Cristo cura a vida

Data de publicação: 26/07/2017

Por Frei Luiz Sebastião Turra, ofm cap

No Sacramento da Penitência, o anúncio e a prática do perdão são características do Ministério de Jesus.

Ele tem consciência de que veio para os pecadores, para os doentes e não para os sadios

Não poderemos reconhecer o verdadeiro rosto do Sacramento da Penitência se não o olharmos e o vivermos a partir de Cristo. Ele é a referência pela qual identificamos sua verdade e sua beleza. Com isso, não queremos afirmar que as formas rituais, praticadas ao longo dos tempos tenham sido determinadas por Cristo. Na medida em que vamos contemplando quem é Jesus, seu modo de agir e sua mensagem, também vamos percebendo a misericórdia de Deus chegando e garantindo vida em abundância, ontem, hoje e sempre.
As multidões vêm ao encontro de Jesus de todos os lados, carregando as mais diversas situações, mas animadas pela Boa-Nova do Reino (cf. Mc 2,13; 3,20; 4,1; 5,21). Cheio do Espírito Santo, Jesus percorre as aldeias expulsando maus espíritos (cf. Mc 1,39), curando os doentes e maltratados (cf. Mc 1,34), integrando e reanimando os excluídos pela opressiva lei da impureza (cf. Mc 1,40-45), evidenciando como é o agir misericordioso do Pai (cf. Lc 15,1-10; 15,11-23; Jo 5,14; 8,11). Cristo vem revelar o Deus esperado e acreditável do amor compassivo.
É tão fascinante e entusiasta o anúncio do Reino, que Cristo não tem nem tempo para comer (cf. Mc 3,20; 6,31). Busca ajuda e chama os discípulos e os prepara para a missão (cf. Mc 6,6-7). “Jesus percorria toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, anunciando a Boa-Nova do Reino e curando toda espécie de doença e enfermidade do povo” (Mt 4,23; 9,35; Mc 1,39; Lc 6,18). “Ungido por Deus, com a força do Espírito Santo, passou fazendo o bem e curando a todos os oprimidos pelo diabo, porque Deus estava com ele” (At 10,38).
Entre os semitas reinava a convicção de que Deus está na origem da saúde e da enfermidade. Uma boa qualidade de vida era sinal da bênção de Deus e as desgraças humanas eram provas da maldição divina. Cegos e surdos eram considerados incompetentes por não terem condições de saber e praticar a lei. Era ainda mais trágica a situação dos leprosos. A lista dos considerados pecadores, amaldiçoados por Deus e abandonados pela sociedade, era imensa.

Misericórdia – Jesus com seu jeito de ensinar e seu poder de purificar surpreendia a todos. “Todos se admiravam, perguntando uns aos outros: Que é isso? Um ensinamento novo com autoridade! Até mesmo aos espíritos impuros ele dá ordens e eles lhe obedecem!” (Mc 1,27). O povo simples encontrou em Jesus uma resposta que revela o Deus da vida, cujo perdão é sempre possível. Já não depende do templo (Mc 2, 5-12). A lei deve ser entendida a serviço da vida (Mc 2, 23-28). O poder de Deus é maior que o poder do mal (Mc 3, 23-30).
É claro que, no meio da alegria e a festa da misericórdia, não faltavam os irmãos mais velhos do filho pródigo que acusavam Jesus de “blasfêmia!” (Mc 2,27) “Tem o demônio no corpo!” (Mc 3,22) “Come com publicanos e pecadores” (Mc 2,16). “Transgride a lei do sábado” (Mc 2,24). Diante dos mesmos fatos, as mesmas palavras e o mesmo modo de ser de Jesus, as reações eram diferentes. O povo simples sabia que Deus é bom, mas os fanáticos da lei e do poder se viam ameaçados e diziam: “Isto não presta!”

Vida plena − Assim tão humano só pode ser divino! Em se tratando da confissão, como sacramento, necessitamos resgatar sua verdade original antes de rejeitar a forma e a prática ritual. Quando aproximamos o sacramento da misericórdia à memória e ao coração de Deus, confirmamos que não há pecado que leve o Pai a abandonar um filho. A paixão pela vontade do Pai, que é a “vida plena” de todos, move Jesus a ter atitudes ternas e acolhedoras, confiantes e redentoras, sem qualquer ameaça e cobrança. Ele sabe que ninguém é feliz quando abandona o amor do Pai, pois vai perdendo a dignidade de filho e rompendo as relações com os irmãos.
Comentando o Evangelho de Lucas 19,1-10, que narra o encontro de Jesus com Zaqueu, o Papa Francisco diz: “Jesus vai à casa de Zaqueu, despertando críticas de todo o povo de Jericó... E o povo dizia: ‘Mas como? Com tanta gente boa que há na cidade vai hospedar-se justamente na casa de um publicano?’. Sim, porque ele estava perdido, e Jesus diz: ‘Hoje entrou a salvação nesta casa, porque este também é filho de Abraão’ (Lc 19,9). Na casa de Zaqueu, a partir daquele dia, entrou a alegria, entrou a paz, entrou a salvação, entrou Jesus”.
O anúncio e a prática do perdão são característica de todo o ministério de Jesus. Ele tem consciência que veio para os pecadores e não para os justos, para os doentes e não para os sadios. Cristo começa seu ministério declarando-se o ungido de Deus que veio libertar os oprimidos. Na cruz, entre suas últimas palavras, está o mais radical perdão: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23,34). Cristo não é só perdão; é anistia de Deus para a humanidade (cf. Cl 2,13-15).

Perguntas
1.    A partir de quem devemos buscar o sentido verdadeiro do Sacramento da Penitência ou Confissão?
2.    Qual foi a grande surpresa que Cristo veio confirmar no meio do povo?
3.    Como podemos hoje acolher a ação misericordiosa de Deus e nos motivar a um caminho de conversão. Há algum fato do Evangelho que nos ajuda?





Fonte: FC edição 945 - Setembro 2014
Postado por: Família Cristã




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