Uma toada para o meu Pai

Data de publicação: 03/08/2017

Por Danilo Maia
E assim, era o nosso momento “pai e filho”. Sem conversa.
Apenas deitados, a rede balançando e meu pai cantando


Sempre penso a respeito sobre quais formas um pai pode ensinar seu filho, transmitir todo o seu conhecimento e externar todo o seu amor. Pois há aqueles pais ausentes por necessidade, que têm de manter o lar, mesmo que isso signifique, praticamente, não parar em casa. Ou, até mesmo os pais que são de poucas palavras, mas carregam consigo muito amor.
Como acompanhar o crescimento dos filhos? Quais conselhos dar? O que verdadeiramente de valor ele vai deixar para suas crianças?
Quando penso na minha relação com meu pai, lembro que poucos foram nossos momentos de “conversa” entre pai e filho. As lições que aprendi dele, geralmente foram mais com suas atitudes do que por seu discurso. Não que ele não aconselhasse, mas sempre foi um homem de poucas palavras, e também era do tipo que trabalhava muito e mal parava em casa. Porém, suas ações positivas, austeras, honestas, essas sim, eram exemplos fortíssimos. E sempre me foram fonte de inspiração para o tipo de pessoa que eu queria me tornar. Ele era um modelo a seguir.
No entanto, amor, cuidado e carinho, foram-me ensinados de outra forma. Através de canções. Não músicas com lição de moral e etc. Apenas músicas. Mas era assim que passávamos o nosso tempo juntos. Eu deitava na rede com ele e, então, ele começava a cantar músicas bem antigas. Em sua maioria, eram canções religiosas, principalmente exaltando Nossa Senhora, ele sempre foi um homem de fé. Aí, ele deixava de ser o homem de poucas palavras e falava muito. Ou melhor, cantava muito... Muitas e muitas músicas. Por vezes, o repertório era repetido, mas isso não me incomodava. Aliás, eu até tinha minhas músicas preferidas e, muitas vezes, eu pedia para repetir a canção, só para demorar mais tempo aquela ocasião...
E assim, era o nosso momento “pai e filho”. Sem conversa. Apenas deitados, a rede balançando e meu pai cantando. Ali, se encontrava todo o carinho do mundo!
Isso também acontecia quando eu estava doente, e tinha um efeito reconfortante ouvi-lo cantar pra mim.
Acredito que seu propósito de me formar uma boa pessoa foi atingido com sucesso. Não só a mim, mas aos meus irmãos. Um deles é pai e vejo nele, meu irmão, repetir os passos do meu pai.
Aí, por mais que queiramos não seguir os conselhos e exemplos, por mais que queiramos não ser uma cópia de nossos pais. Mais adiante, percebemos que só tememos não sermos tão bons quanto eles.
Eu, ainda hoje quando me sinto triste, tenho vontade de pedir a ele que cante pra mim.
“É um bom tipo, o meu velho...”





Fonte: FC edição 944 - Agosto 2014
Postado por: Família Cristã




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