Em nome de Deus uno e trino

Data de publicação: 02/06/2017

Por Maria Inês Carniato, fsp
Os dons e os frutos do Espírito Santo são os sentimentos que geram atitudes de relacionamento e levam a agir como Jesus.
A partir desta edição, oferecemos uma reflexão referente aos sete dons



Uma das maiores emoções da vida é ver o brilho da inteligência nos olhos de um bebê que acompanha com expectativa tudo o que o cerca. Nas famílias cristãs, essa é a hora certa de segurar, guiar e apoiar aquela pequenina mão, para que a criança trace sobre si mesma o sinal que recebeu, ao ser batizada em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Em três, um coração − Um coração que bate em três pessoas. Todas as religiões acreditam em um deus criador grandioso e distante. O Deus da fé bíblica, confirmada por Jesus e testemunhada pela Igreja, não é assim. É o Deus próximo e presente, que nos conhece, escuta e compreende em todos os momentos de nossa vida. Como canta o salmo: “Aonde eu fugirei para estar longe de teu espírito”, Sl 138 (139),7.
Pela revelação bíblica nós não sabemos tudo sobre Deus. Só conhecemos o necessário para crer, confiar no o seu projeto sobre o mundo, a humanidade e a nossa vida pessoal, familiar e comunitária e aceitá-lo. Seu mistério é muito maior do que o alcance de nossa compreensão. Por isso, a melhor linguagem que a Bíblia tem para dizer quem é Deus são os sentimentos humanos. Ele é amor, bondade, ternura, misericórdia e compaixão. É como o pai à espera do filho que abandonou a casa à procura de aventuras (cf. Lc 15,11-32). É como a mãe que mede a farinha, mistura o fermento (cf. Mt 13,33) e prepara um pãozinho quente para cada membro da família. Gestos assim constituem o melhor que conhecemos da vida humana. Mas Deus é muito mais do que isso, como diz o profeta Isaías: “Porventura a mulher esquece a sua criança de peito, se esquece de mostrar sua ternura ao filho de sua carne? Ainda que ela o esquecesse, eu não te esquecerei!” (Is 49,15). Sabemos que esses sentimentos humanos são também de Deus, porque Ele nos criou à sua imagem e semelhança. Somos pessoas.
A pessoa tem três capacidades que a fazem diferente dos animais: a inteligência, a liberdade e o amor. Nossos irmãozinhos da natureza também as possuem, mas em grau inferior e, acima de tudo, não sabem que as possuem e nunca saberão, porque lhes falta consciência de si mesmos. Não sabem quem são nem porque existem, vivem sob a lei natural e nada fazem com más intenções. Nós, ao contrário, somos conscientes de nossa vocação de seres humanos, porque a conhecemos pela inteligência, assumimos pela liberdade e vivemos pelo amor. Esse poder de conhecimento, decisão e ação é o mais claro sinal de que Deus nos criou semelhantes a ele.   
Quando a Igreja professa a fé em Deus Pai, Filho e Espírito Santo, ela está ensinando que Deus é tão pleno, grande, completo e infinito, que se expande e se comunica em três personalidades diferentes e unidas. Ninguém pode ser assim, é capacidade exclusiva de Deus. Qual imagem humana pode ajudar a compreender algo desse mistério? Talvez a de uma família unida pelo amor. É como um único coração batendo em três pessoas.

Deus está à nossa disposição − Se Deus fosse um mistério longínquo e distante, pouco nos importaria ser Ele uno ou trino. O Deus da fé cristã, em sua plenitude trinitária, aproxima-se de nós: como Pai, como Irmão e como Espírito que nos guia, forma, inspira e impulsiona. Na Bíblia, o Deus uno e trino comunica-se com as pessoas de forma personalizada.
O Pai é a origem e a meta da Criação. É a fonte da vida. Não entrou no espaço e no tempo da humanidade. Não está no plano limitado da matéria temporal. Permanece no mistério eterno onde ainda não podemos vê-lo. Comunica-se pelo amor que nos permite experimentar sua presença. Então, como conhecê-lo? Como sentir sua comunicação? Como trilhar o caminho até Ele?
O Filho, Jesus, é o guia no caminho. Ao encarnar-se, entrou no espaço e no tempo da história humana. Traduziu o mistério de Deus na linguagem e nos gestos de um povo, assumiu toda a nossa realidade e, nela, ajudou-nos a conhecer o Pai e o Espírito Santo (cf.Jo 1,18; Ef 1,3-6).  Jesus é o Mestre que nos revela e explica o que Deus quer de nós. Ele caminha por primeiro no caminho para o Pai (cf.1 Jo 2,5-6).
Mas como acompanhar o Ressuscitado em seu caminho? Como ser semelhantes a Ele, em meio aos nossos limites e dificuldades? O Espírito Santo entrou no espaço e no tempo das nossas vidas. Ele habita o espírito humano e nos conduz nas pegadas do Filho, rumo ao Pai. É o formador da liberdade, ilumina, inspira e impulsiona as nossas decisões de cada momento, dando-nos força para agir conforme o que Deus quer de nós. Conduziu Jesus de Nazaré em sua vida terrena e agora conduz os seguidores do Senhor ressuscitado (cf. Lc 4,14.18-19; 10,21; Ef 3,16;  6,17-18; 2Tm 1,13-14).

O sonho de Deus em nós
− O Espírito Santo realiza o sonho de Deus para nós. Os sacramentos da iniciação, batismo, confirmação e eucaristia, são como pedras fundamentais da vida cristã. Por eles mergulhamos no mistério e na comunicação do Deus Uno e Trino. Os dons e os frutos do Espírito Santo são os sentimentos que geram atitudes de relacionamento e nos levam a agir como Jesus agiu, com amor e misericórdia em relação aos semelhantes, a todas as criaturas e à Criação. Ao longo da vida, vamos assumindo o modo de viver de Jesus e sendo sempre mais parecidos com ele. É isso que Deus sonha para cada um de nós, seus filhos e filhas adotivos, que sejamos parecidos com o Filho único, Jesus.
A relação individual e comunitária com o Deus Uno e Trino na oração, na liturgia da Igreja e na vida em comunidade faz de nós discípulos missionários, porque  confirma nossa identidade de testemunhas vivas de Jesus Cristo e do Evangelho.  
Resta-nos conhecer melhor cada um dos dons e dos frutos do Espírito Santo que habita em nós.




Fonte: FC edição 937 - Janeiro 2014
Postado por: Família Cristã




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