A religão na vida a dois

Data de publicação: 15/05/2017

Por Karla Maria

Estudos e casais apontam a religião, a generosidade e a bondade como temperos fundamentais para uma relação sólida e feliz

A religião ajuda a manter o relacionamento. Esta é a afirmação de uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Social e Demográfica da Austrália, realizada com casais daquele país. Segundo o estudo, quando nem o homem nem a mulher são religiosos, a taxa de separação é de 13,6%.
Já quando apenas um cônjuge professa uma fé, o índice cai dois pontos porcentuais. Quando ambos têm uma religião, a taxa de divórcio diminui para 8,1%. Os números frios e suscetíveis a erros – dados o método de pesquisa e a quantificação dos resultados – estão aí para incentivar a religiosidade.
 Para além dos números, nossa reportagem foi buscar a experiência de casais que compartilham a fé e localizamos dois, um jovem e um maduro, por acaso católicos, e eles nos deram uma maior dimensão sobre o papel da religião dentro de um casamento.
Wellington Alves da Silva tem 30 anos, é palmeirense e um dos mais importantes jornalistas da cidade de Guarulhos (SP), mas seu grande título mesmo é ser marido de Silvana Oliveira Lima Alves há dois anos. Ela tem 29 anos e é analista financeira. “A vivência da religião nos permite uma experiência com o Cristo Ressuscitado, e isso passa para a nossa vida conjuga”, aponta Silvana, que destaca também o fato de os dois serem católicos. “O sentido da vocação matrimonial se fundamenta na missão a que Deus anos chamou. Focados num mesmo objetivo, servimos juntos a Deus na Igreja e isso nos favorece muito. Almejar o céu, unidos na mesma fé, nos edifica como cristãos e nos une cada vez mais como casal”, completa a jovem.

Formação sólida – Para Wellington, ter uma religião e compartilhá-la com a esposa torna mais fácil a tarefa de construir uma família. “Torna-se mais fácil se o casal tem o mesmo desejo de buscar a Deus. A formação é mais sólida e um pode ajudar o outro no crescimento espiritual e no aprofundamento da fé”, conclui o jornalista.
Os dois vivem a fé juntos. Todos os dias rezam o terço antes de dormir, com as intenções do dia, os agradecimentos e a leitura da Bíblia. “Acredito que a oração é o alicerce e gera amor e unidade que dá ‘vida’ à família cristã. A primazia de toda família deve ser reservar um tempo para rezarem juntos, mesmo diante a tantos afazeres da vida contemporânea”, conta Silvana.
Izabel Aparecida Fernandes Pinheiro tem 57 anos e é casada com o corretor de seguros José Alípio Pinheiro Filho, 63, há 31 anos. Eles não conseguem rezar juntos, os horários não batem e, às vezes, é o cansaço que bate. “Se perguntar por que não fazemos, vamos cair na mesma desculpa de muitos, trabalho, vida corrida, e por aí vai. Mas acredito que tudo vem do hábito em família quando somos crianças, e isso não tivemos”, explica Izabel sobre seu cotidiano, nada exclusivo. Eles participam ativamente de uma comunidade paroquial há 16 anos e vivem uma vida que teve como fruto a adolescente Tatiane Pinheiro.
O casal vê como imprescindível a religião na vida matrimonial. “Sem a religião seria muito difícil, pois os obstáculos na vida são grandes, e nós temos passado por muitos. Sem a nossa fé não teríamos força pra lutar e nos manter unidos como casal, como família e como comunidade”, diz Izabel.
Ela também acha importante professarem a mesma fé. “Acreditamos que se fôssemos de religiões diferentes, tudo seria mais complicado, principalmente na criação dos filhos, na vida religiosa deles.”

Valor da religiosidade
– Será mesmo? Para a psicóloga Patrícia Serra Cypriano, o papel da religião dentro do relacionamento do casal será relevante se para aquele casal em específico o valor da religiosidade tiver relação direta com o que consideram linha mestra para nortear os caminhos em comum.
“Se para um dos cônjuges ou ambos a religião fizer parte de seu dia a dia, se a religião der contorno e forma aos valores que esses indivíduos constroem, sem dúvida ela terá um papel importante na vida daquele casal, já que é algo em comum e que os aproxima. Falam a mesma língua e não línguas diferentes”, esclarece Patrícia.
A psicóloga lembra que o não compartilhamento de valores é que pode causar conflitos e pontos de tensão na relação. Aponta por exemplo um casal em que um dos cônjuges valorize as conquistas materiais através só do seu esforço de trabalho, enquanto que o outro não vê impedimento nenhum em aumentar seu patrimônio desviando recursos da empresa em que trabalha.
“O cônjuge que não desvia recursos sempre se sentirá incomodado com a postura de seu parceiro, haverá o distanciamento do outro. Por isso, os valores, aqueles que norteiam o dia a dia, se muito distantes, instalam conflitos cotidianos”, avalia Patrícia, que orienta casais com valores e até religiões diferentes a serem mais sensíveis em relação ao cônjuge, a olhar.
“‘Olhe’ para os valores próprios e para os do outro e avalie o quanto fere ou agride aquilo que sente, como se fosse o ar que se respira. O quanto ameaça o que sente como algo fundamental e original e que dá o tom ao indivíduo que sente ser. O quanto essa diferença é agressiva ou não e quais as possibilidades de lidar e aceitar, ou se não há possibilidade”, orienta a psicóloga.
Outro estudo, este realizado por um casal de psicólogos americanos, John e Julie Gottman, com 130 casais durante seis anos, apresentou características de casamentos de sucesso e destacou a generosidade e a bondade como fatores fundamentais dentro do relacionamento.
No estudo, os casais de sucesso demonstravam interesse pelas necessidades emocionais do outro, buscavam criar um ambiente de admiração e gratidão pelas coisas que o outro fazia. Já os casais sem sucesso construíam um ambiente fundamentado na insatisfação, sempre apontando os erros do outro, o que o outro deixou de fazer, esquecendo as qualidades do cônjuge.
O que se vê, portanto, é que o compartilhamento da fé e de valores, mas, sobretudo, o respeito a eles, somados à generosidade e à bondade, são bons temperos para a relação de um casal.




Fonte: FC edição 964 - Abril 2016
Postado por: Família Cristã




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