Tudo o nada

Data de publicação: 04/05/2017

Por Pe.Reginaldo Carreira


Colocar-se no lugar do outro, buscar olhar as coisas por um outro prisma, evitar o julgamento precipitado,
 encontrar o bem presente em cada ser humano são coisas necessárias para o bom convívio


Cada vez mais me convenço de que estamos vivendo num tempo de extremos! Mais que isso: extremismo! Já sabemos que cada ponto de vista é a vista de um ponto, mas me parece ser um tanto insuficiente apenas ter consciência disto. É certo que há casos extremos e há também situações-limite em que a única solução é tomar medidas-limite, porém isso não deveria ser a regra, mas a exceção.
Parece que demoramos a compreender que existe uma versão divergente dos fatos, dependendo do lado em que se está, e geralmente é muito difícil estar completamente certos ou errados. Não quero dizer aqui que não exista uma verdade absoluta, mas que há de se considerar melhor cada parte envolvida sempre que tivermos a intenção de fazer justiça. Na verdade, se quisermos agir com sabedoria e de forma cristã, se faz necessário sempre olharmos os fatos em si e procurar, sem preconceitos, a verdade.
Passando do abstrato para o prático, a grande maioria das pessoas de bom-senso vê nos extremistas religiosos, por exemplo, uma postura violenta e condenável. E de fato isso procede. Mas não nos atentamos nas atitudes e visões extremas que temos no dia a dia e que podem evoluir para situações também condenáveis e de violência.

Pequenas atitudes − Uma pequena divergência de ideias, ou da interpretação de um fato, pode gerar uma discussão e uma mágoa tão profundas e radicais, capazes de dividir e destruir amizades, relacionamentos e, por vezes, famílias inteiras. Começa com uma simples discussão e se transforma em falta de diálogo e de capacidade de compreensão. Na visão do mundo de hoje e no modo de agir, tudo é muito rápido, e os sentimentos podem ser manifestados de forma automática e sem critérios. Amar a todos e odiar a todos se tornam manifestações recorrentes e corriqueiras, o que faz com que a veracidade dos sentimentos perca seu crédito e a comprovação se torne vulnerável. Aqui acontecem os extremos: “ninguém presta” ou “amo todos vocês”, oito ou oitenta, tudo ou nada, adicionar ou excluir!
Colocar-se no lugar do outro, buscar olhar as coisas por um outro prisma, evitar o julgamento precipitado, encontrar o bem presente em cada ser humano são coisas necessárias para o bom convívio, para o bem-estar e para a vida cristã! Pensar bem antes de emitir um julgamento, refletir antes de tomar uma decisão sobre alguém, buscar o perdão antes de fechar o coração para a reconciliação, orar antes de agir são atitudes possíveis e indispensáveis para que sejamos felizes de fato e tenhamos a vida que Jesus quer nos dar, a vida em plenitude, própria de quem é templo do Espírito Santo e se deixou orientar por Deus. Por isso sempre entendi que o amor não é apenas um mandamento, mas a única via para se viver bem! O amor não é apenas um sentimento, é uma decisão de bom-senso. O amor não é apenas uma parte da regra da vida, mas a plenitude da Lei (cf. Rm 13,10).




Fonte: FC edição 958 - Outubro 2015
Postado por: Família Cristã




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