Basta!

Data de publicação: 26/06/2017

Por Valdênia Lanfranchi

Até quando o Brasil exterminará a juventude negra?


Em qualquer país democrático, o direito de ir e vir é sagrado para todos. Mas não no Brasil. “Ele estava no lugar errado, na hora errada”, disse o policial para a mãe de Alex que chorava sobre o corpo do filho assassinado por policiais militares. Essa frase tão usada por policiais e reproduzida pelo povo busca justificar o injustificável genocídio da juventude negra. Desde quando a vida tem horário e lugar para ser protegida? Não podemos mais nos esconder atrás de frases feitas para justificar tais violências.
Em 2013, o estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Violência Letal no Brasil e Vitimização da População Negra: Qual Tem Sido o Papel das Polícias e do Estado? constatou que a probabilidade de um adolescente negro ser morto é 3,7 maior do que a de um jovem branco. O Mapa da Violência produzido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), registra que, entre 2002 e 2012, a vitimização da população negra saltou de 73% para 146,5% em relação à branca. A violência agravou-se tanto que exigiu, em 2015, a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a denúncia da existência do genocídio da juventude negra no Brasil. Opa! Genocídio? É, genocídio!

CPI – O Brasil ratificou a Convenção Internacional para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio em 1952, por meio do Decreto 30.822. Para a convenção, genocídio é o “crime contra a humanidade e que consiste em matar membros de um grupo nacional, étnico, religioso ou pertencente a determinada raça, com o fim de destruição desse grupo”. Após quatro meses de trabalho, a CPI divulgou, em julho passado, seu relatório. Entre 2008 e 2011, aconteceram 206 mil homicídios no País, 53 mil só em 2011. Desses, 53,3% das vítimas eram jovens e 71,44%, negros. O relatório aponta que os jovens negros assassinados são, na maioria, homens, têm baixa escolaridade e moram em periferias onde os serviços públicos são escassos. Outro ponto abordado foi o tratamento desigual entre negros e brancos pelos policiais. A conclusão da CPI foi pela existência do genocídio contra jovens negros no Brasil. 
O extermínio da juventude negra e pobre é parte de um desenho amplo que inclui a superpopulação das prisões, composta na maioria por negros e pobres, a baixa qualidade da educação pública – e ainda querem fechar escolas! –, a diferença nos salários entre negros e brancos e a ausência de negros na mídia, na política e nos cargos de alto nível em todos os setores da sociedade. É urgente que nós, cristãos e cidadãos, assumamos a responsabilidade no enfrentamento do genocídio contra a juventude negra no Brasil. A CPI, entre suas recomendações, incluiu dois projetos de lei que preveem um plano de enfrentamento ao homicídio de jovens e um fundo nacional para a superação do racismo, que tem nos homicídios de jovens negros a mais cruel expressão.
Nenhuma comunidade escapa das estatísticas. É só procurar que encontraremos uma mãe chorando a perda de seu filho. O papa Francisco, durante a Jornada Mundial da Juventude, insistiu no protagonismo dos jovens. Mas não há protagonismo sem vida. É preciso fazer nossa parte para interromper esse ciclo perverso da violência. Podemos pressionar para não deixar prosseguir o projeto que acaba com o Estatuto do Desarmamento. Criar novas formas de acolher os jovens de nossas comunidades. Apoiar e participar da Pastoral Carcerária, hoje a mais próxima dos jovens excluídos. Pelo fim do genocídio da juventude negra e da violência contra todos os jovens! Vamos juntos assumir o nosso compromisso cristão!




Fonte: FC edição 961 - Janeiro 2016
Postado por: Família Cristã




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