Relação pais e filhos

Data de publicação: 31/05/2017

Por Cleusa e Alvício Thewes

Pais psicologicamente sadios conseguem identificar as emoções dos filhos e auxiliá-los a superar as dificuldades

Na dinâmica familiar nos deparamos com todos os tipos de casos, desde os mais extremos, em que os filhos abandonam seus próprios pais, até os mais amenos, de meros desentendimentos momentâneos. A pergunta mais formulada por pais nos consultórios terapêuticos é esta: “O que está acontecendo com os nossos filhos?”. Poucos se dão conta de que a questão é mais ampla e pode ser também vista de outro ângulo.
 “O que está acontecendo com os meus pais, tia?”, perguntou à sua terapeuta a jovem Sofia, que passa por um momento de turbulência e transição. Este ano ela deverá cursar o quinto ano do ensino fundamental, com novos professores e disciplinas. Mas já avisou que não tem cabeça para estudar. A causa é uma gangorra de emoções nascidas no seio familiar. O pai torturou a vida da mãe até a expulsar de casa e exigir o divórcio. Agora Sofia mora em outra casa, com a mãe. Uma casa pequena, antiga, que exige reformas urgentes. Comparada com esta, a casa do pai é um paraíso. Sofia tem 10 anos. Acompanha o conflito dos pais, mas não consegue digeri-lo. Ora se isola tristonha e chorosa, ora interage sorridente. Em outubro, fará a Primeira Comunhão, e isto a alegra. O caso de Tobias é mais complicado do que o de Sofia. O pai dele está preso há 10 anos. Quando a polícia o prendeu, Tobias tinha apenas 2 anos. A mãe dele envolveu-se em novo relacionamento, também já desfeito, do qual teve dois filhos. Morando com a mãe e os irmãos menores, Tobias viveu um tempo recolhido, irritado, falando pouco e brigando muito, com a mãe e os manos. Agora prefere a rua, os amigos mais velhos do que ele, péssimas companhias para sua idade. Na escola é distraído, alheio, não cumpre as tarefas. Repetirá, pela terceira vez, o sexto ano do ensino fundamental. A mãe, queixosa e angustiada, buscou ajuda.

Relações conflituosas
– Quando ouvimos os dois lados, percebemos nitidamente que ambos precisam de ajuda. Os dramas de Sofia e Tobias foram criados no ambiente familiar. Pais que não aprenderam a controlar suas emoções e resolver seus problemas têm poucas condições de educar emocionalmente seus filhos. 
Os dramas familiares sempre nascem, desenvolvem-se e explodem dentro da família. Em toda parte há casais em crise relacional, frustrados, perdidos, abandonando projetos de vida em comum, enfraquecidos na intimidade e na parceria familiar. Há pais presos, dependentes químicos, traficando, roubando e, consequentemente, abandonando filhos. Há crianças órfãs pedindo proteção, cuidado, um lar.
A busca do equilíbrio – Felizmente as famílias começam a romper o silêncio, o anonimato, e pedem socorro às entidades que oferecem apoio e atendimento multidisciplinar. Solidários com o Papa Francisco, que na sua compaixão e amorosidade convoca a sociedade a ir ao encontro da realidade e atender as famílias e crianças, diferentes profissionais da área social, como médicos, pedagogos, assistente sociais, psiquiatras, psicólogos, enfermeiras, sacerdotes, agentes de saúde, enfim, toda a comunidade, estão envolvidos.
A demanda é crescente. Exige grande esforço e união dos governantes, dos centros de apoio psicológico e terapêutico, das unidades de saúde, das associações de apoio humano..., todos levando ajuda e suporte às famílias esfaceladas.
O atendimento multidisciplinar é importantíssimo, necessário para que as famílias mudem de rumo, voltando, na medida do possível, à normalidade e, quem sabe, ao crescimento conjugal e familiar. Pais psicologicamente sadios conseguem identificar as emoções dos filhos e auxiliá-los a superar as dificuldades. Sofia manifesta medo diante das brigas e do divórcio dos pais. O cotidiano de Tobias, como já vimos, é ainda pior. Sofia e Tobias precisam de cuidados terapêuticos com foco na saúde mental e na organização familiar.
Exercer a paternidade ou a maternidade é mais do que dar comida, roupas e brinquedos aos filhos. Os pais têm a missão de criar, educar e encaminhar os filhos para a vida. E isso inclui o atendimento às emoções. Se não atendidas, desestabilizam a criança. Por vezes o acúmulo de emoções raivosas faz o(a) filho(a) perder a noção da realidade e praticar atos que não praticaria se soubesse canalizar e administrar seus impulsos.
Maria Mãe, protege as crianças! Amém!




Fonte: FC edição 975 - Março 2017
Postado por: Família Cristã




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