Abaixo a temperatura

Data de publicação: 16/06/2017

Por Felício Pontes Jr.

A COP 21 terminou com alguma esperança de que não vamos acabar com o planeta


A temperatura do planeta não pode continuar aumentando tanto. Os cientistas estabeleceram um limite. A Terra não pode aquecer mais de 2 graus até o fim deste século. Mas é preciso um acordo entre os países. E foi para isso que a Organização das Nações Unidas (ONU) convocou a COP 21, em Paris (França). COP significa “conferência das partes”. E partes, no caso, são os países que aderiram à causa que se iniciou na Conferência Rio 92. O número 21 mostra que essa foi a 21ª conferência internacional sobre o tema. E a mais importante. Ela reuniu 195 países que devem mudar a forma de agir. Eles devem sair de uma economia que privilegia a emissão de gases de efeito estufa para uma economia sustentável – ou de baixo carbono. E isso não é fácil. Os países mais ricos possuem suas economias baseadas na emissão desses gases, sobretudo dióxido de carbono e metano. É preciso, portanto, guardar o carbono dentro da terra, que está em forma de petróleo, e manter as árvores em pé.
A Amazônia tinha que ter um lugar de destaque. A Coordenadoria das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (Coica) mostrou na COP 21 que, na região, 32% do carbono está nas terras indígenas. Em termos mundiais, as terras indígenas guardam 20,1% de todo o carbono das florestas tropicais juntas. O cenário para salvar o planeta deve proibir o desmatamento e deixar o petróleo dentro da terra. A imprensa francesa tratou os indígenas como guardiões do clima por habitarem áreas de floresta que sequestram carbono. Mas os indígenas não foram ouvidos na conferência. Aliás, não foram ouvidos oficialmente, mas, nos eventos paralelos, indígenas de todos os continentes participaram.
Um deles foi o cacique Raoni, líder do povo Kayapó, que foi recebido pelo presidente da França, François Hollande, no Palácio do Eliseu. Raoni disse que os povos indígenas já estão sendo afetados pela mudança climática. E mais: é preciso parar a forma pela qual a sociedade “branca” usa os recursos naturais e que essa sociedade não respeita os espíritos protetores da natureza. Em resposta, o presidente francês declarou que a COP deveria ouvir os povos indígenas. O líder indígena, entretanto, não se contentou com a boa receptividade. Começou a negociação com outros caciques para que haja um encontro mundial dos indígenas sobre o clima. Ele quer que sejam denunciados os projetos de empresas e de governos que afetam diretamente esses povos, como as 153 hidrelétricas previstas ou em construção na região Pan-Amazônia, nos próximos 20 anos.

Cara de pau – O Brasil poderia ter saído na frente nessa nova ordem mundial. Mas perdeu a oportunidade. Chegou à COP com um cartão de visita péssimo: o rompimento da barragem em Mariana (MG) e o crescimento do desmatamento na Amazônia em 16%. Ainda assim, o governo fez uma cerimônia de assinatura de compromisso de desmatamento ilegal zero na embaixada brasileira em Paris. Ou seja, fez um evento para assumir um compromisso que já havia assumido e não tinha cumprido. A Organização Não Governamental (ONG) brasileira Engajamundo estava presente e não perdoou. Entregou à ministra do Meio Ambiente o Troféu Cara de Pau.
Mas a COP 21 terminou com alguma esperança de que não vamos acabar com o planeta. Os compromissos assumidos pelas partes são importantes, mas insuficientes. É aí que entra em campo a sociedade civil. O maior ganho da conferência foi não o conteúdo do acordo, mas o fato de o problema ter sido escancarado, conscientizando as futuras gerações de que é preciso mudar nossa relação com a criação. A receita para isso é simples e foi dada pelo papa Francisco na encíclica Laudato Si’.




Fonte: FC edição 961 - Janeiro 2016
Postado por: Família Cristã




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