A força dos púlpitos

Data de publicação: 16/06/2017

Por Padre Zezinho, scj

Pouco a pouco no Brasil fala-se mais dos desmandos dos púlpitos e dos pregadores e pregadoras do que dos nossos mártires,
que os houve em grande quantidade

De 1950 para cá houve uma lenta e gradativa reviravolta dos púlpitos no Brasil. Católicos e evangélicos assistiram a mudanças, às vezes drásticas, às vezes suaves, em muitos casos positivas, em outros, negativas. O púlpito cristão marcou e marca nosso país. Templos, escolas, hospitais, asilos, creches, política, mídia, de um jeito ou de outro tudo, passava pela religião que era majoritariamente católica. Não passa mais. Cresceram as vozes laicas, as atividades laicas, a mídia laica e a política laica. Os governantes ainda precisam dos votos, mas cada dia prescindem menos da força da fé. Convivem! Delineia-se uma força política nova com a ascensão em números e influência dos evangélicos, principalmente os pentecostais, na política. 
Volta a influência ou haverá conflitos mais adiante? Haverá ecumenismo e diálogo igreja-mundo, ou voltaremos aos tempos de igreja século? Ou estão as igrejas cada dia mais seculares, embora o discurso seja cada dia mais de anjos, demônios e céu? Miraremos para a bolsa de valores e para a arrecadação, enquanto falamos em milagres e curas? Padres e pastores assistirão à ascensão dos que sobem ao púlpito motivados por segundas intenções, enquanto se escondem atrás de colarinhos, camisas e ternos clericais, Bíblias e discurso sacral, enquanto enriquecem com a pregação da fé?
Acusam-nos disso os laicos e ateus de agora! Pouco a pouco no Brasil fala-se mais dos desmandos dos púlpitos e dos pregadores e pregadoras do que dos nossos mártires, que os houve em grande quantidade na Igreja Católica e em notável proporção em algumas Igrejas evangélicas.
Houve e há um púlpito que dos anos 1950 para cá lutou pelos pequenos, defendeu os feridos de corpo e de alma, combateu a ditadura e a tortura, falou em nome dos pobres, organizou os pequenos e indefesos, ensinou a reivindicar sem pegar em armas no campo e na cidade, formou os fiéis para a justiça e a paz, combateu a corrupção endêmica do país. Durante todas essas décadas preparou lideranças sadias, derramou seu próprio sangue em defesa da vida, enfrentou e enfrenta corajosamente a concepção materialista da sexualidade, do nascer e do morrer, brigou pelos direitos do embrião e do feto, lutou e luta pelo espaço da fé na mídia numa sociedade que se proclama democrática,  mas combate a pró-democracia, é contra ditaduras de direita ou de esquerda e segue em combate contra a predominância de apenas um grupo no poder.
Há santos nesses púlpitos, mártires dignos da maior reverência, porque o tempo todo pensaram no povo e no Reino de Deus. Não enriqueceram, não moraram em casas luxuosas, não tiveram carros vistosos, não levaram vantagem alguma, viveram pobres e morreram pobres. Sua vida foi de intensa alteridade, por isso tinham autoridade e credibilidade.  Sua pregação apontava para a terra e para o céu, e tinha as dimensões das quais fala Paulo na Carta aos Efésios, 3,18: altura, profundidade, largura e comprimento. Diziam coisa com coisa! Estavam na Igreja Católica e ainda estão. Estavam e ainda estão em muitas Igrejas evangélicas.
Mas apareceu outro tipo de pregador e de púlpito. Sobre ele podemos e devemos falar com preocupação e tristeza. E não é porque sejam pecadores, porque também os pregadores mais sisudos o são. É porque desviaram o púlpito de sua verdadeira missão, consoante está em Paulo (2 Tm 4,1-5).




Fonte: FC edição 966 - Junho 2016
Postado por: Família Cristã




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