Santa aposentadoria

Data de publicação: 17/04/2017

Por Karla Maria


A Igreja Católica no Brasil possui 171 bispos eméritos, e eles contam com o compromisso de suas dioceses e da CNBB,
além do INSS, para uma “aposentadoria” saudável e digna



Dom José Maria Pires
Credito: Felipe Rabelo
Dom José Maria Pires é o bispo com maior número de anos do País. No dia 15 deste mês chega aos 98 anos de idade, superando a idade média do povo brasileiro, que segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística é de 75,2 anos. O mineiro de Córregos, conhecido como dom Zumbi, completa também este ano 76 anos de sacerdócio e, em setembro, 60 anos como bispo.
Dom Zumbi, arcebispo emérito da Paraíba (PB), faz parte de um grupo pequeno de brasileiros: o de bispos eméritos. Espalhados pelo país, eles hoje são 171 bispos de um total de 789 bispos ativos nas 276 circunscrições eclesiásticas. O levantamento foi realizado com base no Diretório Litúrgico da Igreja no Brasil 2017.
Tornar-se bispo emérito pode ser entendido como o processo de aposentadoria de Bispos Diocesanos após completarem 75 anos de idade. A partir desse momento, eles ficam desobrigados de suas funções enquanto Bispo Diocesano. Com os padres, a situação é a mesma, tornando-os desobrigados de suas funções junto à comunidade paroquial.
“Muitos padres já se aposentam pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) quando completam 65 anos, caso, evidentemente, tenham recolhido sua contribuição ao longo do tempo previsto pela Previdência. Porém, continuam a exercer normalmente suas atividades dentro da diocese”, explica a pesquisadora Paula Vieira Pires, da Pontifícia Universidade Católica de Minas gerais (PUC-MG), em seu estudo Padres e bispos eméritos: um estudo sobre os processos da aposentadoria e da velhice.
Paula destaca ainda que, de acordo com o Código de Direito Canônico, somente na emeritude os sacerdotes têm autorização para deixar de exercer suas funções, que precisa ser dado pelo bispo, no caso dos padres, ou pelo papa, no caso dos bispos.

A vida na prática - Os trabalhadores aposentados, geralmente, contam com o pagamento do INSS e com o apoio e a presença da família, aquele núcleo de pessoas que convivem diariamente com o idoso; porém, no caso dos bispos eméritos, que durante toda a sua vida tiveram o povo de Deus como família, o Código de Direito Canônico preconiza que a responsabilidade é da Arquidiocese ou da Diocese de que foram titular, e da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).
“A CNBB tem recurso financeiro especificamente destinado a ajudar as dioceses que encontram dificuldades para sustentar seu emérito. Como cresce o número de eméritos num ritmo rápido, o problema financeiro começa a pesar. Há dioceses que possuem mais de um bispo emérito e a Comissão para os Bispos Eméritos tem estudado saídas”, disse à reportagem dom Luiz Soares Vieira, bispo emérito de Manaus (AM), que em maio completa 80 anos.
Dom Luiz é presidente da Comissão para os Bispos Eméritos e destaca que alguns bispos recebem aposentadoria da Previdência Social, “o que é muito pouco, se notarmos a devastação feita pelo chamado ‘fator previdenciário’. Já outros, que vieram de congregações ou ordens religiosas, voltaram às casas dessas entidades e são cuidados por seus confrades.
Dom Angélico Sândalo Bernardino, 84 anos, é bispo emérito de Blumenau (SC) e elegeu a periferia de São Paulo para viver junto com o povo, após completar 75 anos de idade. Embora emérito, ele é um dos bispos mais procurados para pregar retiros pelo país. “Bispos eméritos são aposentados, mas não inativos”, afirma.
Dom Angélico revela que não ficou na Diocese de Blumenau para dar mais liberdade ao bispo que o sucederia. Atualmente, ele mora na Brasilândia, Região Episcopal da Arquidiocese de São Paulo, que está entre os 20 piores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) de São Paulo. “Nada de ficarmos burguesamente concentrados em paróquias já bem estabelecidas. É preciso que a Igreja se volte para as periferias existenciais.” 
Para ele, a situação dos bispos eméritos precisa da atenção de toda a Igreja. “Nós, bispos eméritos, e isso vale também para o padre emérito, precisamos ser acolhidos com muito mais ternura onde residimos, pelas dioceses, pelas paróquias.” Segundo ele, “há bispos eméritos que são colocados no esquecimento e de escanteio, e isso é uma vergonha”. Assim como dom Luiz, dom Angélico reconhece o trabalho da CNBB, mas acredita que há lacunas e muita burocracia.
“No atendimento a bispo emérito há muita burocracia. Há dez dias tive que socorrer um arcebispo emérito que bateu às portas da CNBB para fazer uma operação, mas tudo precisa ser visto e revisto. Não tem cabimento que um padre emérito fique dependendo da família. Ora, a família dele é o presbitério, é a Diocese”, concluiu.

Comunhão e participação – Mas não é só o sustento material que preocupa dom Angélico, dom Luiz e seus irmãos bispos eméritos, tanto que enviaram carta ao então papa Bento 16 solicitando alterações no Código de Direito Canônico. “A CNBB fez um pedido ao papa para tornar-nos membros da Conferência, embora com certas restrições necessárias, e aguardamos resposta.”
A carta enviada ao papa Bento 16 foi encaminhada para a Cúria Romana, mas, como não obtiveram resposta, os bispos a reencaminharam para o papa Francisco e aguardam uma decisão a respeito. O bispo emérito continua a pertencer ao colégio universal dos bispos, pode participar do concílio ecumênico, dos sínodos do bispo, e ter encargos na cúria romana, mas ele não pertence mais à conferência nacional.
“A CNBB é o organismo de comunhão, motivo pelo qual nós enviamos uma carta ao papa solicitando modificação no código, que nos exclui, para que continuemos a pertencer à conferência com atribuições e direitos”, esclarece dom Angélico.




Fonte: FC edição 975 - Março 2017
Postado por: Família Cristã




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