Acolher a vida

Data de publicação: 14/06/2017

Por André e Rita Kawahala

A comunidade precisa ir atrás dos jovens casais, para ajudá-los a manter um vínculo com a Igreja

Uma moça e um rapaz com feições de adolescentes, porém com 26 e 25 anos, respectivamente, sentam-se em uma sala de estar ao lado de outros dois casais: um na faixa dos 30 anos, e o outro, ainda mais jovem do que eles, com 23 anos cada um. Diante deles está um casal com 20 anos de casamento, dois filhos e uma caminhada de vida. O que eles têm em comum? Partilham a vida tentando descobrir como superar as dificuldades dos primeiros anos de casamento.
 Sim, ali, os três casais recém-casados serão vacinados contra alguns grandes “vírus” do relacionamento: o egoísmo, o egocentrismo, o individualismo, o relativismo e a competição. Essas cinco pragas estão muito presentes na vida das pessoas e de um grande número de famílias, semeando entre os que desejam construir uma vida conjugal o desentendimento, o rancor, a dúvida e a separação.
O homem e a mulher, salvo as vocações específicas que pedem o celibato, não existem para a solidão. São chamados a se juntar como casal e a formar sua família a partir do amor. E muitos deles amam, sim! Amam, mas não sabem como quebrar as barreiras criadas por aquele egoísmo que mencionamos, o qual leva as pessoas a buscar só o próprio prazer e felicidade; não sabem como colocar o centro da vida no conjugal, trocando o “eu” pelo “nós”; buscam exageradamente os objetivos pessoais, em vez do projeto de casal; relativizam seus costumes, preceitos e conceitos pessoais, para dizerem “eu estou sempre certo(a)”; e vivem em constante disputa entre si por poder, por conhecimento, pela atenção e tantas outras coisas que fazem mais guerra do que concórdia e paz.
Muitos vieram de um namoro egoísta, fizeram do encontro de suas vidas apenas uma forma de agradar a si mesmos, em vez de procurar o conhecimento sobre o outro. A superficialidade dos relacionamentos está muito ligada à politicagem que une muitos casais, que negociam o amor em vez de vivê-lo no diálogo sincero e na doação de si. Decididos a casar, noivos pouco preparados e cheios de maus hábitos e de diferenças mal resolvidas procuram a Igreja para fazê-lo.
Seja por tradição, seja por superstição ou por fé, muitos chegam ao altar e são preparados por equipes de noivos que se esforçam para acolhê-los e orientá-los na vivência do Sacramento de maneira mais plena. Por isso, muitos casamentos precisam ser acompanhados para além do grande dia, exatamente para que o "sim" do altar seja a afirmação do amor verdadeiro.

Na direção do Reino – “No noivado e nos primeiros anos de matrimônio, é a esperança que tem em si a força do fermento, que faz olhar para além das contradições, conflitos, contingências, que sempre faz ver mais além; é ela que põe em movimento a ânsia de se manter num caminho de crescimento” (Amoris Laetitia, 219). Por isso, é importante a presença de casais de esposos com a experiência e a especialização na paróquia, para que possam colocar à disposição dos casais mais jovens a sua ajuda, com o eventual apoio de associações, movimentos eclesiais e novas comunidades (cf. Amoris Laetitia, 223).
Esse serviço pastoral deveria já estar presente na Igreja desde então, porque não somente os que celebraram o Sacramento do Matrimônio precisam de acompanhamento, mas também os que são casados apenas no civil, mas vivem o amor, e os que decidiram viver juntos sem nenhum vínculo, mas têm um amor verdadeiro de entrega da vida toda. Basta que nós nos disponhamos a ajudá-los a caminhar na direção do Reino como casal, e eles mesmos procurarão o Sacramento. Eis mais uma forma importante de acolhida e de evangelização que as comunidades paroquiais e a Pastoral Familiar precisam começar sem demora.





Fonte: FC edição 971 - Novembro 2016
Postado por: Família Cristã




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