Não me toques?

Data de publicação: 31/05/2017

Por André Luís Kawahala e Rita Massarico Kawahala

Eles padeceram do mal da superficialidade no relacionamento, a falta do diálogo,
dos questionamentos profundos sobre quem é cada um


Aquele casal de namorados tinha um brilho. Ela o olhava com ternura e paixão. Ele, mais afoito, a olhava com paixão redobrada, mas também com carinho. Ela dizia que ele era seu príncipe, seu homem, aquele que ela desejava ter do lado dela pelo resto da vida. Queria casar-se com ele. Queria ter dois lindos filhos. Ele dizia que ela era “o número que ele calçava”, a mulher que pediu a Deus. Dizia que ela era inteligente (afinal a tinha escolhido), linda e muito esperta. Falava também que embora ela não fosse boa com a geografia e com mapas, pois sempre se perdia na cidade, que ele não se incomodava, porque ele saberia ser seu guia e lhe dar a direção.
Eles eram namorados felizes. Sempre juntinhos, de mãos dadas, cheios de beijinhos e de beijões. Não reconheciam defeitos um no outro. Perfeitos, feitos um para o outro. Noivaram numa noite fria de julho. Casaram num quente sábado de dezembro, aproveitando o fim do ano e o 13º salário. Alugaram uma casinha na periferia e foram viver sua nova vida. E quanta novidade!
Passado nem um ano, ela já não queria tê-lo por perto. E quando ele se aproximava era: “Só não me toques!”. Depois da passagem pela lua de mel, eles começaram a ver tantos defeitos um no outro que se assustaram. Pareciam outras pessoas. Ela se perguntava onde estava o homem bem-humorado e educado por quem se apaixonara?
Ele se perguntava onde a megera ficara escondida durante os três anos de namoro. Além disso, a proximidade, os carinhos até exagerados que tinham despareceram tão logo surgiu a primeira desavença, como um castigo imposto por mau comportamento. Os beijos e abraços eram recompensa e não ofertas gratuitas de uma conquista de amor.

Descobriu um ogro ─ Eles padeceram do mal da superficialidade no relacionamento, coisa comum nos dias atuais. Não são os toques que atrapalham, mas a falta do diálogo, dos questionamentos profundos sobre quem é cada um. Com um relacionamento onde somente o que importa é se agradar mutuamente, querer se aprofundar em assuntos essenciais sobre a vida do outro é muitas vezes considerado uma invasão, apesar do casal acreditar ser íntimo. Mas essa intimidade está somente no físico e acaba tão logo se casam, e as coisas importantes que deveriam ter falado um para o outro fazem falta, quando o mesmo teto é compartilhado. E quando acaba a simpatia e a empatia, todo encontro será de não me toques.
Os preciso namorados devem entender que quando entramos em um relacionamento, desejando que termine em casamento, é preciso entrega não de corpos, mas de essência. Serem abertos um ao outro, sem máscaras. Sinceros em revelar o que gostam e o que não toleram. Mas, sobretudo, dizer o que esperam um do outro no presente e no futuro.
Se a proximidade física pode ser um problema para um namoro, já para o casamento ela é essencial. Se um casal fez "tudo certo" no namoro e no noivado e chegaram ao casamento, permitirem-se o toque é essencial para que sejam uma só carne e cheguem à meta do relacionamento. Há casais que se perdem na rotina e deixam de lado a proximidade física, as mãos dadas no passeio, o braço sobre o ombro do outro e a cama compartilhada apenas para olharem juntos para o teto. Matrimônio exige uma só alma e também um só corpo. E fica difícil ser se o dia a dia é um eterno "não me toques, que agora estou ocupado(a)”.
Relacionamento é uma arte que se exerce com todo o ser e com atitudes adequadas nos momentos certos.




Fonte: Fc edição 962 - Fevereiro 2016
Postado por: Família Cristã




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