caminho seguro de crescimento e maturidade humana e espiritual, pois nos desafia a estar com o outro em meio aos outros. Na comunidade cristã, o amor, em todas as suas expressões, amadurece e se concretiza, pois passa pela prática. E este é o critério para saber se somos da verdade: amar com ações (cf.1Jo 3,18-19), e, entre estas ações, está libertar-se e libertar (cf. Gl 5,1)!




Fonte: FC edição 954 - Junho 2015
Postado por: Família Cristã




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